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Qual a esfera do ensino de leitura que você julga mais deficiente nas escolas? Ainda que o repertório de leitura dos professores fosse apontado como a área de maior deficiência no ensino da leitura, a tabela mostra que as "faltas" se distribuem mais ou menos regularmente entre esse repertório, as metodologias, o embasamento teórico e o planejamento do currículo de leitura. Tal uniformidade nas respostas parece indicar que tudo contribui um pouco para o fracasso da leitura escolar. Interessante observar que apenas o livro didático, tido como o grande vilão da escola, foi poupado, o que, em sentido contrário ao enunciado da pergunta da enquete, aponta que ele é um aspecto positivo na esfera da promoção da leitura. Os comentários reiteram a falta de condições para que a leitura aconteça no espaço da escola e reforçam a necessidade de professores que sejam efetivamente leitores para formar alunos leitores.


                A ENQUETE

Qual a esfera do ensino de leitura que você julga mais deficiente nas escolas?

planejamento coletivo do currículo de leitura (3º)

   18,54% (114 votos)

metodologias de leitura utilizadas nas aulas  (2º)

   27,97% (172 votos)

embasamento teórico para orientar a leitura (3º)

   18,54% (114 votos)

estrutura dos livros didáticos (4º)

     2,76% (   17 votos)

repertório de leitura dos professores (1º)

   32,20% (198 votos)

N= 615 (1º de março a 07 de maio - 2008)

COMENTÁRIOS

Confidencial - Todos os itens arrolados formam um todo indissociável. Sou pesquisadora e ainda me faltam certezas sobre onde está a grande falta. Os sujeitos estão presentes, os objetos também, mas questão está posta.

Confidencial - É necessário investir na formação de professores, deixando claro que "formar leitores" é mais do que decodificar palavras, formar leitores e formar agentes sociais.

Confidencial - Leitura é sedução. Não se ensina a ter hábito de leitura mas mostra-se o amor pela palavra pelo texto o jeitinho de contar. Como se fosse um dedinho de prosa. Uma prosa bem gostosa ! É o ler contando, olhando nos olhos de quem ouve e descobre o mundo.

Beatriz Cardoso - cardosobia@uol.com.br  - Mais que tudo, a falta de critério na proposta de leitura passa a dificultar o entendimento. Se nem os professores sabem ir além da superfície, como ensinar a fazê-lo? Ler não é apenas juntar letras. metodologia e conduta precisam estar de acordo.

Confidencial - Uma questão para se pensar: Como ler em um lugar barulhento, desconfortável e apertado? A escola tem a biblioteca e a sala de aula, mas não tem o silêncio que é fundamental para se lê. Não podemos nos esquecer que em cada sala há no mínimo 30 alunos.

Confidencial - Falta aos alunos mais contatos diretos com as obras ! Obras em armários não resolvem o problema da falta de leitura !

Confidencial - Acredito que todos os itens estejam contidos em falta de embasamento teórico por parte dos professores.

Confidencial - Votei a questão da "metodologia" como deficiência no ensino da leitura, mas o "ensino" da leitura passa também pela "propaganda boca-a-boca", quer dizer, o professor deve trazer sempre consigo um livro e comentá-los com os alunos, é o melhor exemplo.

Vera - Penso que a parte mais deficiente é a própria condição de "não-leitor" do professor. Quando se é leitor, de fato, fica quase que impossível não contagiar com o gosto pela leitura. Contágio! Contaminação! É disto que precisamos. Sou uma entusiasta dos afectos, com Espinosa e Deleuze & Guattari. Se não nos sentirmos familiarizados com o gosto pela leitura, não conseguiremos fazer com que nossos alunos gostem, (minimamente!) de ler.

Renata - A falta de um bibliotecário nas escolas municipais, livros tem bastante mas não tem disponibilidade de pessoa para estar mantendo as bibliotecas funcionando, e muitas delas servem de depósito para guardar carteiras quebradas e varias outras coisas. Na escola em que eu leciono é isso que acontece, quando inicia o ano letivo temos sempre que organizar a mesma e ate o aluno ter acesso já foi um semestre.

Jandy Alves Licarião - Não sou contra o computador, mas é necessário racionalizar o seu uso para os adolescentes em geral e particularmente aos estudantes de todos os níveis; digo isto porque quando estudei no SENAI em Taubaté, tive um professor de português - Professor PORTO - que adotou uma metodologia muito boa para fazer com que os alunos adquirissem o gosto pela leitura e assim se beneficiassem de todas as coisas boas, era ela a seguinte: - todas as sextas - feiras a aula de português era na biblioteca do SENAI , cada aluno escolhia um livro ( qualquer título) e o lia até o final ( em uma ou mais aulas era obrigatória a leitura até o final), emitindo um parecer sobre o conteúdo. Fazia uma relação de palavras desconhecidas, pesquisava sobre elas, discutia no grupo cada estória e o professor comentava cada livro. Esta é um sugestão, mas é preciso levar a sério.

Francisca Sandra Vitor Solon- Estímulos adequados.

Angélica - Estou trabalhando com uma nova turma de professores da região de Bauru, este semestre, e vejo que invariavelmente eles não lêem porque não há que explore com eles o potencial dos textos literários, filosóficos ou retóricos. Estou fazendo este trabalho e observo que os frutos têm sido bons. Será que não seria por aí: a preparação do professor, para ele aprender a explorar melhor os conteúdos e nuances de um texto e saber aplicar isso em sala de aula? Sou totalmente a favor de uma interação entre universidade e escola, e, apesar de fazer o trabalho da andorinha que leva a água no bico para apagar o incêndio na floresta, creio que faço a minha parte.

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ORGANIZAÇÃO DOS DADOS: Ezequiel Theodoro da Silva (07/maio/2008)

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