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REDE DE COMENTÁRIOS (n=44)
Clecio Bunzen,
cleciobunzen@yahoo.com.br ,
9/5/2008
O texto nos aponta uma questão central das políticas públicas de "incentivo"
à leitura: os livros didáticos. De fato,
há um negócio milionário em relação aos livros didáticos, mas não só das
escolas públicas. Desde o século XIX,
temos assistido no Brasil a emergência de uma história da literatura
didática e as cifras que geram para as editoras.
No livro A formação da Leitura no Brasil, Lajolo e Zilberman mostram dados
interessantes sobre esse aspecto. Desta
forma, não é culpa apenas do Ministro ou governo federal se as editoras
estão ganhando muito com a política liberal
e iluminista voltada para as compras de livros didáticos. A solução seria,
então, adotar um material único e uniforme
- de "boa qualidade" - para todo o país. Se sim, acho que poderíamos correr
o risco de virar mais um sistema
apostilado padronizado, com direito a DVD e tudo! Quem iria escolher o
material? Que opções o professor teria?
Para finalizar, informo que alguns dados que tenho analisado sobre interação
em sala de aula revelam que o
professor re-orienta o projeto didático. Então, um livro de ótima qualidade
poderia ter utilizações diversas e vice-versa. Será mesmo que é um livro de qualidade e único que resolverá o nosso
problema? Talvez, acabe com
grandes editoras... mas e os alunos? e os professores? Não há nada de
positivo nos livros didáticos que circulam nas
escolas? Parecem-me bem melhores que os apostilados das escolas que os
filhos da elite estudam...
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Maria Dovaneide de Souza, dovaneide@hotmail.com , 10/5/2008
O texto discorre sobre uma questão “única”, o olhar sobre a visão lucrativa
das editoras com relação ao livro
didático. Não querendo desmerecer a reflexão do prof. João Vergílio, mas,
elevando nossa preocupação com o apóio
que esses dão aos professores iniciante. Acredito que, se acontecer essa
ruptura do tal vínculo, estaríamos
aniquilando ainda mais o conhecimento dos educadores que atuam em sala de
aula. Hoje, esses profissionais são
mal remunerados e sem condições de comprar livros, os mesmos aproveitam
para adquirir alguns, quando são
enviados para as escolas com intuito de que façam à escolha. Entende-se que,
preocupar com esse negócio
milionário criado pelo governo, deve sim, porém, a grande importância se
deve também, em dar condições para que
os PROFESSORES possam adquirir obras que levem ao seu crescimento
profissional.
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Eroiuza M. Feitosa de Assis, ce.house@uol.com , 13/5/2008
Creio que o maior questionamento não é o lucro adquirido pelas editoras com
o livro didático, mas sim qualidade e
sobretudo a pertinência das informações nele contidas. O livro didático não
é no todo descartável, nem tão pouco
o único meio de ensino; o professor pode selecionar o que achar relevante
para seus alunos. Respeito a opinião do
colega João Virgílio, entretanto uma educação de qualidade não está centrada
somente nesta questão do livro
didático.
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Maria das Dores O. Albuquerque,
doresalbuquerque@yahoo.com.br , 23/5/2008
Virgílio, realmente é uma indústria muito lucrativa, mas por enquanto é o
único instrumento acessível ao professor
para elaborar as suas aulas, uma vez que ele não dispõe de condições para
comprar livros atualizados. Nesta briga
de querer ser o melhor ou divulgar resultados de pesquisas, o professor sai
ganhado pelo recortes dessas teorias
em livros didáticos. O ideal está longe de ser alcançado, que é professor
ganhar dignamente, ensinar apenas em
uma instituição com um número de alunos viável para a realização da
aprendizagem. E isto se resolve com
infra-estrutura adequada ao ambiente de sua comunidade. Imagine que a maioria
das escolas públicas quando tem
biblioteca. Esta se resume em uma "sala" medindo mais ou menos três metros
quadrados com alguns livros
trancados em algumas estantes para que os alunos não os danifiquem.
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Fátima, paul.fatima@onda.com.br , 23/5/2008
Há muito que "sonho" com um debate realmente produtivo sobre livros
didáticos. Que o lucro das editora que
vendem livros didáticos ao Estado é imenso, não se duvide. Temos vivido
algumas experiências interessantes, no
Paraná, entre elas o livro didático público, produzido por professores da
rede. O projeto é novo, é ousado, mas
penso que vale a pena um olhar mais interessado, para que se compreendam as
suas potencialidades. Mas, o que
eu gostaria de questionar é o seguinte: 1. Qual o real papel do livro
didático nas salas de aula? 2. Quem é o
interlocutor do livro didático? 3. Por que se diz que o livro didático é uma
necessidade para o professor? 4. Por que
o Virgílio sugere "professores de altíssimo nível" para produzirem material
didático? 5. Qual o verdadeiro sentido de
padronizar o material didático em todo o Brasil? Tem sentido? Favorecerá
quem? Já pensei que o site mediado pelo Clécio, sobre os materiais didáticos, seria um bom espaço para esta
discussão. Mas penso que aqui, com a ALB e a
mediação do prof. Ezequiel, teríamos um bom espaço. Gostaria imensamente que
esta discussão pudesse ser
produtiva no sentido de aprofundarmos realmente nosso conhecimento sobre
este tema tão polêmico, mas tão
carente de posições claras, de argumentos fundamentados, que colaborem com
os professores que trabalham na
educação básica, especialmente a pública.
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Luiz Carlos Cagliari, cagliari@fclar.unesp.br , 23/5/2008
A questão do livro didático é uma questão tão importante, que envolve muitos
aspectos, que merece uma
discussão detalhada. Todavia, gostaria de fazer apenas uma observação aqui.
Quem toma as grandes decisões do
Governo a respeito da Educação neste país não são os políticos, propriamente
ditos, mas os educadores, nossos
representantes nos órgãos do governo. Se a Educação vai mal, há responsáveis
em diversos níveis e, quanto mais
alto estiverem, o estrago é maior e mais profundo. Enquanto o Brasil não se
convencer de que precisa de
competência também na Educação, os resultados serão sempre desanimadores,
com ou sem estatística. A meu ver,
existe uma concepção profundamente errada sobre o que é a Educação e isto é
gerado e mantido por educadores
que fazem a política educacional do país. Há um grande medo em mudar, em ter
um outro "modelo" de Educação.
Enquanto isso, as provas e exames continuam intimidando professores,
editoras, alunos, com resultados
estatísticos estarrecedores, como o fato de os falantes nativos de português
(no Brasil) não entenderem o que
lêem, o que ouvem e, muito menos o que falam.
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Luiz Carlos Oliveira, flor-do-lacio@uol.com.br , 23/5/2008
Um livro didático de Estado representaria a intervenção e o controle direto,
por parte do grupo político – à
esquerda ou à direita - que estivesse no poder, dos conteúdos e das
diretrizes ideológicas (no sentido marxista
mais estrito) do conhecimento produzido. O ensino de História, de Ciências,
de todas as disciplinas correria risco
ainda maior de estar a serviço de um discurso oficial monológico. Não sei se
esse quadro seria muito melhor do que
temos hoje.
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Ana Maria Sá de Carvalho, anassa@oi.com.br , 24/5/2008
Penso que o nosso maior problema educacional refere-se a leitura. Como não
aprendemos a ler no sentido pleno da
palavra, não aprendemos a ler o mundo, a ser políticos e muito menos a
dialogar. Esse seria o grande investimento
da Educação, lembro, no entanto, que para isso precisamos de bibliotecas,
com acervos condizentes, tanto em
qualidade como em quantidade, com o seu público;com bibliotecários
competentes;com mediadores e dinamizadores
da leitura;e, sobretudo, com professores que gostem de ler e compreendam a
leitura numa concepção mais
moderna, mais preocupada com o Letramento, com a Estética da Recepção, com o
Sociointeracionismo. Essas
concepções contribuem para colocar em prática os pilares da Unesco -
aprender a aprender, a ser, conviver, a
fazer. Reverter, portanto, o investimento em livros didáticos em ações mais
consistentes e substanciosas que
invistam no homem como um ser complexo, como quer Edgar Morin.
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Emily Custódio, emilycustodio@gmail.com , 24/5/2008
Não sou pedagoga, mas como comunicóloga respeito à opinião do professor
doutor João Vergílio. Mas não acredito
que a massificação das informações dos materiais didáticos, das escolas
públicas brasileiras, resolveria o problema
de superfaturamento das grandes editoras. E ludicamente, acredito que as
licitações ajudam a garantir a livre
concorrência de mercado. Dando a oportunidade do professor escolher o
material que mais se encaixa no seu
método de ensino. Temos que respeitar a cultura diferenciada de cada região
do nosso País. Trabalhar e pensar
local para depois entender o global. E para auxiliar no conhecimento a
cultura global, aí sim, exigir dos governos
mais investimentos em hardwares e softwares. O último, podemos encontrar até
“livres”, sem custo algum.
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Fátima, paul.fatima@onda.com.br , 24/5/2008
"Há um grande medo em mudar, em ter um outro "modelo" de Educação." Caro
professor Luiz Carlos: será que é
medo mesmo? Não poderia ser apenas uma estratégia daqueles educadores aos
quais você se refere, para manter
as coisas como estão? Ou então, quem sente medo? O medo de mudar, encontro,
e muito, entre professores que
estão em sala de aula. Medo de não saber, uma vez que sua formação inicial é
tão precária ou tão defasada diante
do que encontram nas salas de aula; medo de não dar conta de superar a
hegemonia de livros que estão, há tanto,
tanto tempo, ditando o currículo, ditando as regras, ditando as provas,
ditando os encaminhamentos. Aliás, persisto
no questionamento: quem é o interlocutor do livro didático? É o aluno? É o
professor?
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Luiz Carlos Cagliari, cagliari@fclar.unesp.br , 25/5/2008
Na minha opinião, Fátima, o que existe, além de um grande despreparo das
pessoas que gerenciam a Educação no
Brasil (em geral, não têm outra experiência além da vivida em "casa"), há a
ingenuidade, oriunda de boa vontade,
de que Educação é algo "divino" ou parecido com isso. Na minha experiência,
acho que questões ideológicas mais
sérias, passam longe da vontade de nossos educadores. Por outro lado, o medo
do professor se constata e é fruto
claro de sua má formação. Assim, não há livro didático que resolva, por
melhor que seja. Eu poderia pegar a velha
Antologia Nacional e dar uma aula sobre qualquer assunto de linguagem e de
Língua Portuguesa. Mas, será que
nossos professores, conseguem dar uma aula de Português, sem a gramática
debaixo do braço? O mundo atual
precisa de ciência, de tecnologia e de competência para fazer bem feito o
que é preciso fazer. Vejo que as pessoas
discutem o fato de nossos alunos não saberem ler... Será que não entendem
novela? não conseguem conversar
(discutir)... então, o que é não saber ler? É fácil colocar o rótulo, dar
uma nota para uma pergunta sem sentido.
Mais difícil é entender como a linguagem funciona e como é ensina (!??)
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Fátima, paul.fatima@onda.com.br , 26/5/2008
Professor Luiz Carlos e todos os que estão acompanhando esta conversa:
Muito bom, mesmo, ler tua mensagem e sentir-me acompanhada.
Sabe, professor, quando as circunstâncias me levaram, atualmente, a
trabalhar justamente na gestão da
educação, ou seja, na Secretaria de Educação, preocupa-me justamente o que
fazer, quando se tem claro o que
falas no início da tua mensagem: despreparo, ingenuidade - ou mesmo
ideologias mais sérias por parte dos
gestores; medo e má formação de professores. Enfim, colocando o foco no
objeto de nossa discussão: o que fazer
em relação ao livro didático? Qual a discussão apropriada? Acreditas na
possibilidade de, em relação às escolas
públicas, as secretarias investirem em formação continuada, a ponto de nos
aproximarmos daquela situação que
tão bem mencionas, de ter em mãos uma velha antologia e dar conta do recado
de boas e produtivas aulas de Língua Portuguesa? Outra coisa: quando faço os questionamentos sobre o livro
didático, aqueles que elenquei na
primeira mensagem, é porque gostaria mesmo de discuti-los, de pensar o que é
realmente a presença do LD na
escola, para poder, inclusive, pensar em como levar esta discussão para os
professores, no intuito, de vê-los - e
contribuir para que eles se vejam - como sujeitos de sua prática docente e
não como meros retransmissores ou,
numa expressão talvez mais dura, de meros peões do livro didático. Justamente
para se poder chegar àquela
situação que apontas no final de teu comentário, que é a de termos
professores que compreendam a natureza e o
funcionamento da linguagem e que saibam como ensinar. Um grande abraço!
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UILMA, uilma_rs@hotmail.com , 29/5/2008
Que coincidência, justamente meu seminário passado foi sobre o livro
didático. Bom, o livro é de muita valia para o
professor em sala, mas não deve ser o único material didático, até porque na
maioria das vezes ele não condiz com
a realidade dos alunos. Desta forma cabe ao professor inovar com outros
recursos, como apostilas e módulos por
exemplo.
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Clecio Bunzen, clecio.bunzen@gmail.com , 2/6/2008
Cara Fátima e professor Cagliari, Estou achando excelente nossa discussão
aqui sobre LD. Por isso, vou comentar
dois fatores levantados aqui. O primeiro refere-se a quem se dirige o LD e o
segundo a relação entre os docentes e
o uso do LD. Sabe-se que os livros didáticos no Brasil até o século XIX eram
raros e caros (ver pesquisas de
Bittencourt e Lajolo & Zilberman). Desta forma, os livros ficavam nas mãos
dos professores para seu uso. Que
professores tínhamos? Nos séculos XVIII e XIX, grande parte dos docentes
eram leigos e "seguiam" os livros que
eram impostos e controlados pelo Império. Após uma maior distribuição e
acesso ao livro no século XX, teremos um
conjunto tão amplo de práticas de leitura e de apropriação desses impressos
escolares que fica difícil classificar o
professor, os cursos de formação e as secretarias por algo que ocorra nas
salas de aula. Ou seja, não concordo
que o LD seja um "capataz" ou que o professor seja um "peão" que é adotado
pelo livro para guiar sua aula. Sempre
lembro que a aula não é o professor e o livro: temos outros sujeitos que
interagem neste processo (os alunos). Há
diversas vozes sociais em conflitos no espaço educativo!! Os professores que
conheço e trabalho hoje já não
seguem mais (se é que um dia seguiram) a gramática ou ou livro didático.
Chego então no meu segundo ponto: o
currículo do cotidiano. Acho que precisamos fazer mais pesquisas para
conhecer o que de fato acontece nos
processos de apropriação e uso dos materiais didáticos em sala de aula. Na
minha pesquisa de doutorado, fiquei
surpreso ao perceber como os professores re-alinham o que está no livro
didático e se apropriam de diversas
maneiras. Não sei se a discussão é o que fazer com o livro didático, pois há
séculos ele está presente nas culturas
escritas que apostaram em um sistema de escolarização formal. Acho que a
questão mais central poderia ser: como
nos apropriamos e recebemos os discursos que são veiculados pelos LD?
Acredito como o Certeau, Chartier e
Bakhtin que o sujeito-professor é capaz de dar réplicas ao livro didático
das mais diversas formas. Resta-nos
conhecer mais esse processo para depois pensarmos em políticas públicas que
enfocam um professor homogêneo e
nossos discursos acadêmicos que afirmam que o professor faz isso ou aquilo.
De que professor estamos falando:
aquele lá de Olinda que está com o São João nas ruas? aquele lá de Rio
Grande no RS? Aquele da grande São
Paulo? O de Belém? O do Rio de Janeiro? Tenho chegado a conclusão que a
generalização pode atrapalhar nossas
discussões sobre LD, pois corremos o risco de não compreender o currículo
do/no cotidiano.
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Luiz Carlos Cagliari, cagliari@fclar.unesp.br , 2/6/2008
Continuando um pouco a discussão sobre LD. Livro didático é uma ferramenta,
às vezes, um tanto perigosa, porque
pode além de induzir ideologias, antigas ou novas, determina um conteúdo e,
de certo modo, obriga um método.
Apesar disto, a escola, desde o século XVI passou a ter LD. Veja, por
exemplo, as primeiras gramáticas da Língua
Portuguesa (Fernão de Oliveira, 1536; João de Barros, 1540) e as "cartinhas"
de alfabetização do final do século XV
e começo do XVI. Temos uma longa história de LD na escola! Por outro lado,
além dos LD específicos, qualquer livro
usado na escola torna-se um LD para fins específicos, mesmo em se tratando
da escolha de uma obra literária (por
que essa e não outra? O que está por trás dessa escolha?). Isso me leva a
concluir, de certa forma, que a escola
não pode ficar sem LD de algum tipo. Quando falta um LD, o que o substitui é
um apontamento pessoal do
professor, nem sempre muito bom ou uma apostila, que é um LD disfarçado.
Então, qual é o problema? Do meu
ponto de vista, o problema está na formação do professor – e volto a
insistir nisso. E o problema da formação do
professor está onde? Em primeiro lugar, está nas escolas de formação: o que
se ensina? com que competência são
ensinados os conteúdos indispensáveis? Quais são os conteúdos
indispensáveis? etc... Fora os problemas de
infra-estrutura de nossas escolas, o resto se reduz à ação educativa de
ensino e de aprendizagem, o que também
não se reduz ao LD nem a aulas. Não é a diversidade de LD que torna a
educação ruim, mas quem os usa. Lamento
o fato de o MEC ter interferido e "selecionado" quais livros são melhores do
que outros. Melhor seria selecionar
quem deve ou não educar. Talvez valesse a pena lembrar um pouco de Lourenço
Filho e sua briga contra a
incompetência nas escolas... Mas, essa é outra história.
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Fátima, paul.fatima@onda.com.br , 3/6/2008
Clécio, Prof. Cagliari e todos! Fico muito, muito agradecida pela
participação de vocês nesta discussão e muito
gratificada por estar fazendo parte da conversa! Muito bem, o espaço do qual
eu falo é o da educação pública e o
que o contato com os professores tem revelado. O grau de dependência do
professor em relação ao LD é, ainda,
muito grande. a questão é: por quê? Imagino que não se possa generalizar e
dizer que é só comodismo e acredito
que há que se levar em conta a formação inicial dos professores. Qual
licenciatura, e vamos falar de Letras, que é
a nossa área, qual delas trabalha com seus alunos a questão do LD? O que me
intriga é: por que há o LD? É para
didatizar conteúdos? Então, parte-se do princípio que o professor não sabe
didatizar esses conteúdos? Por que não
sabe? Se o LD tem como interlocutor o aluno, se o livro é para chegar às
mãos dos alunos, a minha pergunta é:
qual o papel reservado ao professor? Se o professor deve complementar,
explicar, traduzir o que está posto no LD,
posso deduzir que o livro, para o aluno, é incompleto ou não está bem
escrito? Se O LD tem como interlocutor o
professor, então não deveria estar nas mãos dos alunos, senão estará
roubando do professor o espaço que deveria
ser dele, não é? Li um artigo do Prof. Cagliari no livro Alfabetização no
Brasil, organizado pelo prof. Ezequiel
Theodoro da Silva, onde o Prof. Cagliari faz observações sobre as cartilhas,
mas que são aplicáveis aos LD em
geral. Uma delas é a que fala sobre as experiências bem sucedidas que se
transformam em livro didático, supondo
que aquele método, se deu certo para um, deveria dar certo para todos.
Outra, é sobre a situação do professor em
sala de aula, com os LD: sua condição de agente da educação foi
deslocada. Recomendo a leitura deste artigo a
todos os que querem compreender mais esta questão que estamos discutindo. As
questões permanecem, para mim:
há como resolver a questão da interlocução do LD? Não é importante definir
esta interlocução? Há como enfrentar estas questões sem envolver as
licenciaturas e a formação inicial dos professores?
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EZEQUIEL THEODORO DA SILVA, ezequiel@pescarte.com.br , 5/6/2008
Bom participar de um debate tão acalorado como este, tematizando o livro
didático no Brasil. Há que se diferenciar
MATERIAIS/TEXTOS DIDÁTICOS dos chamados LIVROS DIDÁTICOS. Os primeiros se
referem às múltiplas fontes de
que os professores podem lançar mão para levar avante as suas
responsabilidades de ensino; os segundos, dentro
do contexto brasileiro, se referem a uma indústria lucrativa, que se
incrustou nos organismos de decisão sobre os
rumos da educação, que possui forte lobby no Congresso Nacional e instalou
um modo de funcionamento das
escolas no Brasil. Essa indústria se corporifica e ganha mais força ainda
com a introdução da PEDAGOGIA
TECNICISTA no Brasil (década de 1970), quando os métodos, técnicas,
materiais (livros didáticos), laboratórios, etc
passam a ser mais importantes do que os sujeitos do processo (professor e
alunos). A voz dos livros
pre-programados passa a ter mais força do que a voz do professor mesmo
porque, no tecnicismo, os "meios" se
sobrepõem às finalidades. Importante seria inverter radicalmente esse
processo, devolvendo a voz e autoridade aos
professores ou aos coletivos de professores de modo que os "materiais
didáticos" pudessem vir a beneficiar o
ensino, com ou sem livros didáticos. A questão é saber se, na atual
conjuntura, a cabeça do professor não foi de
tal maneira formatada para achar que sem livros didáticos (os que dispomos
no mercada, lógico) não há outra forma
de educar/ensinar. Outrossim, me parece fundamental, desvelar a natureza
ideológica que rege o circuito do livro
didático no nosso país, que vai do modo padronizado de sua produção até o
uso que dele se faz em sala de aula.
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Clecio , clecio.bunzen@gmail.com , 8/6/2008
Caro professor Ezequiel, De fato, a definição de livro didático não é fácil
e depende dos objetivos de quem mobiliza
o conceito. Não vejo problemas, como faz Circe Bittencourt, em chamar de
livro didático todo impresso escolar que
tem finalidade explícita o ensino-aprendizagem (cartilhas, livros de
caligrafia, antologias, seletas, etc.). Tais livros
que, a meu ver, sempre foram objetos de consumo e de lucro - especialmente
após a criação de editoras nacionais
entre o final do século XIX e início do XX - mantêm relações complexas com o
Estado e com o cotidiano escolar. Há
poucas pesquisas sobre o uso do livro didático (seja no século XIX, XX ou
XXI), por isso acho um risco assumirmos
ou generalizarmos que todo professor segue a lógica tecnicista ou que se
apropriam do livro didático ou de outros
tipos de impressos de forma passiva e autoritária. Acredito que a recepção
do discurso de outrem - neste caso da
proposta didática autoral - é muito dinâmica e merece da nossa parte mais
atenção. Como os professores se
apropriam desses discursos e replicam juntamente com seus alunos o livro
didático? Por isso, não sei se concordo
que a voz do livro didático é a voz do professor. Em um sentido bakhtiniano,
a sala de aula seria composta por
várias vozes, mas há também réplicas de formas variadas. Será que
encontramos um modo padronizado de uso dos
livros didáticos em sala de aula? Se sim, teríamos que construir um
referencial teórico que explicasse o
funcionamento discursivo em sala de aula e das interações cotidianas que
mostrasse como tal padronização se
revela. Se não, teríamos um grande campo de pesquisa para estudar as
apropriações dos professores aos diversos
livros didáticos e suas múltiplas relações com as políticas públicas, as
editoras, a formação de professores, etc. Em
suma: precisamos de mais pesquisas sobre os usos do livro didático e do
próprio processo de produção que é muito
mais multifacetado e dinâmico do que linear.
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Clecio , clecio.bunzen@gmail.com , 8/6/2008
Uma boa discussão sobre a temática que discutimos aqui, especialmente dos
bons questionamentos levantadas pela
colega Fátima, pode ser encontrada em:
BATISTA, A. Um objeto variável e instável: textos, impressos e livros
didáticos. In: Márcia Abreu (Org.) Leitura,
História e História da Leitura. Campinas, SP: Mercado de Letras: Associação
de Leitura do Brasil. 1999.
BITTENCOURT, C. Livro didático e conhecimento histórico: uma história do
saber escolar. Tese de Doutorado em
História. Universidade de São Paulo. 1993.
MUNAKATA, K. Livro didático: produção e leitura. In:Márcia Abreu (Org.)
Leitura, História e História da Leitura.
Campinas, SP: Mercado de Letras: Associação de Leitura do Brasil. 1999.
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EZEQUIEL THEODORO DA SILVA, emarthi@terra.com.br , 9/6/2008
Ao amigo Clécio convém elucidar que eu não afirmei que a voz do livro
didático é a voz do professor ou substituta
da voz do professor; afirmei, isto sim, que o uso do livro pode vir a
diminuir a autonomia e a autoridade do professor
no que diz respeito às decisões e aos rumos do ensino. Nos idos de 1980,
dentro do projeto PROMADI (Programa
Material Didático, FE-UNICAMP), chegamos a produzir o CATÁLOGO - PESQUISAS
SOBRE O LIVRO DIDÁTICO NO
BRASIL, com o apoio do INEP. Nessa época, já percebíamos a necessidade de
uma conjunto mais amplo de
investigações que desse conta da complexidade do tema. Entretanto, parece-me
evidente que a esfera da
formação de professores vem se deteriorando cada vez mais no Brasil; com
isto, cria-se uma dependência muito
grande de programas prontos de ensino, que sejam simplesmente replicados nas
salas de aula. Esse mesmo
fenômeno (do enfraquecimento do repertório de formação básica dos
professores) fez com que a Secretaria de
Educação do Estado de São Paulo produzisse um material didático padrão para
uso de todos os professores da
rede, independente de nível ou região; no meu ponto de vista, um outro erro
do sistema, a ser avaliado novamente
no futuro.
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clecio, clecio.bunzen@gmail.com , 9/6/2008
Além dos cursos de formação, professor Ezequiel, parece-me também que as
pesquisas sobre livro didático sofrem
ainda vários preconceitos no meio acadêmico. Por isso, é importante um
espaço como este para discutir as múltiplas facetas do LD.
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EZEQUIEL THEODORO DA SILVA, emarthi@terra.com.br , 9/6/2008
Para o surgimento e irradiação desse preconceito, creio que colaborou muito
o livro As Belas Mentiras, de Maria de
Lourdes Nosella e, um pouco antes, Mentiras que parecem verdades, de
Umberto Eco. Essas duas obras revelaram
os aspectos de reprodução ideológica nos livros didáticos. Dessa forma, a
própria academia assumiu uma
condenação irrestrita e perene contra todo e qualquer livro didático - creio
que é preciso arejar esse campo, com
mais investigações a respeito das necessidades do ensino-aprendizagem junto
às escolas brasileiras. Esperemos
que este GIRALEITURA sirva como alavanca para isto!
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Wladimir, wmesko@gmail.com , 9/6/2008
Só para retomar algumas questões que surgiram no debate:O Estado deve produzir obras didáticas ou isso é competência do livre
mercado?
O MEC atualmente avalia os livros. Deve também avaliar os professores?
Por que os professores demonstram dificuldade em didatizar seus objetos de
ensino? É efeito do LD ("capataz" do
"professor-peão") ou o LD vem para amenizar este problema (que seria de
formação)?
Quem é (deve(ria) ser) o interlocutor do LD?
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Sandra Nogueira Viana, viana.s.n@gmail.com , 10/6/2008
CONTRATAR "PROFESSORES DE ALTÍSSIMO NÍVEL E GRANDES REDATORES PARA MONTAR
UMA COLEÇÃO
DIDÁTICA"?
Por que os professores que utilizam o livro didático nunca participam de sua
elaboração?
Por que as propostas chegam todas prontas às salas de aula?
Por que os professores são tratados como "executores" de projetos alheios?
Espero que, um dia, os professores sejam qualificados em seu fazer e tenham
(e conquistem) espaços para que
participem da elaboração de livros didáticos, projetos educacionais,
propostas curriculares, entre outros.
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Fátima, paul.fatima@onda.com.br , 12/6/2008
Caros Clécio, Luiz Carlos,Ezequiel e demais participantes.
Acredito que esta esteja sendo uma conversa realmente produtiva em relação
ao que conhecemos sobre o livro
didático e, sobretudo, em relação à reflexão que devemos fazer, aos estudos
e pesquisas que ainda são
necessários, como o Clécio tem reafirmado. Minha posição, nesta conversa, é
a de defender dois pontos que julgo
fundamentais: Primeiro, coloco-me não contra o livro didático, genericamente,
mas a favor de um livro didático que
defina a interlocução: se for um livro para o aluno, que seja escrito para
ele e que traga, então, a orientação ao
professor sobre o ir além e não para traduzir para o aluno o que deveria ter
sido dito a ele. Resumindo, que o livro
preserve o lugar do professor. Se for um livro de interlocução com o
professor, que não seja colocado nas mãos do
aluno. O segundo ponto que defendo é a aproximação da Licenciatura com a
Educação Básica, no sentido de
valorizar as disciplinas pedagógicas e de incluir, na formação inicial,
temas como a didatização dos conteúdos, o
uso do livro didático,a produção de materiais didáticos, entre outros.
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Arlete Oliveira, profarleteoliveira@hotmail.com , 22/6/2008
Que coisa mais saudável essa discussão sobre o livro didático! Permitam-me
dizer que refletir sobre isso é fundamental,
porque no final das contas temos consciência de que há uma indústria desse
produto engordando o bolso de
alguns. Mas não podemos prescindir dele como alguns afirmaram, haja vista
ser, às vezes, o único recurso de quem
não tem acesso a outro material. Acredito que precisamos mesmo, nós -
professores - é produzir material que
atenda aos nossos anseios, discuta os problemas de nossa cidade, estado e
país... Enfim, material em que
possamos "meter o bedelho"! Por que não ?
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Luciene Cheganças Casado, casado11@itelefonica.com.br , 23/6/2008
Concordo com a resposta da professora Arlete, pois o que aprendemos em nosso
magistério, era manufaturar
recursos para não cairmos na mesmice dos LD, ou ainda enriquecer os
conteúdos propostos; concordo também com
o que disse outro colega, que os professores poderiam participar da
elaboração do LD, de acordo com cada região e
cotidiano do aluno. Sou estudante de pedagogia e lecionei um tempo na rede
particular, mas tenho filhos
matriculados na rede municipal e ontem mesmo chamei o filho menor para ver
como a mexerica é colhida de sua
árvore, pois ele adora a fruta, mas não imaginava que vinha daquele jeito
para a cesta de frutas de nossa casa.
No tempo em que fiz o antigo primário, além do LD, tínhamos excursões para
chácaras e fazendas, conhecendo a
procedência do fruto e o contato com outros grupos sociais. Sou a favor do
período integral para as crianças,
assim temos mais tempo para desenvolver os conteúdos e aplicá-los de várias
formas.Teremos muitas discussões a
respeito disso, mas dependemos de nossos governantes para termos a palavra
final. Obrigada a todos(as) e se eu
estiver equivocada que me desculpem, estou interagindo agora com pessoas
mais experientes.
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Liz Pinheiro, elizetecoelho@terra.com.br , 1/7/2008
Debatedores. Fico eu aqui pensando...o LD é mesmo uma pedra no caminho. Vejo
a relação que os meus alunos têm
com o referido objeto. Talvez uma relação de amor e ódio. Uns adoram quando
eles chegam e até brigam por eles,
outros deixam pelos cantos da escola, arrancam as capas, reclamam que pesam
na mochila. O problema é que cada
vez mais eles dizem pouco, chego a pensar que o maior problema está no que
eles não dizem...Tenho aprendido muito com a discussão,acredito que se existisse vontade
política de valorização da educação
popular,tanto com LD ou sem ele teríamos um projeto legal e produtivo.Às
vezes sem livro também é difícil, lembro
dos meus alunos de Ensino Médio quando não possuíam livros destinados pelo
MEC, a dificuldade era grande para
todos. Vivíamos presos as máquinas de xérox, pouquíssimas vezes tínhamos
material na escola. E os alunos do
noturno?? Até hoje é um problema. Lembro das minhas colegas professoras de
língua estrangeira, Inglês,
penam...tiram do seu próprio rendimento para sair do quadro/marcador. Vejam
que o debate é longo,mas o importante é não perder de vista as armadilhas
que todo sistema cria.
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Luiz Carlos Cagliari, cagliari@fclar.unesp.br , 2/7/2008
Como podemos ver nestas notas, a questão do livro didático é realmente muito
importante e apresenta muitos
aspectos. Uma vez, pensando nesse assunto e sentindo as dificuldades de
alguns professores que, apesar da boa
vontade, tinham grandes dificuldades para alfabetizar (alguns alunos),
cheguei à conclusão de que seria necessário
fazer um livro didático que servisse ao mesmo tempo ao aluno e ao professor.
Ou seja, além de sugerir atividades
para a aprendizagem do aluno e para o ensino do professor, deveria ter
também informações de formação técnica e
pedagógica para o próprio professor (e indiretamente, para o aluno). Logo
após essa idéia, me lembrei dos manuais
do professor que acompanhavam algumas cartilhas. Como nunca vi nesses
manuais algo que realmente saísse dos
problemas que o método das cartilhas representava, obviamente, a saída não
era reproduzir algo daquele tipo.
Apesar disto, fiquei intrigado com a questão e resolvi escrever um livro
naqueles moldes. O livro tinha um esquema
interessante: na página da esquerda, havia a “instrução” para o professor e
a teoria que ele precisava conhecer,
passo a passo, homeopaticamente. Na página da esquerda, havia os exercícios
dos alunos (desafios e habilidades).
A atividade dos alunos vinha já comentada na parte do professor com uma
sucinta análise sobre alguns problemas
que poderiam acontecer e possíveis soluções. Desse modo, achava que qualquer
um, usando esse tipo de material
poderia alfabetizar qualquer pessoa (ou aluno). O livro nunca foi terminado
completamente mas talvez, hoje, fosse
interessante tentar levar essa idéia adiante... Uma das vantagens desse
material seria que o aluno (quando já
fosse capaz de ler um pouco - ou seus pais, por exemplo) poderia ler a
teoria à esquerda e refletir sobre o que está
fazendo à direita. Haveria, assim, uma espécie de ‘reforço’ sempre presente.
A tentativa enfrentou muitos
problemas, principalmente, como definir passo a passo o que é tratado e, no
meu caso, a grande dificuldade ficou
com a parte do aluno, por falta de prática de ensino de minha parte. Mas,
foi um esforço que muito me ajudou a
entender algumas das dificuldades dos professores e da elaboração de livros
didáticos. Fica aqui a história e a
sugestão.
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Maria de Fátima, paul.fatima@onda.com.br , 11/7/2008
Professor Cagliari; Concordo com você em alguns aspectos:a tentativa de
passar para o professor a teoria da qual
ele precisa. Penso que é importante, embora eu defenda que a essa teoria o
professor deveria ter tido acesso
quando passou pelo processo de graduação e o LD poderia e deveria fornecer
alguns subsídios ou atualizações.
Mas, vamos lá, que, infelizmente, o diálogo entre a Educação Básica e as
licenciaturas ainda não se concretizou. A
questão onde coloco minhas dúvidas e minha discordância é no fato de você
pensar em colocar as informações teóricas junto, no livro do aluno. Primeiro porque enquanto o aluno não lê -
no sentido de compreender aquelas
informações, é um espaço perdido, que poderia ser ocupado em interlocução
com o aluno. Em segundo lugar, se o
aluno lê e compreende, então ele já compreendeu a teoria e não há mais
necessidade de o professor ensiná-la. E,
então,a partir daí, qual seria o papel do professor na sala de aula?
Continuo acreditando que o LD precisa definir a
interlocução. E apresentar separadamente o que deve ser creditado ao
exercício da docência e aquilo que seria
próprio da discência.
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Ruy Pereira, ruyppereira@gmail.com , 11/7/2008
A despeito das discussões político-ideológicas e mercadológicas que foram
debatidas até aqui, percebo que os
focos da discussão devem ser o professor e a universidade. Quem cria a
dependência do professor em relação ao
livro didático é a universidade, que não o habilita a pensar por meios
próprios, não o instrui filosoficamente e,
ironicamente, somente ele pode interromper (ou não) a cadeia de dependência.
Os governos, mais à esquerda ou
mais à direita, as administrações históricas da educação, insistem em
centralização de tudo, quando o pensamento
contemporâneo recomenda o reconhecimento das diferenças... Estava na hora de
o Brasil repensar a sua
regionalização, avançar na idéia da autonomia política regionalizada, para,
então, deixar vir debaixo a sua
identidade nacional. Essa que está aí, imposta, autoritária e
não-representativa, eu não quero, pois é essa que
atravessa o livro didático nacional.
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Bernadette Pontarolli, betsimas@uol.com.br , 11/7/2008
O foco da discussão deve ser, como aponta Ruy Pereira, o professor e a
universidade. Investir em formação e em
formação continuada pode livrar o professor da dependência do livro
didático, ou, pior ainda, da dependência das
apostilas feitas pelos chamados "sistemas de ensino"(?) que, por incrível
que pareça, não contentes em disseminar
esse "malterial" (perdão pela brincadeirinha, mas é irresistível...) nas
escolas particulares, agora atacam as
prefeituras. Por quê? Como?? Quanto à proposta do livro didático único, ele
já existe, de certa forma. A avaliação do
MEC se encarregou de fazer isso.
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Gabriel Araújo dos Santos, bieoprosador@gmail.com , 11/7/2008
Deduzi, pelo texto acima, que o objetivo de determinados grupos é provocar a
divisão, colocando um contra o
outro. Daí, a rebeldia dos dos alunos, produto da semente plantada por tais
grupos, e que são contrários à
avaliação dos professores. Os olhares têm que ser voltados para a base, para
a nascente. Se uma água está suja,
não é no destino que vamos pesquisar, mas examinar a nascente.
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gilda maria lins de araujo, gildalins@ufpe.br , 11/7/2008
É verdade. A proliferação de livros didáticos descomprometidos com uma
educação qualitativa é gritante.
Precisamos alertar a nós mesmos e aos poderes públicos. A maioria dos livros
didáticos são contraditórios na
totalidade de seus textos, exercícios, e funcionamento da gramática. O
autor do texto acima é oportuno quando
sugere a composição de um grupo para repensar a organização, utilização e a
publicação de livros didáticos visando
ao ensino de qualidade e não somente lucros, preocupação da grande maioria
das editoras cuja missão - e nesse
ponto são coerentes - é o lucro em primeiro plano.
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Lezinete Regina Lemes, lezinetelemes@yahoo.com.br , 16/7/2008
Será que os livros didáticos são tão ruins assim? Como ficam as avaliações
realizadas pelos pareceristas do MEC?
Acredito que os livros didáticos estão buscando o melhor caminho para se
didatizar os conteúdos previstos no
currículo escolar. A prova disso são as avaliações realizadas pelos
pareceristas, que, em boa medida, têm sortido
efeito na reelaboração dos conteúdos. Em relação à didatização do conteúdo
gramatical, percebo que este módulo
de ensino para os autores de livros didáticos é ainda sofrível. Tendo em
vista, que todos eles tiveram toda uma
formação centrada no ensino da metalinguagem. Ao propor novos caminhos para
se trabalhar a gramática, eles
ainda, como bem atestam as resenhas do PNLD, do PNLEM, vão mesclar o ensino
da metalinguagem com a prática
da análise lingüística (Geraldi, 1984).
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Cristiane Lima, cristhylima@yahoo.com.br , 30/7/2008
O texto é muito interessante,porém contraditório. Não entendi o senhor João
Virgilio gostaria que o livro didático
acabasse ou apenas mudasse a sua fabricação? o fato é quem são esses
professores de altíssimo nível? Será que
estas pessoas estão trabalhando na sala de aula para entender as necessidade
dos alunos ou o Senhor João Virgilio
esta preocupado com o valor financeiro do livro didático e não a qualidade?
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Mônica, profmonicamendes@ig.com.br , 30/7/2008
De fato a questão do LD é muito complexa, e creio que essas discussões são
muito importantes.
Concordo, com o prof Cagliari, que é preciso ter competência para ensinar
mas, se a formação é falha a incompetência está exatamente nesse ponto, com certeza é preciso rever como
está sendo os encaminhamentos
de formação,no entanto, quando o prof. iniciante começa a lecionar´(não é
ingênuo, já logo percebe que falta-lhe
muito - que não sabe) - talvez responda a questão que a professora Fátima
coloca da importância do LD para o
professor- o que noto e acho muito grave é quando também não se faz nada (ou
muito pouco) para o próprio
professor buscar esse saber. E não adianta ficar com as mesmas desculpas de
que não se tem tempo, dinheiro,
etc... pois ou aprende a ensinar (e é assim que a maioria aprende-na prática-
o LD sua "muleta") ou muda de
profissão; as vezes os cursos de formação continuada, oficinas ajudam
bastante, mas há um período em que
professor iniciante também está aprendendo a ensinar (e ele não só utiliza
como depende do LD) enfim, o fato é que
apesar de uma grande maioria já experiente não ficar mais preso a um único
livro didático, utilizar jornal, revista,
filmes, Internet, etc este material ainda é sua principal fonte de elaboração
de aulas, mas não segue fielmente o
LD. Concordo, com o Prof Clecio que há uma autonomia entre os professores,
pois, apenas utilizam de auxilio e
adaptam conforme a necessidade, a realidade de sua turma. Por outro lado, o
LD ajuda a dinamizar a aula ganhando
mais tempo para reflexão; conforme a colega Liz Pinheiro expõe que o
professor pode ter outro material interessantíssimo mas, sua reprodução é
inviável, assim como passar no
quadro. Em relação ao que o prof Vergilio
comenta: de fato o LD é uma industria lucrativa; no entanto prof. ainda que
contrate os melhores professores da área "de altíssimo nível" para a elaboração do LD sem uma
política adequada
também não haveria resultado - pois,
hoje o professor tem autonomia em sua sala durante o ano letivo, no final do
ano depois de todo um processo
sabendo que falta muitos requisitos para o aluno seguir para a próxima
serie/ano/ciclo ele vai de qualquer forma, ele
é aprovado. No ano seguinte, vem outro professor que não o conhece faz o
diagnostico, começa um trabalho de
aproximação de aprendizagem e rapidamente termina mais um ano e novamente
ele é aprovado sem condições; e
isto professor, não Há Livro Didático que ensine podendo ser o melhor do
mundo - a política é essa. Não que eu
seja a favor da reprovação, mas aprovar simplesmente porque o aluno tem
presença durante o ano letivo não
garante aprendizagem, tampouco, a competência o não do professor ensinar. O
que o Prof. Cagliari aponta em
relação aos professores não conseguirem dar aula sem o livro ou a gramática de
baixo do braço, penso que não é bem
assim, mesmo porque os responsáveis pela elaboração dos LD também continuam
extremamente "gramáticos" isto
na era da ciência Lingüística, o próprio Mec aprova livros que não atendem
ou muito pouco as novas
teorias/pesquisas que por sua vez demoram muito para chegar lá na sala de
aula. O não conseguir dar aula sem o
livro, como já dito, para o novo professor é sim uma correção à sua formação
mas para outros fica por conta das
condições de dinâmica e acesso para a aula; não por dependência pura e única
utilizada para reprodução de conteúdos. Respondendo o que o prof Ezequiel questiona: não o professor
não
pensa que o LD é a única forma de
ensinar, o único material mas como o próprio aluno que não faz nada passa de
ano, ele mesmo não quer ter nenhum
outro trabalho(caderno, pesquisa,etc) e em português imagino que o trabalho
com o texto é fundamental, e
portanto, o LD acaba ajudando ao acesso, a dinâmica e serve de atrativo por
conta da diagramação gráfica dos
livros. Também concordo que há uma necessidade de pesquisas em relação ao
LD,e o questionamento da prof
Fatima provocou-me a reflexão no sentido de o aluno não entender o que esta
no livro, de fato parece até que não
foi escrito pensando no aluno e sua faixa etária. Afinal, quem será os
interlocutores do livro didático? O professor
ou o aluno? Quem elabora pensa em quem? Espero de alguma forma ter
contribuído para esta discussão.
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lucinea, lucinea@uel.br , 31/7/2008
Há alguns anos, em um evento em Marília, o prof. Saviani, segundo me
recordo, afirmou que um livro, se trabalhado
de maneira adequada (levar à compreensão do(s) texto(s) e posicionamento
crítico para assumir-se o que é lido)
pode ser de grande ajuda no trabalho escolar. Então, como já disseram -
escreveram - alguns estudiosos do
assunto, que se posicionaram neste debate, o que conta, ao fim, é como está
formando e continua em formação o
professor. Do contrário, poderemos correr o risco de colocar bom material
"no telhado" e deixar a base corroída).
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Martanézia R. Paganini, martanezia@ig.com.br , 31/7/2008
De fato, a política governamental vem sustentando com o dinheiro público a
indústria gráfica e as Editoras. Venho
pesquisando a utilização do livro didático em sala de aula e depoimentos de
professores apontam uma necessidade
de reformulação dessa política de Livro didático. Tendo em vista que poucos
educadores utilizam a contento tais
obras, pois a grande maioria dos livros não se enquadra na realidade de
nossos educandos e educadores. Todavia,
ainda é um recurso de leitura garantido a grande parte dos alunos de nossas
escolas públicas. Na verdade, falta
investimento na capacitação de professores, para que os próprios possam
elaborar ações curriculares efetivas e
adequadas as situações de uso no cotidiano escolar.
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Helenice Araújo, helenicearujo@uol.com.br , 1/8/2008
Colegas, penso que a questão do livro didático é a questão do professor. Às
editoras (e também a muitos autores),
o que interessa é fazer um livro que seja vendável. Decorre, daí, a
deturpação das teorias. Quem já observou, por
exemplo, o que se está fazendo com a noção de gêneros discursivos? Os
gêneros, nos livros didáticos (e,
conseqüentemente, em muitas salas de aula), viraram conjuntos de regras a
serem depositadas na cabeça do
aluno. Falar de gênero virou mais um modismo, é um critério de avaliação do
livro. Não importa a concepção de
gênero (ou de linguagem) que esteja subjacente às atividades. Desculpem, mas
o que eu vejo é que, enquanto o
professor não se convencer de que precisa estudar muito, para inclusive
saber selecionar os materiais que mais
favoreçam a aprendizagem dos alunos, tudo vai continuar como está. Mesmo que
os alunos (novos professores)
saiam da universidade cheios de boas idéias, como tenho observado, vão aos
poucos sendo contaminados pela
cultura de que quem já se formou não precisa mais estudar, muito arraigada
no ambiente escolar. São poucos os
que se salvam.
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Leonor, leonor@ufrj.br , 1/8/2008
Adorei este debate, com opiniões tão interessantes e gostaria de colaborar,
destacando um ponto importante.
Como profa. de Língua Portuguesa da UFRJ, sempre que posso discuto com meus
alunos a abordagem de
determinados tópicos no LD e os estimulo a elaborarem seu próprio material
didático. Eles sentem muita dificuldade
no início - às vezes até alunos de pós, com experiência no magistério sentem
-, mas não desisto, pq acredito que,
apesar da qualidade questionável do LDs, os professores precisam deles em
muitos momentos e é melhor saber
como usá-los e modificá-los do que, como afirmou alguém acima, adotar uma
apostila "Frankstein", sem referencial
teórico nenhum, com colagens de exercícios. Mas o que, de fato, me preocupa
é que temos poucos espaços como
este, nas universidades, para discutir a qualidade dos materiais didáticos
de língua portuguesa. Nas Faculdades de
Letras, discutir isso parece "coisa sem importância", em meio a tantas
teorias lingüísticas. Então, pesquisamos as
teorias, publicamos livros, vamos a congressos, mas os professores ficam
órfãos, sem saber o que fazer em sala de
aula. Uma colega acima destacou a péssima abordagem dos gêneros nos LDs.
Minha pesquisa, há 2 anos, consiste
em fazer um levantamento da abordagem de teorias de texto e discurso (LT e
AD) nos LDs, e os resultados a que
cheguei são assustadores! Os equívocos são enormes, e precisamos chamar a
atenção de formandos e professores
para isso. Não acredito que apenas chamar "professores de altíssimo nível"
para elaborar material didático resolva o
problema. Na UFRJ, tenho alunos até com dificuldades, mas que se esforçam e
elaboram material de qualidade.
Nosso esforço deve ser, a meu ver, na constante atualização dos
profissionais de ensino para que consigam
elaborar/complementar materiais didáticos. Professores desatualizados não
sabem o que fazer com materiais bons e nem com ruins...
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Adriana Naves, adrianaves2003@yahoo.com.br , 1/8/2008
Olá a todos,
Cheguei a esse debate através da mensagem circulada na CVL e sinto-me feliz
pela oportunidade de participar dele.
Refletir acerca do livro didático sempre me interessou e, na medida do
possível, sempre procurei levar essa reflexão
aos alunos durante o tempo em que trabalhei como professora de prática de
ensino no curso de Letras, tendo como
ponto de partida textos do Professor Ezequiel Theodoro da Silva, da Regina
Zilberman e também os livros produzidos
pela FALE/UFMG. Como professora da Educação Básica, nunca me conformei em
utilizar o livro didático e
particularmente sempre adorei elaborar o próprio material. Entretanto, tenho
plena consciência de que as
dificuldades encontradas em multiplicar esse material ou levá-lo em outros
suportes (retroprojetor, por exemplo)
dificultavam bastante a execução de uma proposta que me parecia animadora.
Uma coisa sempre me intrigou com
relação ao livro didático é o fato de muitos professores terem neles os
únicos materiais de leitura. Trabalhando
especificamente com língua e literatura, considero impossível que o
professor se conforme em ler apenas livros
didáticos. Seria muito bom se todos - professores e alunos - tivessem acesso
a bons livros de referência e fontes
para pesquisa, mas considero uma lástima que muitos professores não se vejam
responsáveis por planejar seu
trabalho e simplesmente se conformarem em seguir aquilo que foi pensado por
alguém que, ainda que bem
intencionado e bom no que faz, esteja muito distante da realidade desse
professor. Eu costumava observar o fluxo
e o uso das bibliotecas escolares. Por incrível que possa parecer, o acervo
dessas bibliotecas continha livros de
referência fantásticos, mas raramente eu via um professor utilizando a
biblioteca. Às vezes o problema era o próprio
acesso ao acervo (a já mencionada biblioteca fechada ou inacessível), mas
isso pode ser minimizado com o
envolvimento do professor nas discussões escolares e também quando ele deixa
claro que tem um planejamento
sério e consistente e precisa utilizar os recursos disponíveis na escola
para realizá-lo. Assim, esbarro no ponto que
já foi tocado por muitos: a má formação do professor, que sai não apenas sem
conhecimentos mínimos em sua
área, mas também sem formação didática para abordar esses conteúdos em sala
de aula e ainda sem formação
política que o torne apto a ser um profissional comprometido com o que faz
na instituição onde atua. Considero que
seria muito bom se cada professor tivesse condições de elaborar o material
que utiliza, e essas condições envolvem
não somente a formação necessária como também tempo e recursos. Se ele não o
elabora, pelo menos deveria ter
condições de avaliá-lo e selecioná-lo - e aqui considero que isso vai muito
além de apenas reclamar desse material.
Voltando aos livros didáticos, a sua inadequação me incomodou principalmente
quando eu ensinava literatura,
especialmente no ensino médio: a aula era só sobre o livro didático, quase
nunca se chegava de fato a ler uma
obra literária. Concordo que a seleção de textos apresentada pelo livro
didático ajuda muito a tornar a aula
possível, mas o manual do professor costuma ser o cúmulo da inadequação:
respostas prontas para análises dos
textos em uma linguagem altamente acadêmica com a qual nenhum aluno do
ensino médio se identifica, ainda que
tenha um bom nível de leitura e escrita. Vi muitas vezes o professor "ditar"
aquelas respostas estapafúrdias e os
pobres alunos, desorientados, apagando as respostas que haviam redigido e
tentando decorar aquelas palavras
alheias ao seu modo de ver o mundo, sem ter a menor idéia do que aquilo
significava. Não há como esperar que se
construa conhecimento dessa forma, ou ainda, que se forme leitores e muito
menos leitores críticos, como tanto se
fala. Bem, pretendi colaborar com essa discussão colocando exemplos de minha
experiência e, através dos mesmos,
busquei destacar a necessidade de ação por parte do professor, ao invés de
simples conformidade. Por favor, sintam-se à vontade para comentar.
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Adriana Naves Silva, adrianaves2003@yahoo.com.br , 1/8/2008
olá (de novo) a todos,
esqueci-me de mencionar um ponto, a saber: enquanto o professor não tem
condições de avaliar / selecionar
materiais ou mesmo de planejar seu trabalho (pode ser que ele tenha
condições de fazê-lo mas se omite), é claro
que muita gente vai aproveitar essa chance para ganhar dinheiro e fazer
politicagem à custa de quem está envolvido na "linha de frente" da educação:
o professor e o aluno.
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Maria Emília Rodrigues, mariaemilia_rodrigues@yahoo.com.br , 1/8/2008
Somente agora, depois de vários comentários (ótimos comentários), entro na
discussão sobre o texto A INDÚSTRIA
DO LIVRO DIDÁTICO de João Vergílio. Um texto que suscita debates e levanta
polêmicas importantes. A cada um
desses comentários feitos, muitas e novas idéias são levantadas. Penso que o
autor tem razão ao colocar que
“Creio que existe uma questão de fundo nessa história toda sobre a qual
valeria a pena refletir...” (assim como
estamos fazendo nessa oportunidade). Realmente, os profissionais da Educação
precisam refletir sobre os caminhos
que estão tomando os livros didáticos, quem são seus autores, as escolhas
governamentais, o trabalho das
editoras, a própria utilização desses materiais na escola, enfim, tudo a
eles referido. Também noto que os
argumentos inseridos pelo autor sobre a questão das editoras didáticas que
“fizeram fortuna (e ainda fazem) [...]”
e a criação desse negócio milionário do livro didático instituído pelo
próprio Governo ao escolher vários tipos de
livros possibilitam o “Lucro certo, com público cativo para as editoras.
Tiragens de centenas de milhares de
exemplares sem nenhum risco. Sai da gráfica para a mão do freguês”. Essa
“moeda de troca” citada como moeda
política também me preocupa, vez que, no momento o país está em pleno
processo de escolha política, com as
eleições municipais de outubro próximo. Fico inquieta nessa discussão, por
considerar que as eleições municipais
serão termômetro para as futuras eleições presidenciais, fazendo com que
muitos in-te-res-ses entrem nesse jogo.
E no que pode resultar tais ocorrências. Outro ponto também que vislumbro é
a questão financeira, de forte
impacto nas decisões dos homens, das empresas e do próprio governo. A
situação de vivermos junto ao “vespeiro
da inflação”, veiculada pelos meios de comunicação, me assusta e me leva a
pensar que empresários do setor
editorial podem buscar formas de proteção para os seus empreendimentos e
negócios, através de trocas e do
atendimento a necessidades subterfugias. Tudo isso é problemático e pouco
discutido nos meios acadêmicos e,
principalmente, escolares. Retomando as idéias do autor do texto em relação –
à montagem de uma coleção didática
para CONCORRER com o material das editoras privada; e a elaboração de uma
coleção de DVDs para acompanhar
esse material didático, com orientações minuciosas, aula a aula, para os
PROFESSORES da rede pública – pondero
que devem merecer maior divulgação, discussão e encaminhamentos, no sentido
de se questionar e pesquisar, se
realmente com essa proposta teremos ganhos econômicos e educacionais.
Compactuo com o questionamento de
uma comentarista que colocou: será que isso resolve a situação? Reflito que a
busca de alternativas pode ser um
caminho. Uma pesquisa séria entre professores sobre o uso dos livros
didáticos também poderá trazer novas
sugestões e o retrato fiel da problemática. Tenho lido que em algumas
universidades já existem pesquisas
acadêmicas sobre o assunto. Talvez precise de mais divulgação desses
conhecimentos e resultados.
Assim, para “analisar e costurar os pontos de vista”, como sugere Professor
Ezequiel, para mim, torna-se
necessário produzir uma leitura crítica do texto, bem como realizar uma
viagem às salas de aulas, aos momentos em
que o uso do livro didático é feito, tanto pelas professoras e professores
como pelos alunos. Nas minhas andanças
em salas de aula, percebo que muitos desses livros distribuídos pelo Governo
são utilizados pelas professoras e
pelos professores como “bíblias” e as atividades pedagógicas sugeridas são
“modelos” prescritos, seguidos sem
restrições. Aproveito também para acrescentar a este comentário sinais de que
professores e professoras estão se
antenando às questões do livro didático. Lembro-me de um trabalho realizado
com professores numa Licenciatura em
Geografia, onde em um dos Seminários Temáticos sobre Leitura e Geografia,
perguntamos aos professores sobre
quais os depoimentos que eles poderiam trazer sobre as leituras realizadas
durante o curso. Vários docentes
disseram que antes da experiência na Faculdade, tinham como materiais de
referências somente os livros didáticos
“ofertados” pelo Governo, e que, após o trabalho de leitura, reflexão e
discussão desenvolvido durante a
Licenciatura, eles já conheciam as verdadeiras fontes de pesquisa, frutos de
suas próprias leituras e de indicações
de seus professores. Tinham também muitas críticas a fazer aos livros
didáticos que chegavam a suas respectivas
escolas. Que muitos eram bons, mas precisavam ser avaliados com mais
critérios. Considero que essas colocações
das professoras e dos professores têm relação com o texto em destaque, e
acredito que todos nós devamos entrar
nesse debate, buscando encontrar alternativas de reflexão e de mobilização,
principalmente dos docentes, que
afinal são os agentes de utilização desses livros.Muito legal este debate!!!
Continuemos e busquemos os encaminhamentos para que as inquietações
apareçam.
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