GIRA LEITURA 002 - TEXTO GERADOR                                         Role para ler os comentários

A INDÚSTRIA DO LIVRO DIDÁTICO
João Vergílio

Creio que existe uma questão de fundo nessa história toda sobre a qual valeria a pena refletir...

Durante muito tempo, a esquerda esteve engajada numa luta contra o que poderíamos chamar de "micropoderes": relações de dominação no interior do casamento, do escritório, da escola, etc.. Há bandeiras interessantíssimas que tiveram sua origem aí.

Mas há também verdadeiros entulhos que se colocam no caminho da esquerda quando esta chega ao poder. As políticas educacionais são um bom exemplo. Sob mil e uma roupagens, a esquerda foi se comprometendo com teses que giram em torno da dissolução das relações de poder no interior do sistema escolar. Havia (e ainda há) uma valorização positiva de qualquer ruptura de vínculos subordinantes: da escola à secretaria da educação, do professor em relação à direção da escola, do aluno em relação ao professor. Havia (e ainda há) uma crítica generalizada à idéia de avaliação de professores e alunos.

As editoras didáticas fizeram fortuna (e ainda fazem) na esteira dessa ideologia "libertária". Ao invés de o Governo oferecer um material unificado nas escolas, criou o negócio milionário do livro didático. Lucro certo, com público cativo para as editoras. Tiragens de centenas de milhares de exemplares sem nenhum risco. Sai da gráfica para a mão do freguês. E vira, é claro, moeda política de troca. Publique tal coisa na sua revista, que nós adotaremos tal livro da sua editora.

É preciso cortar este mal PELA RAIZ.

Por que o Ministério da Educação não contrata professores de altíssimo nível e grandes redatores para montar uma coleção didática para CONCORRER com o material das editoras privadas? Por que não elabora uma coleção de DVDs para acompanhar esse material didático, com orientações minuciosas, aula a aula, para os PROFESSORES da rede pública? Em um ano, com uma boa equipe, esse material estaria na praça. A economia seria enorme. E os ganhos educacionais maiores ainda.

Façam isso, e estarão pondo o dedo bem no meio da ferida e dando duas voltas. Aí vocês veriam o pessoal do lado de lá berrando de verdade. Porque iria doer. No bolso.

PS: Confio no ministro Fernando Haddad. Grande intelectual e grande pessoa. Mas um plano desse tipo dependeria, antes de mais nada, de se conseguir isolar (ou cooptar, mantendo sob estrito controle) a "turminha da Pedagogia". Não sei se ele teria força para tanto.

REDE DE COMENTÁRIOS (n=44)

Clecio Bunzen, cleciobunzen@yahoo.com.br , 9/5/2008
O texto nos aponta uma questão central das políticas públicas de "incentivo" à leitura: os livros didáticos. De fato, há um negócio milionário em relação aos livros didáticos, mas não só das escolas públicas. Desde o século XIX, temos assistido no Brasil a emergência de uma história da literatura didática e as cifras que geram para as editoras. No livro A formação da Leitura no Brasil, Lajolo e Zilberman mostram dados interessantes sobre esse aspecto. Desta forma, não é culpa apenas do Ministro ou governo federal se as editoras estão ganhando muito com a política liberal e iluminista voltada para as compras de livros didáticos. A solução seria, então, adotar um material único e uniforme - de "boa qualidade" - para todo o país. Se sim, acho que poderíamos correr o risco de virar mais um sistema apostilado padronizado, com direito a DVD e tudo! Quem iria escolher o material? Que opções o professor teria? Para finalizar, informo que alguns dados que tenho analisado sobre interação em sala de aula revelam que o professor re-orienta o projeto didático. Então, um livro de ótima qualidade poderia ter utilizações diversas e vice-versa. Será mesmo que é um livro de qualidade e único que resolverá o nosso problema? Talvez, acabe com grandes editoras... mas e os alunos? e os professores? Não há nada de positivo nos livros didáticos que circulam nas escolas? Parecem-me bem melhores que os apostilados das escolas que os filhos da elite estudam...
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Maria Dovaneide de Souza, dovaneide@hotmail.com , 10/5/2008
O texto discorre sobre uma questão “única”, o olhar sobre a visão lucrativa das editoras com relação ao livro didático. Não querendo desmerecer a reflexão do prof. João Vergílio, mas, elevando nossa preocupação com o apóio que esses dão aos professores iniciante. Acredito que, se acontecer essa ruptura do tal vínculo, estaríamos aniquilando ainda mais o conhecimento dos educadores que atuam em sala de aula. Hoje, esses profissionais são mal remunerados e sem condições de comprar livros, os mesmos aproveitam para adquirir alguns, quando são enviados para as escolas com intuito de que façam à escolha. Entende-se que, preocupar com esse negócio milionário criado pelo governo, deve sim, porém, a grande importância se deve também, em dar condições para que os PROFESSORES possam adquirir obras que levem ao seu crescimento profissional.
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Eroiuza M. Feitosa de Assis, ce.house@uol.com , 13/5/2008
Creio que o maior questionamento não é o lucro adquirido pelas editoras com o livro didático, mas sim qualidade e sobretudo a pertinência das informações nele contidas. O livro didático não é no todo descartável, nem tão pouco o único meio de ensino; o professor pode selecionar o que achar relevante para seus alunos. Respeito a opinião do colega João Virgílio, entretanto uma educação de qualidade não está centrada somente nesta questão do livro didático.
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Maria das Dores O. Albuquerque, doresalbuquerque@yahoo.com.br , 23/5/2008
Virgílio, realmente é uma indústria muito lucrativa, mas por enquanto é o único instrumento acessível ao professor para elaborar as suas aulas, uma vez que ele não dispõe de condições para comprar livros atualizados. Nesta briga de querer ser o melhor ou divulgar resultados de pesquisas, o professor sai ganhado pelo recortes dessas teorias em livros didáticos. O ideal está longe de ser alcançado, que é professor ganhar dignamente, ensinar apenas em uma instituição com um número de alunos viável para a realização da aprendizagem. E isto se resolve com infra-estrutura adequada ao ambiente de sua comunidade. Imagine que a maioria das escolas públicas quando tem biblioteca. Esta se resume em uma "sala" medindo mais ou menos três metros quadrados com alguns livros trancados em algumas estantes para que os alunos não os danifiquem.
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Fátima, paul.fatima@onda.com.br , 23/5/2008
Há muito que "sonho" com um debate realmente produtivo sobre livros didáticos. Que o lucro das editora que vendem livros didáticos ao Estado é imenso, não se duvide. Temos vivido algumas experiências interessantes, no Paraná, entre elas o livro didático público, produzido por professores da rede. O projeto é novo, é ousado, mas penso que vale a pena um olhar mais interessado, para que se compreendam as suas potencialidades. Mas, o que
eu gostaria de questionar é o seguinte: 1. Qual o real papel do livro didático nas salas de aula? 2. Quem é o interlocutor do livro didático? 3. Por que se diz que o livro didático é uma necessidade para o professor? 4. Por que o Virgílio sugere "professores de altíssimo nível" para produzirem material didático? 5. Qual o verdadeiro sentido de padronizar o material didático em todo o Brasil? Tem sentido? Favorecerá quem? Já pensei que o site mediado pelo Clécio, sobre os materiais didáticos, seria um bom espaço para esta discussão. Mas penso que aqui, com a ALB e a mediação do prof. Ezequiel, teríamos um bom espaço. Gostaria imensamente que esta discussão pudesse ser produtiva no sentido de aprofundarmos realmente nosso conhecimento sobre este tema tão polêmico, mas tão carente de posições claras, de argumentos fundamentados, que colaborem com os professores que trabalham na educação básica, especialmente a pública.
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Luiz Carlos Cagliari, cagliari@fclar.unesp.br , 23/5/2008
A questão do livro didático é uma questão tão importante, que envolve muitos aspectos, que merece uma discussão detalhada. Todavia, gostaria de fazer apenas uma observação aqui. Quem toma as grandes decisões do Governo a respeito da Educação neste país não são os políticos, propriamente ditos, mas os educadores, nossos representantes nos órgãos do governo. Se a Educação vai mal, há responsáveis em diversos níveis e, quanto mais alto estiverem, o estrago é maior e mais profundo. Enquanto o Brasil não se convencer de que precisa de competência também na Educação, os resultados serão sempre desanimadores, com ou sem estatística. A meu ver, existe uma concepção profundamente errada sobre o que é a Educação e isto é gerado e mantido por educadores que fazem a política educacional do país. Há um grande medo em mudar, em ter um outro "modelo" de Educação. Enquanto isso, as provas e exames continuam intimidando professores, editoras, alunos, com resultados estatísticos estarrecedores, como o fato de os falantes nativos de português (no Brasil) não entenderem o que lêem, o que ouvem e, muito menos o que falam.
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Luiz Carlos Oliveira, flor-do-lacio@uol.com.br , 23/5/2008
Um livro didático de Estado representaria a intervenção e o controle direto, por parte do grupo político – à esquerda ou à direita - que estivesse no poder, dos conteúdos e das diretrizes ideológicas (no sentido marxista mais estrito) do conhecimento produzido. O ensino de História, de Ciências, de todas as disciplinas correria risco ainda maior de estar a serviço de um discurso oficial monológico. Não sei se esse quadro seria muito melhor do que
temos hoje.
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Ana Maria Sá de Carvalho, anassa@oi.com.br , 24/5/2008
Penso que o nosso maior problema educacional refere-se a leitura. Como não aprendemos a ler no sentido pleno da palavra, não aprendemos a ler o mundo, a ser políticos e muito menos a dialogar. Esse seria o grande investimento da Educação, lembro, no entanto, que para isso precisamos de bibliotecas, com acervos condizentes, tanto em qualidade como em quantidade, com o seu público;com bibliotecários competentes;com mediadores e dinamizadores da leitura;e, sobretudo, com professores que gostem de ler e compreendam a leitura numa concepção mais moderna, mais preocupada com o Letramento, com a Estética da Recepção, com o Sociointeracionismo. Essas concepções contribuem para colocar em prática os pilares da Unesco - aprender a aprender, a ser, conviver, a fazer. Reverter, portanto, o investimento em livros didáticos em ações mais consistentes e substanciosas que invistam no homem como um ser complexo, como quer Edgar Morin.
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Emily Custódio, emilycustodio@gmail.com , 24/5/2008
Não sou pedagoga, mas como comunicóloga respeito à opinião do professor doutor João Vergílio. Mas não acredito que a massificação das informações dos materiais didáticos, das escolas públicas brasileiras, resolveria o problema de superfaturamento das grandes editoras. E ludicamente, acredito que as licitações ajudam a garantir a livre concorrência de mercado. Dando a oportunidade do professor escolher o material que mais se encaixa no seu método de ensino. Temos que respeitar a cultura diferenciada de cada região do nosso País. Trabalhar e pensar local para depois entender o global. E para auxiliar no conhecimento a cultura global, aí sim, exigir dos governos mais investimentos em hardwares e softwares. O último, podemos encontrar até “livres”, sem custo algum.
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Fátima, paul.fatima@onda.com.br , 24/5/2008
"Há um grande medo em mudar, em ter um outro "modelo" de Educação." Caro professor Luiz Carlos: será que é medo mesmo? Não poderia ser apenas uma estratégia daqueles educadores aos quais você se refere, para manter as coisas como estão? Ou então, quem sente medo? O medo de mudar, encontro, e muito, entre professores que estão em sala de aula. Medo de não saber, uma vez que sua formação inicial é tão precária ou tão defasada diante do que encontram nas salas de aula; medo de não dar conta de superar a hegemonia de livros que estão, há tanto, tanto tempo, ditando o currículo, ditando as regras, ditando as provas, ditando os encaminhamentos. Aliás, persisto no questionamento: quem é o interlocutor do livro didático? É o aluno? É o professor?
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Luiz Carlos Cagliari, cagliari@fclar.unesp.br , 25/5/2008
Na minha opinião, Fátima, o que existe, além de um grande despreparo das pessoas que gerenciam a Educação no Brasil (em geral, não têm outra experiência além da vivida em "casa"), há a ingenuidade, oriunda de boa vontade, de que Educação é algo "divino" ou parecido com isso. Na minha experiência, acho que questões ideológicas mais sérias, passam longe da vontade de nossos educadores. Por outro lado, o medo do professor se constata e é fruto claro de sua má formação. Assim, não há livro didático que resolva, por melhor que seja. Eu poderia pegar a velha Antologia Nacional e dar uma aula sobre qualquer assunto de linguagem e de Língua Portuguesa. Mas, será que nossos professores, conseguem dar uma aula de Português, sem a gramática debaixo do braço? O mundo atual
precisa de ciência, de tecnologia e de competência para fazer bem feito o que é preciso fazer. Vejo que as pessoas discutem o fato de nossos alunos não saberem ler... Será que não entendem novela? não conseguem conversar (discutir)... então, o que é não saber ler? É fácil colocar o rótulo, dar uma nota para uma pergunta sem sentido. Mais difícil é entender como a linguagem funciona e como é ensina (!??)
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Fátima, paul.fatima@onda.com.br , 26/5/2008
Professor Luiz Carlos e todos os que estão acompanhando esta conversa: Muito bom, mesmo, ler tua mensagem e sentir-me acompanhada. Sabe, professor, quando as circunstâncias me levaram, atualmente, a trabalhar justamente na gestão da educação, ou seja, na Secretaria de Educação, preocupa-me justamente o que fazer, quando se tem claro o que falas no início da tua mensagem: despreparo, ingenuidade - ou mesmo ideologias mais sérias por parte dos gestores; medo e má formação de professores. Enfim, colocando o foco no objeto de nossa discussão: o que fazer em relação ao livro didático? Qual a discussão apropriada? Acreditas na possibilidade de, em relação às escolas públicas, as secretarias investirem em formação continuada, a ponto de nos aproximarmos daquela situação que tão bem mencionas, de ter em mãos uma velha antologia e dar conta do recado de boas e produtivas aulas de Língua Portuguesa? Outra coisa: quando faço os questionamentos sobre o livro didático, aqueles que elenquei na primeira mensagem, é porque gostaria mesmo de discuti-los, de pensar o que é realmente a presença do LD na escola, para poder, inclusive, pensar em como levar esta discussão para os professores, no intuito, de vê-los - e contribuir para que eles se vejam - como sujeitos de sua prática docente e não como meros retransmissores ou, numa expressão talvez mais dura, de meros peões do livro didático. Justamente para se poder chegar àquela situação que apontas no final de teu comentário, que é a de termos professores que compreendam a natureza e o funcionamento da linguagem e que saibam como ensinar. Um grande abraço!
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UILMA, uilma_rs@hotmail.com , 29/5/2008
Que coincidência, justamente meu seminário passado foi sobre o livro didático. Bom, o livro é de muita valia para o professor em sala, mas não deve ser o único material didático, até porque na maioria das vezes ele não condiz com a realidade dos alunos. Desta forma cabe ao professor inovar com outros recursos, como apostilas e módulos por exemplo.
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Clecio Bunzen, clecio.bunzen@gmail.com , 2/6/2008
Cara Fátima e professor Cagliari, Estou achando excelente nossa discussão aqui sobre LD. Por isso, vou comentar dois fatores levantados aqui. O primeiro refere-se a quem se dirige o LD e o segundo a relação entre os docentes e o uso do LD. Sabe-se que os livros didáticos no Brasil até o século XIX eram raros e caros (ver pesquisas de Bittencourt e Lajolo & Zilberman). Desta forma, os livros ficavam nas mãos dos professores para seu uso. Que professores tínhamos? Nos séculos XVIII e XIX, grande parte dos docentes eram leigos e "seguiam" os livros que eram impostos e controlados pelo Império. Após uma maior distribuição e acesso ao livro no século XX, teremos um conjunto tão amplo de práticas de leitura e de apropriação desses impressos escolares que fica difícil classificar o professor, os cursos de formação e as secretarias por algo que ocorra nas salas de aula. Ou seja, não concordo que o LD seja um "capataz" ou que o professor seja um "peão" que é adotado pelo livro para guiar sua aula. Sempre lembro que a aula não é o professor e o livro: temos outros sujeitos que interagem neste processo (os alunos). Há diversas vozes sociais em conflitos no espaço educativo!! Os professores que conheço e trabalho hoje já não seguem mais (se é que um dia seguiram) a gramática ou ou livro didático. Chego então no meu segundo ponto: o currículo do cotidiano. Acho que precisamos fazer mais pesquisas para conhecer o que de fato acontece nos processos de apropriação e uso dos materiais didáticos em sala de aula. Na minha pesquisa de doutorado, fiquei surpreso ao perceber como os professores re-alinham o que está no livro didático e se apropriam de diversas maneiras. Não sei se a discussão é o que fazer com o livro didático, pois há séculos ele está presente nas culturas escritas que apostaram em um sistema de escolarização formal. Acho que a questão mais central poderia ser: como nos apropriamos e recebemos os discursos que são veiculados pelos LD? Acredito como o Certeau, Chartier e Bakhtin que o sujeito-professor é capaz de dar réplicas ao livro didático das mais diversas formas. Resta-nos conhecer mais esse processo para depois pensarmos em políticas públicas que enfocam um professor homogêneo e nossos discursos acadêmicos que afirmam que o professor faz isso ou aquilo. De que professor estamos falando: aquele lá de Olinda que está com o São João nas ruas? aquele lá de Rio Grande no RS? Aquele da grande São Paulo? O de Belém? O do Rio de Janeiro? Tenho chegado a conclusão que a generalização pode atrapalhar nossas
discussões sobre LD, pois corremos o risco de não compreender o currículo do/no cotidiano.
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Luiz Carlos Cagliari, cagliari@fclar.unesp.br , 2/6/2008
Continuando um pouco a discussão sobre LD. Livro didático é uma ferramenta, às vezes, um tanto perigosa, porque pode além de induzir ideologias, antigas ou novas, determina um conteúdo e, de certo modo, obriga um método. Apesar disto, a escola, desde o século XVI passou a ter LD. Veja, por exemplo, as primeiras gramáticas da Língua Portuguesa (Fernão de Oliveira, 1536; João de Barros, 1540) e as "cartinhas" de alfabetização do final do século XV e começo do XVI. Temos uma longa história de LD na escola! Por outro lado, além dos LD específicos, qualquer livro usado na escola torna-se um LD para fins específicos, mesmo em se tratando da escolha de uma obra literária (por que essa e não outra? O que está por trás dessa escolha?). Isso me leva a concluir, de certa forma, que a escola não pode ficar sem LD de algum tipo. Quando falta um LD, o que o substitui é um apontamento pessoal do professor, nem sempre muito bom ou uma apostila, que é um LD disfarçado. Então, qual é o problema? Do meu ponto de vista, o problema está na formação do professor – e volto a insistir nisso. E o problema da formação do professor está onde? Em primeiro lugar, está nas escolas de formação: o que se ensina? com que competência são ensinados os conteúdos indispensáveis? Quais são os conteúdos indispensáveis? etc... Fora os problemas de infra-estrutura de nossas escolas, o resto se reduz à ação educativa de ensino e de aprendizagem, o que também não se reduz ao LD nem a aulas. Não é a diversidade de LD que torna a educação ruim, mas quem os usa. Lamento o fato de o MEC ter interferido e "selecionado" quais livros são melhores do que outros. Melhor seria selecionar quem deve ou não educar. Talvez valesse a pena lembrar um pouco de Lourenço Filho e sua briga contra a incompetência nas escolas... Mas, essa é outra história.
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Fátima, paul.fatima@onda.com.br , 3/6/2008
Clécio, Prof. Cagliari e todos! Fico muito, muito agradecida pela participação de vocês nesta discussão e muito gratificada por estar fazendo parte da conversa! Muito bem, o espaço do qual eu falo é o da educação pública e o que o contato com os professores tem revelado. O grau de dependência do professor em relação ao LD é, ainda, muito grande. a questão é: por quê? Imagino que não se possa generalizar e dizer que é só comodismo e acredito que há que se levar em conta a formação inicial dos professores. Qual licenciatura, e vamos falar de Letras, que é a nossa área, qual delas trabalha com seus alunos a questão do LD? O que me intriga é: por que há o LD? É para didatizar conteúdos? Então, parte-se do princípio que o professor não sabe didatizar esses conteúdos? Por que não sabe? Se o LD tem como interlocutor o aluno, se o livro é para chegar às mãos dos alunos, a minha pergunta é: qual o papel reservado ao professor? Se o professor deve complementar, explicar, traduzir o que está posto no LD, posso deduzir que o livro, para o aluno, é incompleto ou não está bem escrito? Se O LD tem como interlocutor o professor, então não deveria estar nas mãos dos alunos, senão estará roubando do professor o espaço que deveria ser dele, não é? Li um artigo do Prof. Cagliari no livro Alfabetização no Brasil, organizado pelo prof. Ezequiel Theodoro da Silva, onde o Prof. Cagliari faz observações sobre as cartilhas, mas que são aplicáveis aos LD em geral. Uma delas é a que fala sobre as experiências bem sucedidas que se transformam em livro didático, supondo que aquele método, se deu certo para um, deveria dar certo para todos. Outra, é sobre a situação do professor em sala de aula, com os LD: sua condição de agente da educação foi deslocada. Recomendo a leitura deste artigo a todos os que querem compreender mais esta questão que estamos discutindo. As questões permanecem, para mim: há como resolver a questão da interlocução do LD? Não é importante definir esta interlocução? Há como enfrentar estas questões sem envolver as licenciaturas e a formação inicial dos professores?
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EZEQUIEL THEODORO DA SILVA, ezequiel@pescarte.com.br , 5/6/2008
Bom participar de um debate tão acalorado como este, tematizando o livro didático no Brasil. Há que se diferenciar MATERIAIS/TEXTOS DIDÁTICOS dos chamados LIVROS DIDÁTICOS. Os primeiros se referem às múltiplas fontes de que os professores podem lançar mão para levar avante as suas responsabilidades de ensino; os segundos, dentro do contexto brasileiro, se referem a uma indústria lucrativa, que se incrustou nos organismos de decisão sobre os rumos da educação, que possui forte lobby no Congresso Nacional e instalou um modo de funcionamento das escolas no Brasil. Essa indústria se corporifica e ganha mais força ainda com a introdução da PEDAGOGIA TECNICISTA no Brasil (década de 1970), quando os métodos, técnicas, materiais (livros didáticos), laboratórios, etc passam a ser mais importantes do que os sujeitos do processo (professor e alunos). A voz dos livros pre-programados passa a ter mais força do que a voz do professor mesmo porque, no tecnicismo, os "meios" se sobrepõem às finalidades. Importante seria inverter radicalmente esse processo, devolvendo a voz e autoridade aos professores ou aos coletivos de professores de modo que os "materiais didáticos" pudessem vir a beneficiar o ensino, com ou sem livros didáticos. A questão é saber se, na atual conjuntura, a cabeça do professor não foi de tal maneira formatada para achar que sem livros didáticos (os que dispomos no mercada, lógico) não há outra forma de educar/ensinar. Outrossim, me parece fundamental, desvelar a natureza ideológica que rege o circuito do livro didático no nosso país, que vai do modo padronizado de sua produção até o uso que dele se faz em sala de aula.
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Clecio , clecio.bunzen@gmail.com , 8/6/2008
Caro professor Ezequiel, De fato, a definição de livro didático não é fácil e depende dos objetivos de quem mobiliza o conceito. Não vejo problemas, como faz Circe Bittencourt, em chamar de livro didático todo impresso escolar que tem finalidade explícita o ensino-aprendizagem (cartilhas, livros de caligrafia, antologias, seletas, etc.). Tais livros que, a meu ver, sempre foram objetos de consumo e de lucro - especialmente após a criação de editoras nacionais entre o final do século XIX e início do XX - mantêm relações complexas com o Estado e com o cotidiano escolar. Há poucas pesquisas sobre o uso do livro didático (seja no século XIX, XX ou XXI), por isso acho um risco assumirmos ou generalizarmos que todo professor segue a lógica tecnicista ou que se apropriam do livro didático ou de outros
tipos de impressos de forma passiva e autoritária. Acredito que a recepção do discurso de outrem - neste caso da proposta didática autoral - é muito dinâmica e merece da nossa parte mais atenção. Como os professores se apropriam desses discursos e replicam juntamente com seus alunos o livro didático? Por isso, não sei se concordo que a voz do livro didático é a voz do professor. Em um sentido bakhtiniano, a sala de aula seria composta por várias vozes, mas há também réplicas de formas variadas. Será que encontramos um modo padronizado de uso dos livros didáticos em sala de aula? Se sim, teríamos que construir um referencial teórico que explicasse o funcionamento discursivo em sala de aula e das interações cotidianas que mostrasse como tal padronização se revela. Se não, teríamos um grande campo de pesquisa para estudar as apropriações dos professores aos diversos livros didáticos e suas múltiplas relações com as políticas públicas, as editoras, a formação de professores, etc. Em suma: precisamos de mais pesquisas sobre os usos do livro didático e do próprio processo de produção que é muito mais multifacetado e dinâmico do que linear.
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Clecio , clecio.bunzen@gmail.com , 8/6/2008
Uma boa discussão sobre a temática que discutimos aqui, especialmente dos bons questionamentos levantadas pela colega Fátima, pode ser encontrada em:
BATISTA, A. Um objeto variável e instável: textos, impressos e livros didáticos. In: Márcia Abreu (Org.) Leitura, História e História da Leitura. Campinas, SP: Mercado de Letras: Associação de Leitura do Brasil. 1999.
BITTENCOURT, C. Livro didático e conhecimento histórico: uma história do saber escolar. Tese de Doutorado em História. Universidade de São Paulo. 1993.
MUNAKATA, K. Livro didático: produção e leitura. In:Márcia Abreu (Org.) Leitura, História e História da Leitura. Campinas, SP: Mercado de Letras: Associação de Leitura do Brasil. 1999.
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EZEQUIEL THEODORO DA SILVA, emarthi@terra.com.br , 9/6/2008
Ao amigo Clécio convém elucidar que eu não afirmei que a voz do livro didático é a voz do professor ou substituta da voz do professor; afirmei, isto sim, que o uso do livro pode vir a diminuir a autonomia e a autoridade do professor no que diz respeito às decisões e aos rumos do ensino. Nos idos de 1980, dentro do projeto PROMADI (Programa Material Didático, FE-UNICAMP), chegamos a produzir o CATÁLOGO - PESQUISAS SOBRE O LIVRO DIDÁTICO NO BRASIL, com o apoio do INEP. Nessa época, já percebíamos a necessidade de uma conjunto mais amplo de investigações que desse conta da complexidade do tema. Entretanto, parece-me evidente que a esfera da formação de professores vem se deteriorando cada vez mais no Brasil; com isto, cria-se uma dependência muito grande de programas prontos de ensino, que sejam simplesmente replicados nas salas de aula. Esse mesmo fenômeno (do enfraquecimento do repertório de formação básica dos professores) fez com que a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo produzisse um material didático padrão para uso de todos os professores da rede, independente de nível ou região; no meu ponto de vista, um outro erro do sistema, a ser avaliado novamente no futuro.
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clecio, clecio.bunzen@gmail.com , 9/6/2008
Além dos cursos de formação, professor Ezequiel, parece-me também que as pesquisas sobre livro didático sofrem ainda vários preconceitos no meio acadêmico. Por isso, é importante um espaço como este para discutir as múltiplas facetas do LD.
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EZEQUIEL THEODORO DA SILVA, emarthi@terra.com.br , 9/6/2008
Para o surgimento e irradiação desse preconceito, creio que colaborou muito o livro As Belas Mentiras, de Maria de Lourdes Nosella e, um pouco antes, Mentiras que parecem verdades, de Umberto Eco. Essas duas obras revelaram os aspectos de reprodução ideológica nos livros didáticos. Dessa forma, a própria academia assumiu uma condenação irrestrita e perene contra todo e qualquer livro didático - creio que é preciso arejar esse campo, com mais investigações a respeito das necessidades do ensino-aprendizagem junto às escolas brasileiras. Esperemos que este GIRALEITURA sirva como alavanca para isto!
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Wladimir, wmesko@gmail.com , 9/6/2008
Só para retomar algumas questões que surgiram no debate:O Estado deve produzir obras didáticas ou isso é competência do livre mercado? O MEC atualmente avalia os livros. Deve também avaliar os professores? Por que os professores demonstram dificuldade em didatizar seus objetos de ensino? É efeito do LD ("capataz" do "professor-peão") ou o LD vem para amenizar este problema (que seria de formação)? Quem é (deve(ria) ser) o interlocutor do LD?
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Sandra Nogueira Viana, viana.s.n@gmail.com , 10/6/2008
CONTRATAR "PROFESSORES DE ALTÍSSIMO NÍVEL E GRANDES REDATORES PARA MONTAR UMA COLEÇÃO DIDÁTICA"? Por que os professores que utilizam o livro didático nunca participam de sua elaboração? Por que as propostas chegam todas prontas às salas de aula? Por que os professores são tratados como "executores" de projetos alheios? Espero que, um dia, os professores sejam qualificados em seu fazer e tenham (e conquistem) espaços para que participem da elaboração de livros didáticos, projetos educacionais, propostas curriculares, entre outros.
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Fátima, paul.fatima@onda.com.br , 12/6/2008
Caros Clécio, Luiz Carlos,Ezequiel e demais participantes. Acredito que esta esteja sendo uma conversa realmente produtiva em relação ao que conhecemos sobre o livro didático e, sobretudo, em relação à reflexão que devemos fazer, aos estudos e pesquisas que ainda são necessários, como o Clécio tem reafirmado. Minha posição, nesta conversa, é a de defender dois pontos que julgo fundamentais: Primeiro, coloco-me não contra o livro didático, genericamente, mas a favor de um livro didático que defina a interlocução: se for um livro para o aluno, que seja escrito para ele e que traga, então, a orientação ao professor sobre o ir além e não para traduzir para o aluno o que deveria ter sido dito a ele. Resumindo, que o livro preserve o lugar do professor. Se for um livro de interlocução com o professor, que não seja colocado nas mãos do aluno. O segundo ponto que defendo é a aproximação da Licenciatura com a Educação Básica, no sentido de valorizar as disciplinas pedagógicas e de incluir, na formação inicial, temas como a didatização dos conteúdos, o uso do livro didático,a produção de materiais didáticos, entre outros.
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Arlete Oliveira, profarleteoliveira@hotmail.com , 22/6/2008
Que coisa mais saudável essa discussão sobre o livro didático! Permitam-me dizer que refletir sobre isso é fundamental, porque no final das contas temos consciência de que há uma indústria desse produto engordando o bolso de alguns. Mas não podemos prescindir dele como alguns afirmaram, haja vista ser, às vezes, o único recurso de quem não tem acesso a outro material. Acredito que precisamos mesmo, nós - professores - é produzir material que atenda aos nossos anseios, discuta os problemas de nossa cidade, estado e país... Enfim, material em que possamos "meter o bedelho"! Por que não ?
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Luciene Cheganças Casado, casado11@itelefonica.com.br , 23/6/2008
Concordo com a resposta da professora Arlete, pois o que aprendemos em nosso magistério, era manufaturar recursos para não cairmos na mesmice dos LD, ou ainda enriquecer os conteúdos propostos; concordo também com o que disse outro colega, que os professores poderiam participar da elaboração do LD, de acordo com cada região e cotidiano do aluno. Sou estudante de pedagogia e lecionei um tempo na rede particular, mas tenho filhos matriculados na rede municipal e ontem mesmo chamei o filho menor para ver como a mexerica é colhida de sua árvore, pois ele adora a fruta, mas não imaginava que vinha daquele jeito para a cesta de frutas de nossa casa. No tempo em que fiz o antigo primário, além do LD, tínhamos excursões para chácaras e fazendas, conhecendo a procedência do fruto e o contato com outros grupos sociais. Sou a favor do período integral para as crianças, assim temos mais tempo para desenvolver os conteúdos e aplicá-los de várias formas.Teremos muitas discussões a respeito disso, mas dependemos de nossos governantes para termos a palavra final. Obrigada a todos(as) e se eu estiver equivocada que me desculpem, estou interagindo agora com pessoas mais experientes.
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Liz Pinheiro, elizetecoelho@terra.com.br , 1/7/2008
Debatedores. Fico eu aqui pensando...o LD é mesmo uma pedra no caminho. Vejo a relação que os meus alunos têm com o referido objeto. Talvez uma relação de amor e ódio. Uns adoram quando eles chegam e até brigam por eles, outros deixam pelos cantos da escola, arrancam as capas, reclamam que pesam na mochila. O problema é que cada vez mais eles dizem pouco, chego a pensar que o maior problema está no que eles não dizem...Tenho aprendido muito com a discussão,acredito que se existisse vontade política de valorização da educação popular,tanto com LD ou sem ele teríamos um projeto legal e produtivo.Às vezes sem livro também é difícil, lembro dos meus alunos de Ensino Médio quando não possuíam livros destinados pelo MEC, a dificuldade era grande para todos. Vivíamos presos as máquinas de xérox, pouquíssimas vezes tínhamos material na escola. E os alunos do noturno?? Até hoje é um problema. Lembro das minhas colegas professoras de língua estrangeira, Inglês, penam...tiram do seu próprio rendimento para sair do quadro/marcador. Vejam que o debate é longo,mas o importante é não perder de vista as armadilhas que todo sistema cria.
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Luiz Carlos Cagliari, cagliari@fclar.unesp.br , 2/7/2008
Como podemos ver nestas notas, a questão do livro didático é realmente muito importante e apresenta muitos aspectos. Uma vez, pensando nesse assunto e sentindo as dificuldades de alguns professores que, apesar da boa vontade, tinham grandes dificuldades para alfabetizar (alguns alunos), cheguei à conclusão de que seria necessário fazer um livro didático que servisse ao mesmo tempo ao aluno e ao professor. Ou seja, além de sugerir atividades para a aprendizagem do aluno e para o ensino do professor, deveria ter também informações de formação técnica e pedagógica para o próprio professor (e indiretamente, para o aluno). Logo após essa idéia, me lembrei dos manuais do professor que acompanhavam algumas cartilhas. Como nunca vi nesses manuais algo que realmente saísse dos problemas que o método das cartilhas representava, obviamente, a saída não era reproduzir algo daquele tipo. Apesar disto, fiquei intrigado com a questão e resolvi escrever um livro naqueles moldes. O livro tinha um esquema interessante: na página da esquerda, havia a “instrução” para o professor e a teoria que ele precisava conhecer, passo a passo, homeopaticamente. Na página da esquerda, havia os exercícios dos alunos (desafios e habilidades). A atividade dos alunos vinha já comentada na parte do professor com uma sucinta análise sobre alguns problemas que poderiam acontecer e possíveis soluções. Desse modo, achava que qualquer um, usando esse tipo de material poderia alfabetizar qualquer pessoa (ou aluno). O livro nunca foi terminado completamente mas talvez, hoje, fosse interessante tentar levar essa idéia adiante... Uma das vantagens desse material seria que o aluno (quando já fosse capaz de ler um pouco - ou seus pais, por exemplo) poderia ler a teoria à esquerda e refletir sobre o que está fazendo à direita. Haveria, assim, uma espécie de ‘reforço’ sempre presente. A tentativa enfrentou muitos problemas, principalmente, como definir passo a passo o que é tratado e, no meu caso, a grande dificuldade ficou com a parte do aluno, por falta de prática de ensino de minha parte. Mas, foi um esforço que muito me ajudou a entender algumas das dificuldades dos professores e da elaboração de livros didáticos. Fica aqui a história e a sugestão.
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Maria de Fátima, paul.fatima@onda.com.br , 11/7/2008
Professor Cagliari; Concordo com você em alguns aspectos:a tentativa de passar para o professor a teoria da qual ele precisa. Penso que é importante, embora eu defenda que a essa teoria o professor deveria ter tido acesso quando passou pelo processo de graduação e o LD poderia e deveria fornecer alguns subsídios ou atualizações. Mas, vamos lá, que, infelizmente, o diálogo entre a Educação Básica e as licenciaturas ainda não se concretizou. A questão onde coloco minhas dúvidas e minha discordância é no fato de você pensar em colocar as informações teóricas junto, no livro do aluno. Primeiro porque enquanto o aluno não lê - no sentido de compreender aquelas informações, é um espaço perdido, que poderia ser ocupado em interlocução com o aluno. Em segundo lugar, se o aluno lê e compreende, então ele já compreendeu a teoria e não há mais necessidade de o professor ensiná-la. E, então,a partir daí, qual seria o papel do professor na sala de aula? Continuo acreditando que o LD precisa definir a interlocução. E apresentar separadamente o que deve ser creditado ao exercício da docência e aquilo que seria próprio da discência.
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Ruy Pereira, ruyppereira@gmail.com , 11/7/2008
A despeito das discussões político-ideológicas e mercadológicas que foram debatidas até aqui, percebo que os focos da discussão devem ser o professor e a universidade. Quem cria a dependência do professor em relação ao livro didático é a universidade, que não o habilita a pensar por meios próprios, não o instrui filosoficamente e, ironicamente, somente ele pode interromper (ou não) a cadeia de dependência. Os governos, mais à esquerda ou mais à direita, as administrações históricas da educação, insistem em centralização de tudo, quando o pensamento contemporâneo recomenda o reconhecimento das diferenças... Estava na hora de o Brasil repensar a sua regionalização, avançar na idéia da autonomia política regionalizada, para, então, deixar vir debaixo a sua identidade nacional. Essa que está aí, imposta, autoritária e não-representativa, eu não quero, pois é essa que atravessa o livro didático nacional.
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Bernadette Pontarolli, betsimas@uol.com.br , 11/7/2008
O foco da discussão deve ser, como aponta Ruy Pereira, o professor e a universidade. Investir em formação e em formação continuada pode livrar o professor da dependência do livro didático, ou, pior ainda, da dependência das apostilas feitas pelos chamados "sistemas de ensino"(?) que, por incrível que pareça, não contentes em disseminar esse "malterial" (perdão pela brincadeirinha, mas é irresistível...) nas escolas particulares, agora atacam as prefeituras. Por quê? Como?? Quanto à proposta do livro didático único, ele já existe, de certa forma. A avaliação do MEC se encarregou de fazer isso.
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Gabriel Araújo dos Santos, bieoprosador@gmail.com , 11/7/2008
Deduzi, pelo texto acima, que o objetivo de determinados grupos é provocar a divisão, colocando um contra o outro. Daí, a rebeldia dos dos alunos, produto da semente plantada por tais grupos, e que são contrários à avaliação dos professores. Os olhares têm que ser voltados para a base, para a nascente. Se uma água está suja, não é no destino que vamos pesquisar, mas examinar a nascente.
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gilda maria lins de araujo, gildalins@ufpe.br , 11/7/2008
É verdade. A proliferação de livros didáticos descomprometidos com uma educação qualitativa é gritante. Precisamos alertar a nós mesmos e aos poderes públicos. A maioria dos livros didáticos são contraditórios na totalidade de seus textos, exercícios, e funcionamento da gramática. O autor do texto acima é oportuno quando sugere a composição de um grupo para repensar a organização, utilização e a publicação de livros didáticos visando ao ensino de qualidade e não somente lucros, preocupação da grande maioria das editoras cuja missão - e nesse ponto são coerentes - é o lucro em primeiro plano.
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Lezinete Regina Lemes, lezinetelemes@yahoo.com.br , 16/7/2008
Será que os livros didáticos são tão ruins assim? Como ficam as avaliações realizadas pelos pareceristas do MEC? Acredito que os livros didáticos estão buscando o melhor caminho para se didatizar os conteúdos previstos no currículo escolar. A prova disso são as avaliações realizadas pelos pareceristas, que, em boa medida, têm sortido efeito na reelaboração dos conteúdos. Em relação à didatização do conteúdo gramatical, percebo que este módulo de ensino para os autores de livros didáticos é ainda sofrível. Tendo em vista, que todos eles tiveram toda uma formação centrada no ensino da metalinguagem. Ao propor novos caminhos para se trabalhar a gramática, eles ainda, como bem atestam as resenhas do PNLD, do PNLEM, vão mesclar o ensino da metalinguagem com a prática da análise lingüística (Geraldi, 1984).
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Cristiane Lima, cristhylima@yahoo.com.br , 30/7/2008
O texto é muito interessante,porém contraditório. Não entendi o senhor João Virgilio gostaria que o livro didático acabasse ou apenas mudasse a sua fabricação? o fato é quem são esses professores de altíssimo nível? Será que estas pessoas estão trabalhando na sala de aula para entender as necessidade dos alunos ou o Senhor João Virgilio esta preocupado com o valor financeiro do livro didático e não a qualidade?
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Mônica, profmonicamendes@ig.com.br , 30/7/2008
De fato a questão do LD é muito complexa, e creio que essas discussões são muito importantes. Concordo, com o prof Cagliari, que é preciso ter competência para ensinar mas, se a formação é falha a incompetência está exatamente nesse ponto, com certeza é preciso rever como está sendo os encaminhamentos de formação,no entanto, quando o prof. iniciante começa a lecionar´(não é ingênuo, já logo percebe que falta-lhe muito - que não sabe) - talvez responda a questão que a professora Fátima coloca da importância do LD para o professor- o que noto e acho muito grave é quando também não se faz nada (ou muito pouco) para o próprio professor buscar esse saber. E não adianta ficar com as mesmas desculpas de que não se tem tempo, dinheiro, etc... pois ou aprende a ensinar (e é assim que a maioria aprende-na prática- o LD sua "muleta") ou muda de profissão; as vezes os cursos de formação continuada, oficinas ajudam bastante, mas há um período em que professor iniciante também está aprendendo a ensinar (e ele não só utiliza como depende do LD) enfim, o fato é que apesar de uma grande maioria já experiente não ficar mais preso a um único livro didático, utilizar jornal, revista, filmes, Internet, etc este material ainda é sua principal fonte de elaboração de aulas, mas não segue fielmente o LD. Concordo, com o Prof Clecio que há uma autonomia entre os professores, pois, apenas utilizam de auxilio e adaptam conforme a necessidade, a realidade de sua turma. Por outro lado, o LD ajuda a dinamizar a aula ganhando mais tempo para reflexão; conforme a colega Liz Pinheiro expõe que o professor pode ter outro material interessantíssimo mas, sua reprodução é inviável, assim como passar no quadro. Em relação ao que o prof Vergilio comenta: de fato o LD é uma industria lucrativa; no entanto prof. ainda que contrate os melhores professores da área "de altíssimo nível" para a elaboração do LD sem uma política adequada também não haveria resultado - pois, hoje o professor tem autonomia em sua sala durante o ano letivo, no final do ano depois de todo um processo sabendo que falta muitos requisitos para o aluno seguir para a próxima serie/ano/ciclo ele vai de qualquer forma, ele é aprovado. No ano seguinte, vem outro professor que não o conhece faz o diagnostico, começa um trabalho de aproximação de aprendizagem e rapidamente termina mais um ano e novamente ele é aprovado sem condições; e isto professor, não Há Livro Didático que ensine podendo ser o melhor do mundo - a política é essa. Não que eu seja a favor da reprovação, mas aprovar simplesmente porque o aluno tem presença durante o ano letivo não garante aprendizagem, tampouco, a competência o não do professor ensinar. O que o Prof. Cagliari aponta em relação aos professores não conseguirem dar aula sem o livro ou a gramática de baixo do braço, penso que não é bem assim, mesmo porque os responsáveis pela elaboração dos LD também continuam extremamente "gramáticos" isto na era da ciência Lingüística, o próprio Mec aprova livros que não atendem ou muito pouco as novas teorias/pesquisas que por sua vez demoram muito para chegar lá na sala de aula. O não conseguir dar aula sem o livro, como já dito, para o novo professor é sim uma correção à sua formação mas para outros fica por conta das condições de dinâmica e acesso para a aula; não por dependência pura e única utilizada para reprodução de conteúdos. Respondendo o que o prof Ezequiel questiona: não o professor não pensa que o LD é a única forma de ensinar, o único material mas como o próprio aluno que não faz nada passa de ano, ele mesmo não quer ter nenhum outro trabalho(caderno, pesquisa,etc) e em português imagino que o trabalho com o texto é fundamental, e portanto, o LD acaba ajudando ao acesso, a dinâmica e serve de atrativo por conta da diagramação gráfica dos livros. Também concordo que há uma necessidade de pesquisas em relação ao LD,e o questionamento da prof Fatima provocou-me a reflexão no sentido de o aluno não entender o que esta no livro, de fato parece até que não foi escrito pensando no aluno e sua faixa etária. Afinal, quem será os interlocutores do livro didático? O professor ou o aluno? Quem elabora pensa em quem? Espero de alguma forma ter contribuído para esta discussão.
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lucinea, lucinea@uel.br , 31/7/2008
Há alguns anos, em um evento em Marília, o prof. Saviani, segundo me recordo, afirmou que um livro, se trabalhado de maneira adequada (levar à compreensão do(s) texto(s) e posicionamento crítico para assumir-se o que é lido) pode ser de grande ajuda no trabalho escolar. Então, como já disseram - escreveram - alguns estudiosos do assunto, que se posicionaram neste debate, o que conta, ao fim, é como está formando e continua em formação o professor. Do contrário, poderemos correr o risco de colocar bom material "no telhado" e deixar a base corroída).
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Martanézia R. Paganini, martanezia@ig.com.br , 31/7/2008
De fato, a política governamental vem sustentando com o dinheiro público a indústria gráfica e as Editoras. Venho pesquisando a utilização do livro didático em sala de aula e depoimentos de professores apontam uma necessidade de reformulação dessa política de Livro didático. Tendo em vista que poucos educadores utilizam a contento tais obras, pois a grande maioria dos livros não se enquadra na realidade de nossos educandos e educadores. Todavia, ainda é um recurso de leitura garantido a grande parte dos alunos de nossas escolas públicas. Na verdade, falta investimento na capacitação de professores, para que os próprios possam elaborar ações curriculares efetivas e adequadas as situações de uso no cotidiano escolar.
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Helenice Araújo, helenicearujo@uol.com.br , 1/8/2008
Colegas, penso que a questão do livro didático é a questão do professor. Às editoras (e também a muitos autores), o que interessa é fazer um livro que seja vendável. Decorre, daí, a deturpação das teorias. Quem já observou, por exemplo, o que se está fazendo com a noção de gêneros discursivos? Os gêneros, nos livros didáticos (e, conseqüentemente, em muitas salas de aula), viraram conjuntos de regras a serem depositadas na cabeça do aluno. Falar de gênero virou mais um modismo, é um critério de avaliação do livro. Não importa a concepção de gênero (ou de linguagem) que esteja subjacente às atividades. Desculpem, mas o que eu vejo é que, enquanto o professor não se convencer de que precisa estudar muito, para inclusive saber selecionar os materiais que mais favoreçam a aprendizagem dos alunos, tudo vai continuar como está. Mesmo que os alunos (novos professores) saiam da universidade cheios de boas idéias, como tenho observado, vão aos poucos sendo contaminados pela cultura de que quem já se formou não precisa mais estudar, muito arraigada no ambiente escolar. São poucos os que se salvam.
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Leonor, leonor@ufrj.br , 1/8/2008
Adorei este debate, com opiniões tão interessantes e gostaria de colaborar, destacando um ponto importante. Como profa. de Língua Portuguesa da UFRJ, sempre que posso discuto com meus alunos a abordagem de determinados tópicos no LD e os estimulo a elaborarem seu próprio material didático. Eles sentem muita dificuldade no início - às vezes até alunos de pós, com experiência no magistério sentem -, mas não desisto, pq acredito que, apesar da qualidade questionável do LDs, os professores precisam deles em muitos momentos e é melhor saber como usá-los e modificá-los do que, como afirmou alguém acima, adotar uma apostila "Frankstein", sem referencial teórico nenhum, com colagens de exercícios. Mas o que, de fato, me preocupa é que temos poucos espaços como este, nas universidades, para discutir a qualidade dos materiais didáticos de língua portuguesa. Nas Faculdades de Letras, discutir isso parece "coisa sem importância", em meio a tantas teorias lingüísticas. Então, pesquisamos as teorias, publicamos livros, vamos a congressos, mas os professores ficam órfãos, sem saber o que fazer em sala de aula. Uma colega acima destacou a péssima abordagem dos gêneros nos LDs. Minha pesquisa, há 2 anos, consiste
em fazer um levantamento da abordagem de teorias de texto e discurso (LT e AD) nos LDs, e os resultados a que cheguei são assustadores! Os equívocos são enormes, e precisamos chamar a atenção de formandos e professores para isso. Não acredito que apenas chamar "professores de altíssimo nível" para elaborar material didático resolva o problema. Na UFRJ, tenho alunos até com dificuldades, mas que se esforçam e elaboram material de qualidade. Nosso esforço deve ser, a meu ver, na constante atualização dos profissionais de ensino para que consigam elaborar/complementar materiais didáticos. Professores desatualizados não sabem o que fazer com materiais bons e nem com ruins...
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Adriana Naves, adrianaves2003@yahoo.com.br , 1/8/2008
Olá a todos, Cheguei a esse debate através da mensagem circulada na CVL e sinto-me feliz pela oportunidade de participar dele. Refletir acerca do livro didático sempre me interessou e, na medida do possível, sempre procurei levar essa reflexão aos alunos durante o tempo em que trabalhei como professora de prática de ensino no curso de Letras, tendo como ponto de partida textos do Professor Ezequiel Theodoro da Silva, da Regina Zilberman e também os livros produzidos pela FALE/UFMG. Como professora da Educação Básica, nunca me conformei em utilizar o livro didático e particularmente sempre adorei elaborar o próprio material. Entretanto, tenho plena consciência de que as dificuldades encontradas em multiplicar esse material ou levá-lo em outros suportes (retroprojetor, por exemplo) dificultavam bastante a execução de uma proposta que me parecia animadora. Uma coisa sempre me intrigou com relação ao livro didático é o fato de muitos professores terem neles os únicos materiais de leitura. Trabalhando especificamente com língua e literatura, considero impossível que o professor se conforme em ler apenas livros didáticos. Seria muito bom se todos - professores e alunos - tivessem acesso a bons livros de referência e fontes para pesquisa, mas considero uma lástima que muitos professores não se vejam responsáveis por planejar seu trabalho e simplesmente se conformarem em seguir aquilo que foi pensado por alguém que, ainda que bem intencionado e bom no que faz, esteja muito distante da realidade desse professor. Eu costumava observar o fluxo e o uso das bibliotecas escolares. Por incrível que possa parecer, o acervo dessas bibliotecas continha livros de referência fantásticos, mas raramente eu via um professor utilizando a biblioteca. Às vezes o problema era o próprio acesso ao acervo (a já mencionada biblioteca fechada ou inacessível), mas isso pode ser minimizado com o envolvimento do professor nas discussões escolares e também quando ele deixa claro que tem um planejamento sério e consistente e precisa utilizar os recursos disponíveis na escola para realizá-lo. Assim, esbarro no ponto que já foi tocado por muitos: a má formação do professor, que sai não apenas sem conhecimentos mínimos em sua área, mas também sem formação didática para abordar esses conteúdos em sala de aula e ainda sem formação política que o torne apto a ser um profissional comprometido com o que faz na instituição onde atua. Considero que seria muito bom se cada professor tivesse condições de elaborar o material que utiliza, e essas condições envolvem não somente a formação necessária como também tempo e recursos. Se ele não o elabora, pelo menos deveria ter condições de avaliá-lo e selecioná-lo - e aqui considero que isso vai muito além de apenas reclamar desse material. Voltando aos livros didáticos, a sua inadequação me incomodou principalmente quando eu ensinava literatura, especialmente no ensino médio: a aula era só sobre o livro didático, quase nunca se chegava de fato a ler uma obra literária. Concordo que a seleção de textos apresentada pelo livro didático ajuda muito a tornar a aula possível, mas o manual do professor costuma ser o cúmulo da inadequação: respostas prontas para análises dos textos em uma linguagem altamente acadêmica com a qual nenhum aluno do ensino médio se identifica, ainda que tenha um bom nível de leitura e escrita. Vi muitas vezes o professor "ditar" aquelas respostas estapafúrdias e os pobres alunos, desorientados, apagando as respostas que haviam redigido e tentando decorar aquelas palavras alheias ao seu modo de ver o mundo, sem ter a menor idéia do que aquilo significava. Não há como esperar que se construa conhecimento dessa forma, ou ainda, que se forme leitores e muito menos leitores críticos, como tanto se fala. Bem, pretendi colaborar com essa discussão colocando exemplos de minha experiência e, através dos mesmos, busquei destacar a necessidade de ação por parte do professor, ao invés de simples conformidade. Por favor, sintam-se à vontade para comentar.
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Adriana Naves Silva, adrianaves2003@yahoo.com.br , 1/8/2008
olá (de novo) a todos, esqueci-me de mencionar um ponto, a saber: enquanto o professor não tem condições de avaliar / selecionar materiais ou mesmo de planejar seu trabalho (pode ser que ele tenha condições de fazê-lo mas se omite), é claro que muita gente vai aproveitar essa chance para ganhar dinheiro e fazer politicagem à custa de quem está envolvido na "linha de frente" da educação: o professor e o aluno.
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Maria Emília Rodrigues, mariaemilia_rodrigues@yahoo.com.br , 1/8/2008
Somente agora, depois de vários comentários (ótimos comentários), entro na discussão sobre o texto A INDÚSTRIA DO LIVRO DIDÁTICO de João Vergílio. Um texto que suscita debates e levanta polêmicas importantes. A cada um desses comentários feitos, muitas e novas idéias são levantadas. Penso que o autor tem razão ao colocar que “Creio que existe uma questão de fundo nessa história toda sobre a qual valeria a pena refletir...” (assim como estamos fazendo nessa oportunidade). Realmente, os profissionais da Educação precisam refletir sobre os caminhos que estão tomando os livros didáticos, quem são seus autores, as escolhas governamentais, o trabalho das editoras, a própria utilização desses materiais na escola, enfim, tudo a eles referido. Também noto que os argumentos inseridos pelo autor sobre a questão das editoras didáticas que “fizeram fortuna (e ainda fazem) [...]” e a criação desse negócio milionário do livro didático instituído pelo próprio Governo ao escolher vários tipos de livros possibilitam o “Lucro certo, com público cativo para as editoras. Tiragens de centenas de milhares de exemplares sem nenhum risco. Sai da gráfica para a mão do freguês”. Essa “moeda de troca” citada como moeda política também me preocupa, vez que, no momento o país está em pleno processo de escolha política, com as
eleições municipais de outubro próximo. Fico inquieta nessa discussão, por considerar que as eleições municipais serão termômetro para as futuras eleições presidenciais, fazendo com que muitos in-te-res-ses entrem nesse jogo. E no que pode resultar tais ocorrências. Outro ponto também que vislumbro é a questão financeira, de forte impacto nas decisões dos homens, das empresas e do próprio governo. A situação de vivermos junto ao “vespeiro
da inflação”, veiculada pelos meios de comunicação, me assusta e me leva a pensar que empresários do setor editorial podem buscar formas de proteção para os seus empreendimentos e negócios, através de trocas e do atendimento a necessidades subterfugias. Tudo isso é problemático e pouco discutido nos meios acadêmicos e, principalmente, escolares. Retomando as idéias do autor do texto em relação – à montagem de uma coleção didática para CONCORRER com o material das editoras privada; e a elaboração de uma coleção de DVDs para acompanhar esse material didático, com orientações minuciosas, aula a aula, para os PROFESSORES da rede pública – pondero que devem merecer maior divulgação, discussão e encaminhamentos, no sentido de se questionar e pesquisar, se realmente com essa proposta teremos ganhos econômicos e educacionais. Compactuo com o questionamento de uma comentarista que colocou: será que isso resolve a situação? Reflito que a busca de alternativas pode ser um caminho. Uma pesquisa séria entre professores sobre o uso dos livros didáticos também poderá trazer novas sugestões e o retrato fiel da problemática. Tenho lido que em algumas universidades já existem pesquisas acadêmicas sobre o assunto. Talvez precise de mais divulgação desses conhecimentos e resultados. Assim, para “analisar e costurar os pontos de vista”, como sugere Professor Ezequiel, para mim, torna-se necessário produzir uma leitura crítica do texto, bem como realizar uma viagem às salas de aulas, aos momentos em que o uso do livro didático é feito, tanto pelas professoras e professores como pelos alunos. Nas minhas andanças em salas de aula, percebo que muitos desses livros distribuídos pelo Governo são utilizados pelas professoras e pelos professores como “bíblias” e as atividades pedagógicas sugeridas são “modelos” prescritos, seguidos sem restrições. Aproveito também para acrescentar a este comentário sinais de que professores e professoras estão se antenando às questões do livro didático. Lembro-me de um trabalho realizado com professores numa Licenciatura em Geografia, onde em um dos Seminários Temáticos sobre Leitura e Geografia, perguntamos aos professores sobre quais os depoimentos que eles poderiam trazer sobre as leituras realizadas durante o curso. Vários docentes disseram que antes da experiência na Faculdade, tinham como materiais de referências somente os livros didáticos
“ofertados” pelo Governo, e que, após o trabalho de leitura, reflexão e discussão desenvolvido durante a Licenciatura, eles já conheciam as verdadeiras fontes de pesquisa, frutos de suas próprias leituras e de indicações de seus professores. Tinham também muitas críticas a fazer aos livros didáticos que chegavam a suas respectivas escolas. Que muitos eram bons, mas precisavam ser avaliados com mais critérios. Considero que essas colocações das professoras e dos professores têm relação com o texto em destaque, e acredito que todos nós devamos entrar nesse debate, buscando encontrar alternativas de reflexão e de mobilização, principalmente dos docentes, que afinal são os agentes de utilização desses livros.Muito legal este debate!!! Continuemos e busquemos os encaminhamentos para que as inquietações apareçam.

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