IV Seminário “Práticas de Leitura, Gênero e Exclusão”
Coordenadoras -Anete Abramowicz (UFSCar), Maria Arisnete Câmara de Morais (UFRN), Maria Rosa R. Martins de Camargo (UNESP-RC) e Maria Teresa Santos Cunha ( UDESC)
SESSÕES DE COMUNICAÇÃO

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SESSÃO I - Coordenação: Geovana Mendonça Lunardi
Dia: 11/07/2007, das 14 às 17 horas
Local: Faculdade de Ciências Médicas – FCM
Sala: 01

1- PRÁTICAS DE LEITURA, JOVENS E EXPERIÊNCIAS DE UMA LEITURA HOMOGÊNEA. Rosana Campos Leite, UFMT/Unirondon e Ana Arlinda de Oliveira, UFMT – Cuiabá.MT
Esta comunicação trata da relação entre leitura e leitores jovens. As questões orientadoras da pesquisa são: Qual é o lugar e o significado das experiências de leitura para cada indivíduo? Quais práticas de leitura caracterizam a juventude? Como é o universo leitor do jovem em relação as práticas de leitura homogêneas da contemporaneidade? Como é o universo leitor em relação as práticas de leituras evidenciadas em outras épocas? Mesmo vivendo hoje um cotidiano que insiste em reafirmar as dificuldades em encontrar o jovem leitor, e principalmente próximo a literatura e aos livros, percebe-se que as experiências de leitura de cada um são significativas. As leituras da juventude carregam, portanto, um referencial essencial para a formação de leitor adulto (Chartier, 2001; Manguel, 1997; Abreu, 2006). Este trabalho buscou verificar práticas de leitura por quais se orientam os jovens no cotidiano. Palavras-chave: práticas de leitura, leitores, experiências de diferenças.

2- DO QUARTO DE DESPEJO ÀS SALAS DE AULA DE EJA: PRÁTICAS DE LEITURA E ESCRITA DE MULHERES. Thais Surian, UNESP – Rio Claro/SP, Vivian Carla Calixto dos Santos, UNESP – Rio Claro/SP.
Esta comunicação apresenta dois estudos realizados que tematizam a leitura e a escrita como práticas culturais: as práticas de leitura observadas em um grupo de mulheres participantes da Educação de Jovens e Adultos - EJA, e a prática da escrita, como apresentada pela autora na obra "Quarto de despejo", escrita na década de 50. Tais práticas, referenciadas na abordagem da história cultural, ancoram-se em estudos que as tomam como ações que são continuamente re-inventadas, no cotidiano de pessoas "comuns" (Certeau, Chartier). Separadas no tempo e no espaço, as praticantes têm em comum a escolaridade incompleta. As aproximações e distanciamentos entre tais práticas nos permitem indagar sobre possíveis sentidos que podem ser criados, para o ler e o escrever, a partir das experiências vivenciadas por essas mulheres. Palavras-chave: Educação de Jovens e Adultos, mulheres, práticas culturais, escrita e leitura.

3 - PRÁTICAS DE LEITURA E EDUCAÇÃO NÃO-FORMAL: DESARMANDO AS ARMADILHAS DA EXCLUSÃO. Jailze de Oliveira Santos. Universidade Federal de Pernambuco-UFPE.
O presente trabalho traz um recorte de uma pesquisa mais ampla, cujo objetivo é compreender as práticas de letramento desenvolvidas em um espaço de educação não-formal, especificamente a Associação de Apoio à Criança e ao Adolescente - AACA. Ao privilegiar as dimensões do letramento como viés para oportunizar uma maior inserção sócio-cultural, pretendemos elucidar quais concepções de leitura subjazem à prática educacional dos formadores da AACA. Utilizou-se como arcabouço teórico os estudos de kleiman (2002), Soares (2004), Terzi (2002), Street (1993), entre outros. O estudo demonstra que estas práticas estão alicerçadas na concepção a leitura que amplia as experiências de letramento dos aprendizes, procurando desarmar as armadilhas da exclusão a que eles estão submetidos. Palavras-chave: práticas de leitura, letramento, educação não-formal, formação do leitor.

4- NAS TRILHAS DA EXCLUSÃO: LEITURA E ESCRITA NAS AULAS DE ALFABETIZAÇÃO. Geovana Mendonça Lunardi, PGE-FAED-UDESC
O fracasso escolar no Ensino Fundamental tem sido reiteradamente estudado e debatido na literatura educacional. Partindo das contribuições dos estudos críticos da sociologia e do currículo, em especial das contribuições de Basil Bernstein, o presente trabalho tem como foco à análise das práticas curriculares de leitura e escrita desenvolvidas nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental e sua relação com as diferenças apresentadas pelos alunos no processo de aprendizagem. A investigação empírica foi realizada em uma escola da rede estadual de Santa Catarina, utilizando-se como instrumento de coleta de dados, a observação. Objetivando compreender os meandros da seleção e a manutenção de determinados conhecimentos, o texto reflete sobre as articulações entre as forma de organização e distribuição do conhecimento no cotidiano da sala de aula e os processos de exclusão escolar a que são submetidos os alunos. Palavras-chave: exclusão escolar – séries iniciais – alfabetização - currículo

5- GÊNERO E EDUCAÇÃO POPULAR: UMA LEITURA DO GT DA ANPED. José Licínio Backes - Universidade Católica Dom Bosco.

O trabalho reflete sobre a necessidade de considerar a perspectiva de gênero como uma categoria fundamental para a educação popular. Tal postura é sustentada, buscando inspiração nos Estudos Culturais, campo teórico segundo o qual nos contextos das relações sociais sempre existem diferentes dimensões (gênero, raça, crença, classe...) que se articulam, produzindo identidades cambiantes, instáveis e nômades. A partir da análise dos trabalhos aprovados para a apresentação entre os anos de 2002 e 2006 no GT de educação popular da ANPED, percebemos que dos sessenta e seis trabalhos, apenas cinco fazem alguma menção a perspectiva de gênero e ainda assim de forma muito marginal. Isto nos leva a concluir que o GT da educação popular ainda não está considerando a categoria de gênero como importante. Palavras-chaves: gênero, identidade, cultura, educação popular.

6- FAZER SENTIDO: A ESCRITA DO GESTO NA CENA. Antonio Luís de Quadros Altieri. GRUPERFE/UNINOVE e GEMDEC/UNICAMP – SP.
Estava César Vieira (brasileiro) e ‘no início era o texto’. Então, caminhei pela ação da leitura de ‘O evangelho segundo Zebedeu’ com passos de interação. Exploração: ‘no início era a estrutura’ (Greimas). Andei com a enunciação (Bakhtin) que brotava pelos procedimentos de ensaio que criaram as cenas. Acompanhei: ‘início, uma concepção’. Daí à realização diante do público. Explorei. Percorri a história da montagem feita pelo grupo de teatro ‘União e Olho Vivo’: dos diversos textos na encenação até a síntese que na verdade era a obra de arte. Tensão. ‘No início era o teatro’. Descobri. Aprendi uma ação recíproca que sob a lona montada no Ibirapuera e sobre a terra se fez linguagem circense com estudantes do Largo São Francisco (o direito), revoltosos de Canudos (uns sem posse), operários e nordestinos (um povo). Educação não-formal: “Senhoras e senhores, respeitável público: vamos aos inícios!”. Palavras-chave: texto, sentido, cena, teatro popular, educação não-formal.

7- O PROCESSO DE FORMAÇÃO DA IDENTIDADE DE GÊNERO ATRAVÉS DA LITERATURA INFANTO JUVENIL. Sonia Regina Griffo Mattioda - Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Esta comunicação tem como objetivo apresentar alguns resultados já obtidos através de uma pesquisa que está sendo realizada com alunas do Ensino Médio, de uma escola de classe média, no Rio de Janeiro, abordando o processo de formação da identidade de gênero (Louro, 2004; Butler, 2003; Scott, 1995) através da leitura de textos de literatura infanto-juvenil e o discurso feminino encontrados nos livros. A pesquisa, ainda em andamento, já revela algumas conseqüências em relação à formação das identidades pelo fato de que, durante a leitura, já encontramos intencionalidades nas representações femininas através de discursos que se apresentam profundamente marcados por padrões impostos pela sociedade contemporânea, exigindo o estabelecimento de padrões estéticos, influenciando a auto-estima corporal das adolescentes e marcando a diferença reproduzida através de sistemas simbólicos. Palavras-chave: gênero, processo de formação de identidade, literatura infanto-juvenil, diferença.

8- O LIVRO LITERÁRIO ENTRE REPRESENTAÇÕES E PRÁTICAS DE LEITURA. Keila Matida de Melo Costa, Universidade Federal de Goiás (UFG).

Essa comunicação tem como objetivo partilhar alguns resultados encontrados a partir do desenvolvimento de minha dissertação de mestrado orientada pela Prof. Drª. Orlinda M. Carrijo Melo e realizada na cidade de Anápolis, Goiás. Na tentativa de apreender uma parte da história da leitura marcada por disputas de poder, deparo-me, de um lado, com o discurso oficial manifestado em um programa de formação do leitor, o Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), por meio da coleção “Literatura em Minha Casa”, instituído pelo Ministério da Educação (MEC); e, de outro, com as representações e práticas de leitura de alunos reais, influenciadas ou não pelas idealizações do discurso desse programa. Representações e práticas de leituras que revelam não apenas as deficiências e os sucessos do PNBE, mas também um pouco das histórias de “leitores comuns” e suas relações com os livros. Palavras-chave: Literatura em Minha Casa. Representações. Práticas de leitura. Leitor. Leitura.

9- RODANDO AS LEITURAS NO/NA...COM A ESTANTE CIRCULANTE. Maura Esandola Tavares Quinhões (Coord.), Renan Pereira Maranhão, Ana Margareth Amorim, Joice Soltosky Cunha, Viviane Vitor da Silva, Elaine Barbosa da Silva Coutinho (Bolsistas), Escola de Biblioteconomia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO – RIO DE JANEIRO – RJ.
Trata da ação extensionista relacionada à leitura, do Programa Escola-Cidadã: um projeto em construção. Visa a construção da cidadania. Segue metas e desenvolve ações nas áreas de Educação, Informação, etc. Tenta interagir a Universidade Pública à nossa sociedade, na compreensão e transformação das condições atuais da vida brasileira. Com uma atuação temática, prioriza práticas leitoras em suportes variados, voltadas ao atendimento e necessidades sócio - informacionais de comunidades excluídas, utilizando-se da Estante Circulante (desde 1997), da Biblioteca Circulante (2004-2005), e do Rodando as Leituras no /na...com a Estante Circulante, a partir de 2005. Articula-se em etapas, ou seja:- diálogo com o grupo participante para seleção do tema; escolha do item a ser tratado; revisão de literatura; aquisição de materiais incentivadores e elaboração de produtos que promovam a mostra e a interação dos membros envolvidos. Participam deste projeto:- Bib. Comun. Emmanuel da Obra Social João Batista (Realengo); Bib. Paulo Freire e Bib. Nova Holanda no Complexo da Maré, Bib. Henry Braile do Instituto Benjamin Constant (Urca), Bib. Comum. Dona Zica do Centro Cultural Cartola da Mangueira,dentre outras. PALAVRAS-CHAVE: Incentivo à leitura, inclusão social.

SESSÃO II - Coordenação: Maria de Fátima Salum Moreira
Dia: 11/07/2007, das 14:00 às 17:00 horas
Local: Faculdade de Ciências Médicas – FCM
Sala: 03

1- AS APARÊNCIA ENGANAM. Cássia Arlete Tossini da Costa- EMEI CARROSSEL Campinas-SP; Mara Cristina Ribeiro Rizzi- EMEI CARROSSEL Campinas-SP;Sidinéa Ferreira Lopes - EMEI CARROSSEL Campinas-SP
Este trabalho foi desenvolvido em nossa unidade escolar envolvendo crianças de 04, 05 e 06 anos com o objetivo de leva-las a refletir sobre os papéis estabelecidos socialmente e através desta reflexão buscar novas formas de convívio e respeito às diferenças. Para isso usamos duas histórias que nortearam o trabalho: UM PORCO VEM MORAR AQUI e OS TRÊS LOBINHOS E O PORCO MAU. Utilizamos diversas estratégias para envolver o grupo (jogos, culinária, desenhos, participação da família,etc) respeitando ritmos e diferenças de cada um. Palavras-chave: identidade, pré-conceito,refletir, conviver.

2- O RECADO DO CONTO – A MULTIPLICIDADE DE SENTIDOS EM HISTÓRIAS CONTADAS POR CRIANÇAS. Edlaine de Cassia Bergamin, Faculdade de Educação - UNICAMP.
Realizando atividades de educação não-formal em um Centro Comunitário localizado na periferia de uma cidade do interior paulista, tivemos contato com crianças e jovens que, espontaneamente, se ofereciam para contar histórias de sua autoria. Em suas narrativas encontramos uma mistura antropofágica de elementos oriundos de suas vivências, de contos populares, narrativas religiosas e programas televisivos. Quando gravamos, transcrevemos e lemos cuidadosamente estas histórias, percebemos que elas expressavam as alegrias, inquietações, medos e segredos de seus narradores, criando uma ponte entre o mundo infantil e o adulto. Dessa percepção originou-se a dissertação de mestrado intitulada “O recado do conto – A multiplicidade de sentidos em histórias contadas por crianças”, defendida na Faculdade de Educação - Unicamp. Palavras-chave: linguagem infantil, narrativas, imaginação, contos populares.

3- DESEJO E LEITURA. Conceição Aparecida Costa Azenha - IEL/UNICAMP.
A partir de um caso clínico de uma criança que não sabia ler aos oito anos e já na segunda série do Ensino Fundamental e das teorias que permitem uma conexão entre psicanálise, educação e lingüística, o presente trabalho tem por objetivo discutir as questões que envolvem o processo de aprendizagem da leitura com a estruturação subjetiva. Nesse percurso, prioriza-se a função paterna como um operador dessa estruturação para problematizar as possíveis implicações do declínio da imago paterna na conjugação do desejo e da lei por um sujeito e seu o acesso ao campo do simbólico, mais especificamente, à aquisição da escrita. Nesse sentido, busca-se diferenciar a operação lógica da função paterna e do pai como significante e a imago social do pai encarnado. A opção teórica privilegiada exige um afastamento das psicologias evolutivas e/ou do desenvolvimento para entender/explicar as etapas de aquisição da escrita em benefício da concepção historicista de criança e de infância e da ética psicanalítica que permitem re-situar a questão do fracasso escolar. Palavras-chaves: Leitura, infância, função paterna, Lingüística, Psicanálise

4- QUESTIONANDO AS MARCAS IDENTITÁRIAS NAS HISTÓRIAS INFANTIS. Bonnie Axer - Universidade do Estado do Rio de Janeiro – RJ.
Esta comunicação visa investigar as formas como as questões relacionadas à diferença são apresentadas pelas histórias infantis discutindo como formas de ser e agir podem ser modeladas a partir da leitura das mesmas. Busco igualmente ressaltar, com base Abramovich, em como o ético e o estético se repetem na literatura infantil. Para tanto, trago o entendimento de identidade de Hall e Woodward, o entendimento de diferença de Bhabha e uma análise de quatro histórias tais como “UMA PROFESSORA MUITO MALUQUINHA” e “UXA, ORA FADA ORA BRUXA”, observando como as mesmas tratam a questão da identidade, discutindo como constroem/problematizam moldes e estereótipos de identidades femininas e masculinas. Busco então, contribuir para uma compreensão da importância de uma visão crítica sobre o que pode estar sendo lido pelas crianças.Palavras-chave: identidade, estereótipo, literatura infantil, diferença

5- EXPERIMENTANDO PESQUISAR COM CRIANÇAS EM UMA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL. Camila Cilene Zanfelice, UNESP / Rio Claro; Kátia Maria Kasper, UFPR / Curitiba.
Apresentamos aspectos de uma pesquisa exploratória realizada com crianças em uma escola pública de Educação Infantil. Buscamos contagiar-nos por elas, experimentando vários processos de devir (Deleuze e Guattari, 1995). Experiência que “borra fronteiras”, inclusive aquelas que separam pesquisador e pesquisado. Exercitamos alguns deslocamentos no campo das abordagens educacionais, buscando outras possibilidades de se pensar a infância (Kohan, 2003, por exemplo) e a própria pesquisa com as crianças. Jogos e brincadeiras criadas por elas foram um “meio de transporte” privilegiado. Produziram também um vídeo, compondo uma atmosfera singular, com leituras do espaço escolar, com seus integrantes humanos e não humanos. Palavras-chave: educação, diferença, crianças, experiência, jogo.

6- PRÁTICAS DE LEITURA NA INFÂNCIA. Maria Betanea Platzer - Grupo Alfabetização, Leitura e Escrita (ALLE) - Faculdade de Educação – UNICAMP.
A presente pesquisa, realizada sob a perspectiva teórica da História Cultural, tem como principal objetivo investigar práticas de leitura vivenciadas fora da escola por crianças residentes na zona urbana e na zona rural, que freqüentam o 2º ano do Ciclo II de uma escola municipal de ensino fundamental, localizada em Araraquara, interior de São Paulo. Os dados foram coletados por meio de questionários aplicados a aproximadamente 60 crianças e, desse total, posteriormente foram entrevistadas 10 crianças e suas respectivas famílias. Ainda que parciais, as análises garantem um conjunto substancioso de conhecimentos sobre as práticas de leitura dessas crianças em diferentes espaços sociais, alguns deles não valorizados institucionalmente. Palavras-chave: práticas de leitura; infância; não-escolar.

7- AS CRIANÇAS E AS INFÂNCIAS NOS SABERES EM EDUCAÇÃO: TEXTOS, LEITURAS E COMBATES TEÓRICOS. Solange Estanislau dos Santos - FAMEC-BA;Maria de Fátima Salum Moreira.- FCT/UNESP.
Este texto apresenta alguns resultados da dissertação de mestrado, defendida recentemente junto ao programa de pós-graduação em educação, na Unesp, de Presidente Prudente. Foi traçado como seu principal objetivo o mapeamento dos conceitos de “criança”, “infância”, “culturas infantis” e “identidades infantis” e a análise da forma como está ocorrendo a sua apropriação e consolidação, através dos trabalhos apresentados no Grupo de Trabalho “Educação da criança de 0 a 6 anos”, da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Educação, no período de 2000 a 2004. Apontamos alguns indícios teóricos nucleares dos combates que se travam nesse campo dos saberes em educação. E destacamos as estratégias de inclusão / exclusão / validação e invalidação de saberes presentes nos processos de definição e validação para determinados conceitos de criança, infância e educação.  Palavras-chaves: criança, infância, educação, discursos.

8- O ATO DE BRINCAR POR ENTRE A IMAGINAÇÃO, A IMITAÇÃO E A INVENÇÃO. Sibele Aparecida Ribeiro (Unesp - Rio Claro- S.P) Maria Rosa R. M. de Camargo (Unesp - Rio Claro- S.P)
Esta comunicação apresenta uma pesquisa em andamento, desenvolvida na pós-graduação strictu sensu em Educação da Unesp de Rio Claro, que busca conhecer as experiências e vivências de crianças de uma primeira série de uma escola rural. A pesquisa foi desenvolvida tendo em vista mapear as experiências sociais e culturais dessas crianças, principalmente as relacionadas com o brincar, e indicar elementos que possam contribuir para uma reflexão sobre o papel que essas experiências culturais têm na construção significativa do conhecimento sistematizado, quando as crianças ingressam na escola formal. O início da análise revela resultados que permitem pensar os atos de imaginar, imitar e inventar, atributos que não dão conta de responder indagações sobre o brincar, mas iluminam aspectos do “existir enquanto criança”.
Palavras-chave: experiências do brincar, imaginação, invenção

9- A REALIDADE DE CRIANÇAS QUE VIVEM EM INSTITUIÇÕES DE ATENDIMENTO À INFÂNCIA: PARADOXOS, MITOS E HISTÓRIAS DE EXCLUSÃO SOCIAL. Sheila Daniela Medeiros dos Santos - Universidade São Marcos/Campus Paulínia-SP.
Este trabalho tem como objetivo elucidar a essência de um paradoxo (aparente): crianças que não vivem em família, mas falam continuamente de família, tendo como pontos de ancoragem o referencial teórico de Lefebvre e Vigotski. Após realizar, durante um ano, visitas semanais a uma instituição de atendimento à infância, localizada em um município da região de Campinas, há evidências de que as crianças não estão falando propriamente de família; na realidade, elas estão reclamando da ausência de relações sociais de reconhecimento, já que o Estado/a sociedade ignoram os seus direitos, impondo-lhes como destino a situação em que foram geradas: a pobreza, a realização de tarefas socialmente desvalorizadas e a participação no sistema produtivo como exército de reserva. Palavras-chave: crianças institucionalizadas, semiótica, relações sociais, não-reconhecimento social.

SESSÃO III - Coordenação: Silvia Regina Marques Jardim
Dia: 11/07/2007, das 14:00 às 17:00 horas
Local: Faculdade de Ciências Médicas – FCM
Sala: 04

1 - REPRESENTAÇÕES DE LETRAMENTO E CULTURA EM UMA ESCOLA DO CAMPO - Renata Roveri Cândido e Marilda do Couto Cavalcanti - IEL/UNICAMP
Esta apresentação traz os resultados de pesquisa etnográfica (Erickson, 1986) realizada em uma comunidade rural do interior de São Paulo. Com o trabalho de campo buscou-se responder a perguntas relativas à visão dos moradores sobre a escrita e à presença da cultura local na escola ali localizada. A análise dos dados indicou que o processo de escolarização é valorizado na comunidade, entretanto, é um instrumento para a saída do campo. A religiosidade e o valor da família são elementos presentes na vida escolar, assim como a linguagem “de casa”. À luz da análise dos dados e de discussões sobre letramento no âmbito da lingüística aplicada, concluiu-se que se a escrita adquire sentido para o sujeito na dependência do sentido que se apresenta para seu(s) grupos(s) de inserção (Rojo, 1995), é fundamental conhecer esses sentidos a fim de propiciar aos alunos “modos de participação” com significado, já que a desconsideração pode acarretar insucesso na aprendizagem da escrita e auto-imagem negativa dos alunos (Kleiman, Cavalcanti e Bortoni,1993). Palavras-chave: Educação rural – letramento – contexto sociolinguisticamente complexo

2- PERSPECTIVAS DE LEITURA: EDUCAÇÃO DO CAMPO NA DÉCADA DA EDUCAÇÃO. Irizelda Martins de Souza e Silva - Universidade Estadual de Maringá/PR; ; Kiyomi Hirose - Universidade Estadual de Maringá/PR; Maria Aparecida Cecilio - Universidade Estadual de Maringá/PR
A forma de existência da educação do campo, entre 1997 e 2007, no Brasil, conforme a Constituição Federal de 1988, Artigo 214, é fonte para leituras dos desenhos das políticas de ações de mandatos públicos. Na perspectiva de compreender os contornos deste desenho e sua representação social no atendimento a educação como direito de todos, temos por objetivo, ampliar o debate mediante a relevância política ultrapassando dados quantitativos do INEP, 2007. Entre eles, a constatação de que 45% das escolas brasileiras são rurais e 90% das matrículas concentram-se na zona urbana, no momento em que a cana para Etanol passa a ser moeda de negociação da monocultura agro-exportadora onde se concentra a exploração do trabalho braçal-rural. Palavras-chave: Perspectivas de leituras - Educação do Campo – Políticas Públicas

3- EDUCAÇÃO EM MEIOS RURAIS E RELAÇÕES DE GÊNERO: PRÁTICAS EDUCATIVAS E CURRICULARES EM ESCOLAS DE VITÓRIA DA CONQUISTA/BA/BRASIL E DO MINHO /PORTUGAL. Silvia Regina Marques Jardim, Universidade do Minho/Portugal e Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB.
A comunicação visa apresentar pesquisa em fase inicial cuja finalidade é investigar o desenvolvimento de práticas pedagógicas e curriculares em Escolas em Meios Rurais. Analisar atitudes e práticas formativas de alunos (as) em idade entre 6 e 12 anos. Pretende-se, entre outros objetivos, verificar como as relações de gênero são abordadas nesses contextos por meio de um estudo comparativo entre Vitória da Conquista, Bahia, Brasil e a Região do Minho em Portugal. O pressuposto é que as relações entre mulheres e homens ocorrem de forma assimétrica como reflexo das relações de poder. Assim, pretende-se socializar resultados sobre como estas relações se apresentam nas práticas educativas e curriculares em meios rurais de Portugal e Brasil. Palavras-chave: Educação em meio Rural; Relações de Gênero; Processos de Ensino-Aprendizagem; Práticas Educativas

4- PRÁTICAS DE LEITURA DE TRABALHADORES/AS DO CAMPO: RECORTES DA VIDA E DA LUTA. Luzeni Ferraz de Oliveira Carvalho - Universidade do Estado da Bahia–UNEB e Universidade Federal de Minas Gerais-UFMG/Faculdade de Educação –MG.
Esta comunicação constitui na socialização de uma pesquisa cujo objetivo principal é caracterizar e analisar as práticas de leitura dos/as trabalhadores/as do campo, bem como os contextos e situações em que elas se desenvolvem. Busca-se ainda Identificar e discutir possíveis fatores e circunstâncias que configuram, determinam e diferenciam as diferentes práticas de leitura de trabalhadores/as do campo, entre eles fatores como religiosidade, militância, gênero, gerações e trajetória escolar. Os aportes teóricos do trabalho são: BAKTHIN (1981,1992),CHARTIER(1998, 1999, 2000), FREIRE (1980 1981,1982,1983,1992,2005) e KLEIMAN (1989a,1989b,1995). Os sujeitos da pesquisa residem em assentamentos de reforma agrária vinculados ao MST. Este estudo, ainda em desenvolvimento, já apresenta alguns resultados significativos para serem partilhados e refletidos coletivamente. Palavras-chave: práticas de leitura – trabalhadores/as do campo – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

5- O PAPEL DO ENTORNO SÓCIO - CULTURAL NO DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO PEDAGÓGICO POTENCIALIZADOR. Silvana Paulina de Souza - Universidade Estadual Paulista/UNESP.
Nesta comunicação, apresenta-se uma discussão sobre a necessidade de se pensar os elementos que compõem a organização das atividades pedagógicas, identificando os processos que são centrais na sua organização. O objetivo da pesquisa teórica e prática, em andamento, é estudar a influência do contexto social no desenvolvimento humano, à luz da Teoria Histórico-Cultural, dando ênfase à análise do valor do entorno no desenvolvimento pleno das capacidades discursivas na infância. A hipótese é a de que um espaço organizado intencionalmente pode ser propulsor de aprendizagens humanizadoras, considerando a atividade da criança e sua capacidade de aprendizado; a escola como espaço de vivências, de escolhas, de mediações; e o professor como criador de mediações no processo de aquisição do conhecimento. Os sujeitos da pesquisa serão crianças da quarta série do ensino fundamental da rede municipal de Marília. Palavras-chave: Ambientação, Trabalho Pedagógico, Contextos significativos.

6- SISTEMA DE AVALIAÇÃO DO RENDIMENTO ESCOLAR DO ESTADO DE SÃO PAULO – SARESP: UMA DISCUSSÃO SOBRE O MODELO DE COMPETÊNCIAS E HABILIDADES. Fátima Aparecida de Souza Maruci, UNISO - Universidade de Sorocaba.
Este trabalho aponta os fundamentos, os efeitos e a legitimidade do processo de apropriação das chamadas competências e habilidades na prova de Leitura e Escrita do SARESP, iniciada ao final da década de 80, com as transformações mundiais ocorridas no modo de produção capitalista. Apresentando racionalidade técnica e controle orçamentário, a avaliação passa a aferir rendimentos e eficiência do sistema visando resultados, quantificados por meio das chamadas competências e habilidades, numa abordagem de conhecimento pragmático e funcional, próprio do sistema regido pela lógica do capital. Para essa análise, a pesquisa busca contribuições em alguns autores como: Newton Duarte (2004), Dias Sobrinho (2002), Britto (2007), Silva Jr. e Cammarano Gonzáles (2001). Palavras-chave: avaliação, competências e habilidades

7- LEITURA E DEBATE NA CONSTRUÇÃO DE UMA ÉTICA PLURAL NO LDP. Vitor Takeshi Sugita, IEL-Unicamp.
Esta sessão de comunicação tem por fim apresentar um estudo paralelo ao meu projeto de pesquisa, em nível de pós-graduação, cuja proposta geral é estudar o perfil dos livros didáticos de língua portuguesa (doravante LDPs). Uma de minhas preocupações sobre a práxis pedagógica é a concepção de “língua a ser ensinada” e de “cultura” que subjazem o ensino do Português como língua materna nas escolas públicas. Dado o fato de que as discussões “possíveis” na sala de aula (sejam orais, sejam transpostas ao “monólogo” escrito) certamente contam com boa participação dos materiais didáticos, torna-se importante conhecer os tipos de textos que constituem os LDPs , assim como as “vias de entrada” temáticas propostas por eles. Mais especificamente, interesso-me no estudo das representações dos ditos “excluídos” que as coletâneas de textos constroem a partir de diversas da contraposição entre (1) demandas das políticas públicas, tais como os Parâmetros Curriculares Nacionais de 1998 e a implementação do Programa Nacional do Livro Didático, já que ambos pretendem-se como instrumentos de promoção de uma prática pedagógica pró-cidadã, ética e plural; e (2) diversos impedimentos advindos de questões político-econômicas, assim como teórico-metodológicas, como as condições concretas de produção dos materiais didáticos. Tal projeto de pesquisa está vinculado ao grupo “Livro Didático de Língua Portuguesa: produção, perfil e circulação – LDP Properfil”, liderado pela Profª Drª Roxane Helena Rodrigues Rojo (UNICAMP/IEL), e incide especificamente em LDPs destinados aos 3o e 4o ciclos do Ensino Fundamental. Palavras-chave: leitura, oralidade, pluralidade cultural, livro didático

8- POLÍTICA PÚBLICA PARA A LEITURA – O PLANO NACIONAL DO LIVRO E LEITURA (PNLL): ORIGEM, LIMITES E PERSPECTIVAS. Juliana Rosária da Silveira, CAC/UFG – GO ;Selma Martines Peres - CAC/UFG – GO.
A presente comunicação busca ampliar o conhecimento sobre as políticas públicas destinadas à leitura no Brasil, de modo específico, o Plano Nacional do Livro e da Leitura (PNLL). O objetivo é identificar o contexto de sua elaboração, destacando os limites e possibilidades dessa proposta no que tange a formação de leitores e acesso ao livro. A metodologia adotada pauta-se na pesquisa bibliográfica e na análise documental. Para compor os quadros teóricos utilizamos os Estudos sobre Leitura e Políticas Públicas para a Educação. Trata-se de um trabalho em andamento, mas com alguns resultados importantes a serem socializados. Palavras-chave: leitura, políticas públicas, PNLL

9- LITERATURA COMO ALTERNATIVA DE CONHECIMENTO E DE RESISTÊNCIA: CAMINHOS DA IMPLEMENTAÇÃO DA LEI 10.639/03 NA REDE MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE NITERÓI. Gloria Maria Anselmo de Souza, Fundação Municipal de Educação de Niterói/RJ-FME.
A aprovação da lei 10.639/03 impõe à escola a responsabilidade de promover situações concretas de resgate e reconhecimento da cultura africana como elemento significativo para formação do povo brasileiro. Tal proposição deve instigar nos educadores um movimento de pesquisa e produção de propostas pedagógicas que evidenciem abordagens variadas sobre a questão. Nesse sentido, esta comunicação procura evidenciar as contribuições dos diferentes gêneros textuais (Klaufman, 2000; ,Abramovich, 1996) como alternativa de reinvenção (Larrosa, 2001) e de valorização da cultura afro-brasileira, bem como de fortalecimento das identidades étnico-raciais (Lopes, 2002; Gomes, 2004 ), na perspectiva de enfrentamento do preconceito e da exclusão, armadilhas historicamente impostas aos afrodescendentes pela sociedade brasileira (Munanga, 2001; Freire, 1992). Palavras-chave: cultura, gêneros textuais, africanidades, exclusão

10. Produção de texto no livro didático e suas armadilhas: leituras que (des)colam (n)o texto do aluno. Eduardo Calil – UFAL e Eliene Estácio Santos – Secretaria de Educação do Estado de Alagoas
Este trabalho é parte de um estudo sobre práticas de textualização apoiadas em propostas de livros didáticos de português (LDP), efetivadas por professores de séries iniciais do Ensino Fundamental. Observamos essas práticas, registramos em diário de campo e coletamos os manuscritos escolares produzidos por alunos de 2ª série, ao longo do 1º semestre letivo de 2005, em 5 escolas municipais de Maceió. Dentre os resultados obtidos, um dos aspectos mais relevantes a ser considerado é o modo como os professores “interpretam” as propostas dos LDP e o modo como os alunos “respondem” a essa proposta configurada a partir dessa interpretação. Para poder apontar esses modos de relação estabelecidos nessas práticas de textualização, iremos analisar 8 manuscritos de alunos que escreveram um “bilhete”, utilizando “caricaturetas” comuns na escrita de chats, conforme sugerido pelo LDP. Esses manuscritos tanto trazem o fenômeno do “espelhamento” de enunciados advindos da fala do professor ou do próprio LDP, quanto guardam relações de diferença que podem ser entendidas como “ponto de fuga” para as determinações didáticas assentadas na formatação e imposição de gêneros de textuais para a formação do “produtor de texto competente”. Palavras-chaves: livro didático de português, prática de textualização, manuscrito escolar, semelhança e diferença.

SESSÃO IV - Coordenação: Roseli Aparecida Cação Fontana
Dia: 11/07/2007, das 14:00 às 17:00 horas
Local: Faculdade de Ciências Médicas – FCM
Sala: 05

1- PRÁTICA PEDAGÓGICA E INCLUSÃO: UM ESTUDO COM CLASSE ESPECIAL. Edilene Cunha Martinez - Universidade Estadual de Maringá; Nerli Nonato Ribeiro Mori - Universidade Estadual de Maringá.
Como deve ser a prática pedagógica numa classe especial? O que as Diretrizes do Estado do Paraná provêm para as classes especiais? Que relações podemos estabelecer entre a classe especial e o processo de inclusão? Em busca de respostas para estas questões e tomando como norte pressupostos da Teoria Histórico-Cultural, realizamos durantes os anos de 2005 e 2006 um trabalho com 16 alunos de uma classe especial de uma escola do interior norte-paranaense. Ao final do primeiro ano quatro alunos foram inseridos na classe regular, o mesmo ocorrendo com mais seis no segundo ano. A prática pedagógica empreendida certamente foi decisiva para que os alunos alcançassem as condições necessárias para a inserção; todavia os dados suscitam também dúvidas quanto às avaliações, diagnósticos e encaminhamento dos alunos. Palavras-chave: classe especial, inclusão, prática pedagógica, classe regular.

2- A APRENDIZAGEM DA LEITURA POR ALUNOS COM DIFICULDADES ESCOLARES. Lúcia Cristina Dalago Barreto - EE “Profa. Áurea Maria Paes Leme Goulart”- Maringá- PR e UEM-Maringá –PR
O presente trabalho objetiva analisar o processo pelo qual ocorre a aprendizagem da leitura em alunos com dificuldades escolares, freqüentadores de uma Sala de Recursos de 5ª à 8ª série de um colégio estadual do Paraná. Sob os parâmetros da Perspectiva Histórico Cultural a pesquisa apóia-se em uma investigação teórico-prática, que acompanha a intervenção estabelecida junto a esses alunos, a qual está sendo objeto de análise. Os resultados, ainda que parciais, apontam para a necessidade de um ensino sistematizado e organizado, direcionado por um profissional que ao compreender o processo de apropriação da leitura e escrita auxilie seus alunos a estabelecer significados e ampliar a consciência da realidade em que estão inseridos. Palavras-Chave: leitura, ensino, aprendizagem, compreensão e significado.

3- UMA LEITURA SOBRE O PROJETO EDUCAÇÃO E CIDADANIA E A INCLUSÃO ESCOLAR DO ADOLESCENTE AUTOR DE ATO INFRACIONAL. Ivani Ruela de Oliveira Silva, UNESP/RC/SP; Leila Maria Ferreira Salles, UNESP/RC/SP.

Esta comunicação tem por objetivo caracterizar o Projeto Educação e Cidadania no que se refere à inclusão do adolescente autor de ato infracional na escola. Esse projeto foi implementado no Núcleo de Atendimento Integral de Americana (NAIA) e tem por finalidade garantir o direito à escolarização de adolescentes em conflito com a lei privados temporariamente de liberdade, tal como definido no ECA. O projeto, que privilegia a leitura, a escrita e outras linguagens, será analisado no bojo das políticas públicas de atendimento à criança e ao adolescente no Brasil. A partir dessa análise, pretende-se fazer uma leitura da inclusão do adolescente autor de ato infracional no cotidiano escolar contribuindo para o aprofundamento deste debate. Palavras-chave: políticas públicas; Projeto Educação e Cidadania; adolescente autor de ato infracional; educação.

4- ESTABELECENDO DIÁLOGO COM UM MUNDO CONSIDERADO PELA SOCIEDADE COMO SILENCIOSO, ALÉM DE “ESTRANHO”. Marlene Catarina de Freitas e Marilda do Couto Cavalcanti - Instituto de Estudos da Linguagem – IEL, UNICAMP.

Esta pesquisa teve o objetivo de construir uma interpretação de como se dá o relacionamento ouvinte-surdo e de como ele é estabelecido, levantando as dificuldades/facilidades encontradas nessa interlocução e focalizando o processo de entrada do ouvinte em contato/conflito com a Língua de Sinais em situação de sala de aula com um professor surdo. Neste trabalho de cunho etnográfico, primeiramente, a pesquisadora manteve um diário de campo durante as aulas de Línguas de Sinais por ela freqüentadas como aluna e observadas. Em um segundo momento, foi realizada a análise dos dados buscando construir respostas sobre como se dá esse relacionamento ouvinte-surdo, além de buscar respostas sobre esse processo de entrada como forma de começar a conhecer uma realidade desconhecida e “estranha” para o ouvinte. Palavras-chave: Ouvinte – Surdez – Língua de Sinais


5 - “O PATU É PETU”: AS ARMADILHAS DA LEITURA ESCOLAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL EM UMA ESCOLA DE ASSENTAMENTO. Jane Cristina Beltramini Berto SEED/PR .
Este trabalho discute o processo de formação de leitores na Educação Infantil na realidade específica de uma escola emergencial situada em um acampamento do MST no noroeste do Paraná. Tomando como base o contexto da implantação de uma modalidade educacional que atenda às especificidades dos povos do campo e ancorada nos pressupostos teóricos a respeito da formação do leitor crítico tais como Silva, Freire e outros, nossa reflexão pretende delinear as formas pelas quais a instituição escolar, mesmo em um contexto sócio-histórico bastante determinado, escolariza os sentidos da leitura, mesmo antes da aquisição da escrita, disseminando conteúdos cristalizados a partir da ideologia dominante. Palavras-chave: formação do leitor crítico, educação do campo, MST, educação infantil

6- LER O CORPO QUE ENSINA – UMA APROXIMAÇÃO DOS EFEITOS DE SENTIDO DOS GESTOS DE PROXIMIDADE CORPORAL ENTRE PROFESSORAS E CRIANÇAS DAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL. Roseli Aparecida Cação Fontana - FE/UNICAMP.
A indagação acerca dos sentidos de que se revestem os gestos da professora nas relações de ensino nasceu e ganhou força à medida que eu constatava na literatura e no trabalho de formação de professores, o quanto a corporeidade da professora, silenciada nos discursos e práticas pedagógicas, emerge nas memórias e relatos dos tempos de escola, sobrepondo-se à lembrança daquilo que as professoras ensinaram deliberadamente a seus alunos. Ancorada nos estudos da história cultural sobre a educação do corpo (Revel,1991; Vigarello,1978; Soares,1998, 2001) e nos estudos de Bakhtin sobre a linguagem, procurei apreender, na fase inicial da pesquisa em andamento, os usos que as professoras fazem dos gestos de proximidade corporal com as crianças e os efeitos de sentido que esses gestos suscitam entre os alunos. Palavras-chave: corpo, educação, produção de sentidos.

7- ESPAÇO DE CONVIVÊNCIA: UM ELEMENTO PARA O INCENTIVO À LEITURA E AMPLIAÇÃO DA VISÃO DE MUNDO. Kyamani Moreno de Sousa - UEL – Londrina-PR, Lucinea Aparecida de Rezende - UEL - Londrina-PR.
O presente artigo visa apresentar as experiências e reflexões feitas a partir do projeto “As implicações das histórias infantis na ampliação da visão de mundo de crianças de seis e sete anos”, iniciado em agosto de 2006. Destacaremos a importância da literatura infantil para a formação do ser humano e a necessidade de incentivar a leitura. Esta última está sendo vista por nós como mediadora no ato de compreender, decifrar e significar o mundo ao nosso redor. Com essa compreensão abordamos a significação dos espaços de convivência como fomentadores e incentivador da leitura no momento que estes espaços possibilitam a experiência.Palavras-chave: formação do ser humano, leitura, literatura infantil, espaços de convivência.

8- LEITURA, DISCURSOS E SENTIDOS NO PROJETO LEITURA: UM MUNDO DE IMAGENS. Margareth Correia Fagundes Costa, UESB, Luciano Lima Souza, UESB e Luzimare Almeida Piloto, UESB/UNEB.
Esse relato visa a socializar o Projeto Leitura: um mundo de imagens desenvolvido com crianças do Ensino Fundamental no Lar Santa Catarina de Sena em Vitória da Conquista – Ba. O objetivo desse trabalho é desenvolver a expressividade nas crianças, de modo a fortalecer os aspectos cognitivo, afetivo e emocional, bem como estimular o desenvolvimento das competências artística, lingüística e relacional. A metodologia caracteriza-se pelas dinâmicas de grupo, jogos, oficinas de dramatização literária, de poesias, de músicas, leitura e discussão de textos. Com esse projeto constatou-se um maior envolvimento com a leitura, por parte das crianças, que em vários momentos evidenciaram a busca espontânea por livros e têm demonstrado dinamismo e curiosidade pela leitura de diversos gêneros textuais. PALAVRAS-CHAVE: leitura, expressividade, sentidos

9- INDISCIPLINA: RELEITURAS PARA LIVRAR-SE DAS ARMADILHAS. Érica Martelini Messias Borin, UNISO-Universidade de Sorocaba-SP.
Em um mundo de tantas transformações, tratar do assunto indisciplina é um desafio, devido a forma como ela é interpretada pela maioria dos educadores, instituições escolares, famílias e sociedade em geral. Na escola crianças e adolescentes manifestam suas opiniões, atitudes, comportamentos que, muitas vezes fogem dos padrões esperados. Diante disso, a indisciplina como uma “armadilha educacional”, devido a maneira como tem sido vista e pela dificuldade da escola e dos educadores em lidar com essa questão, o presente trabalho tem por objetivo fazer um levantamento de estudos sobre a indisciplina partindo de teses e dissertações defendidas nos últimos anos. Palavras-chave: disciplina, indisciplina, relação educador-educando

SESSÃO V - Coordenação: Carmen Maria Aguiar
Dia: 11/07/2007, das 14:00 às 17:00 horas
Local: Faculdade de Ciências Médicas – FCM
Sala: 06

1- SOCIEDADES GRAFOCÊNTRICAS DIGITAIS: SOBRE LETRAMENTO, COGNIÇÃO E PROCESSOS DE INCLUSÃO. Gláucia Jorge – Universidade Federal de Ouro Preto; Daniel Mill – Universidade Federal de São Carlos.
Esta comunicação visa compartilhar reflexões acerca da relação letramento, cognição e processos de inclusão nas “sociedades grafocêntricas digitais”. Para tanto, discutimos a transição das sociedades ágrafas às grafocêntricas digitais a partir dos estudos sobre o letramentO. Discutimos a inclusão digital a partir da relação “inclusão, desenvolvimento tecnológico e modalidades de pensamento” e da relação mentes e máquinas: psciotecnologias ou tecnopsicologias. Evidenciamos o abismo existente entre os que têm acesso às tecnologias digitais e os que estão à margem dessa possibilidade de acesso; esses aspectos conduzem a escola a repensar suas propostas curriculares a partir das novas relações com o saber que estão sendo gestadas na sociedade contemporânea. Palavras-chave: Inclusão digital; letramento digital; inclusão digital; modalidades de pensamento; psciotecnologias.

2- OS SÍMBOLOS E OS SIGNOS CRIADOS POR COMUNIDADES QUE RECEBEM VISITANTES. Graziele Alves de Souza Morelli - Centro Universitário Barão de Mauá Ribeirão Preto/SP e Universidade Federal de Uberlândia / MG;Carmen Maria Aguiar - Unesp/Rio Claro-SP.
O presente trabalho visa identificar, em comunidades que recebem visitantes, as possibilidades encontradas, pela população, para conviver e descobrir espaços capazes de permitir aos moradores alguma forma de participação social. Em um longo processo histórico tais comunidades desenvolveram um modo de vida, com a chegada de forasteiros outros novos elementos foram criados ou remontados. O que, paralelamente impõe para a comunidade local, a necessidade de criação de símbolos e signos que reafirmam o seu espaço e território, "quebrando as armadilhas" econômicas, políticas, culturais e sociais provenientes de atividades de lazer e turismo, atividades que costumam se apropriar da cultura do outro e impor seu modo de vida. Trata-se de um estudo teórico-empírico realizado na região de Uberlândia-MG, onde ocorreu uma reorganização do espaço devido às inundações para a construção da Usina Hidrelétrica de Capim Branco I e II, logo o espaço foi capturado para atividades recreativas.Palavras-chave: símbolos,signos, espaço e território.

3 - OS GESTOS DE INTERPRETAÇÃO NA CORREÇÃO DE TEXTOS ESCRITOS NOS “LABORATÓRIOS DE REDAÇÃO”. Fabiana Claudia Viana Costa - IEL-Unicamp e FFCL de Ituverava-SP.
Esta comunicação objetiva propor uma discussão acerca dos gestos de leitura e de escrita, pelo viés da Análise do Discurso, de linha francesa, a partir das diferentes práticas postas pela Escola, apresentando uma análise de recortes de textos escritos produzidos por alunos em fase de preparação para o vestibular, focando na constituição e/ou interdição da autoria a partir das condições de produção dadas nos “laboratórios de redação”, observando, assim, como as correções realizadas pelo professor-corretor contribuem, ou não, para a produção de textos com autoria e argumentação. Para esse movimento de análise, serão mobilizados conceitos como texto, discurso, escrita, autoria, argumentação, interpretação, arquivo... a partir de Orlandi, Pacífico e Pêcheux, dentre outros. Nos textos aqui analisados, os mecanismos de distribuição dos sentidos na/pela Escola e o modo como esse espaço institucional significa e faz significar por suas práticas, engendrando sentidos já estabilizados, esperados e regulados são questões cruciais para pensarmos a constituição histórica dos sujeitos-leitores, tanto do imaginário que constitui o sujeito-leitor (aquele que se espera) quanto do sujeito-leitor real (aquele que se tem), presente na Escola. As análises apontam para uma prática em que a correção gramatical e a parte estrutural, numa perspectiva conteudística, são supervalorizadas em detrimento aos argumentos e a própria autoria, numa perspectiva discursiva. Isso evidencia, de uma certa forma, práticas escolares que promovem apenas uma leitura parafrástica, sem abrir espaço ao múltiplo, ao polissêmico, não proporcionando condições para que o aluno ocupe a posição sujeito-autor em seus textos (aqui, textos escritos) e nem sequer constitua seu próprio arquivo.Palavras-chave: discurso, leitura, escrita, autoria, argumentação, arquivo

4- DA PRODUÇÃO ESCRITA AO TEXTO PUBLICADO: REFLEXÕES ACERCA DOS ESCRITORES EM SALA DE AULA. Clovis da Fonseca Vidal, IEL-UNICAMP e Eliane Maria Diniz Campos, IEL-UNICAMP.
Esta comunicação traz uma experiência tecida no estágio de Licenciatura em Letras, em que se confeccionou com alunos de 5ª e 6ª/7ª séries, respectivamente, dois modestos livros: “Criações literárias” e “Teatro”. O processo nos permitiu pensar na diferença entre a relação do “escritor e obra” e o procedimento de criação/publicação das redações escolares. Em geral, um escritor redige um texto, revisa-o várias vezes, reescreve, consulta dicionários ou enciclopédias. Tem o texto revisado por outro, e finalmente publicado. Vive, assim, um processo intenso de investigação da palavra e seu compartilhamento. Na escola, os alunos, que muitas vezes escrevem sobre algo imposto, têm um tempo definido para fazê-lo, numa única versão e após a correção do professor tais textos, na maioria das vezes, não são retrabalhados. Como fazer para que ganhem uma versão em publicação? Como intervir, enquanto professor, para adensar este processo? Palavras-chave: escrita, reescrita, publicação, relação professor-aluno.

5- AULA DE LÍNGUA ESTRANGEIRA: (RE)CONSTRUINDO IDENTIDADES A PARTIR DA LEITURA. Ana Nelcinda Garcia Vieira / UFSM – PPGL;Luciana Portella Kohlrausch /UFSM – PPGL;Maria do Socorro de Almeida Farias /UFSM – PPGL;Vera Lúcia Pires /UFSM – PPGL.
Neste trabalho refletiremos sobre a possibilidade de (re)construção de identidade de um grupo de mulheres negras excluídas, ou em via de exclusão social, através de aulas de língua estrangeira (espanhol), fora do contexto formal de ensino. Nessas aulas, exploramos diferentes gêneros textuais com o objetivo de trazer novas informações e estimular a reflexão e o senso crítico. Além disso, primou-se por um ambiente de discussão e interação através das trocas de vivências e impressões do mundo. O ambiente de interação facilita ao aluno (re)construir seu próprio enunciado lingüístico e conseqüentemente sua identidade. Palavras – chave: identidade, exclusão, gêneros textuais, enunciado lingüístico.

6- (RE)VISITANDO O TEXTO COMO UNIDADE DE ENSINO: UMA LEITURA DOS GÊNEROS QUE NÃO SE LÊEM NA ESCOLA. Teresa Neuma de Farias Campina - Departamento de Letras e Artes, Universidade Estadual da Paraíba, Campina Grande-PB.
A diversidade de gêneros textuais que circulam nas sociedades modernas nos possibilita ver a necessidade de um fazer educativo que contemple as categorias lingüísticas, sócio-discursiva e cognitivo-conceitual. Nesse contexto, objetivamos investigar a veiculação dos gêneros textuais em sala de aula e identificar quais gêneros são excluídos do ambiente escolar, uma das agências responsáveis pelo letramento do sujeito-educando. Nosso corpus é constituído pelo livro didático e por questionários aplicados a professores e alunos do 1º ano do ensino médio de uma escola pública, em Campina Grande, PB. Os pressupostos teóricos que orientam este estudo estão fincados na Análise do Discurso, através das noções de sujeito e práticas discursivas, postuladas por Bakhtin (1992, 2000), Foucault (1999), Gregolin (2004), entre outros. Palavras-chave: gêneros textuais, leitura, práticas discursivas, efeitos de sentido.

7- UM NOVO OLHAR PARA O REGISTRO: PRODUÇÃO DE CONHECIMENTOS. Maria Amélia Bernardo de Paula. SME/Prefeitura Municipal de Campinas, Andréa Cristina dos S. F. Veiga, Ana Madalena Rodrigues, Cândida Ivette Daniel de Souza, Catarina de Campos Palma, Elaine Cristina Teixeira de Andrade, Elaine Regina Cassan, Fátima Fernandes de Arruda Vieira, Flordelis Aparecida Proença, Irene de Fátima S. Apolinário, Maisa Ferreira Garcia, Maria Bernadete S. Duarte, Renata Esmi Laureano, Rita de Cássia Sales Giraldo, Sandra Lia M. Biazon.
Esta comunicação tem o objetivo de traduzir o movimento que vem sendo construído no/com o grupo de educadoras da rede municipal de Educação de Campinas, de olhar e ressignificar o registro e a prática pedagógica. Constituímos um grupo de mulheres, educadoras, integrantes de um curso sobre Registro Escolar que teve inicio em abril deste ano e que vem discutindo, trocando, refletindo e buscando compreender a prática de registrar a partir das próprias experiências na escola e nas relações que, como mulheres, constituímos a experiência com a leitura e escrita. Durante os encontros vêm à tona as indagações, as dificuldades, as expectativas, bem como a possibilidade de ampliar o nosso olhar sobre o registro, o qual produzimos, caminhando na direção da produção de conhecimento e, portanto, do reconhecimento da mulher educadora e profissional. Palavras-chave: registro, produção de conhecimento, prática pedagógica, gênero

8- PARA ALÉM DAS PALAVRAS: CHARGES, TIRAS E QUADRINHOS. Nilce Helena da Mota Garcia - Univap Urbanova – São José dos Campos – SP.
Este artigo objetivou discutir outras práticas leitoras em sala de aula, utilizando as linguagens verbal e não-verbal, mais especificamente as charges, tiras e quadrinhos. Tal relevância é devido ao fato destes gêneros fazerem parte do cotidiano leitor dos alunos fora do contexto escolar e de serem materiais envolventes e criativos, contribuindo para a produção de sentidos dos sujeitos leitores. Esta análise foi baseada nas concepções de linguagem, texto e discurso advindas da vertente francesa da Análise do Discurso; os conceitos da Arte Seqüencial, a função do riso, do implícito, do pressuposto, a significação discursiva e suas múltiplas facetas e as implicações que têm no trabalho de leitura em sala de aula. Finalmente, sugiro uma atividade que pode ser desenvolvida no contexto escolar, utilizando as charges, tiras e quadrinhos. Palavras-chave: Práticas Leitoras, Análise do Discurso, Arte Seqüencial

9- EQUÍVOCOS QUE ATRAVESSAM O DISCURSO DO EMPREENDEDORISMO. Marta Maria da Silva Assis/UNICAMP.
Neste trabalho apresentaremos um olhar sobre os equívocos que atravessam o discurso empreendedor. Para tanto, nos apoiaremos na teoria da análise do discurso de origem francesa. Diz Pêcheux (2002), que toda descrição está intrinsecamente exposta ao equívoco da língua, não há metalinguagem, todo enunciado é intrinsecamente suscetível de mudança, de tornar-se outro, de deslocar o seu sentido e de ser diferente de si mesmo. A pertinência desse recorte está em pôr em evidência as formulações do discurso, denominado de um modo geral, empreendedor. na postura metodológica da ad que reconhece duas materialidades: a da língua e a da história; a da língua, como espaço significante do equívoco e das falhas, de um sentido que sempre pode ser outro. E a história na qual o homem apreende o mundo por meio do simbólico, que também é um lugar de equívoco e interpretação. de forma que o sujeito, por estar imerso na ilusão da transparência da língua e na não-inscrição na história, tem o sentido como evidente. Um material analisável do ponto de vista discursivo pela existência de sentidos opostos e contraditórios, provenientes de diferentes regiões do interdiscurso. Palavras-chave – Discurso empreendedor; Análise do discurso.

SESSÃO VI - Coordenação: Renata Braz Gonçalves
Dia: 11/07/2007, das 14:00 às 17:00 horas
Local: Faculdade de Ciências Médicas – FCM
Sala: 07

1- IMAGENS DE CRIANÇA: O IMAGINÁRIO DE FAMÍLIA NA LITERATURA DE CIVILIDADE (AS MENINAS EXEMPLARES, DA CONDESSA DE SÉGUR). Cristiane Cecchin - UDESC/SC.
Perceber as imagens da organização da família burguesa na literatura de civilidade destinada às crianças, ao observar as linguagens textuais que pressupõem o andamento da construção e manutenção de uma estrutura necessária ao reordenamento familiar que se buscava impor nos inícios do século XX à sociedade brasileira. Pelos dispositivos textuais de aspectos da obra analisada, procura-se visualizar uma representação da boa mãe que administra a família e torna possível a percepção dos sinais de educação e comportamento calcados no desenvolvimento das virtudes morais das crianças presentes na história. Por tais bases de discussão, pretende-se aqui evidenciar as argumentações acerca da compreensão do papel dos filhos (crianças) na nova estrutura familiar que se ditava como norma e modelo de organização social. Palavras-Chave: Literatura de civilidade, leitura, gênero

2- UM TOM PARA O BOM TOM. Higiene e civilidades na Série de Leitura Graduada Pedrinho/ Lourenço Filho. Marlene Neves Fernandes - Universidade do Estado de Santa Catarina.
Trata-se dos primeiros estudos relacionados à pesquisa: Saberes Impressos. Imagens de Civilidade em textos escolares e não-escolares: composição e circulação (década de 50 a 70 do século XX) , que tem por intuito analisar nos textos escolares, hábitos de higiene e civilidade. A civilidade entendida, como uma experiência historicamente constituída articulada a um esforço de codificação/controle dos comportamentos, sensações e movimentos do corpo e alma. Analisa-se a “Série de Leitura Graduada Pedrinho”, de autoria de Manoel Bergström Lourenço Filho (1897-1970), com a pretensão de “estimular o desejo de ler como compreensão, de forma produtiva, bem como ser a primeira série a cuidar dos problemas das relações humanas no lar, na escola e na vida social”, em cinco livros de leitura e uma cartilha. Palavras-chave: história da leitura, civilidades, regras de bom tom, higiene.

3- A ESCOLA NO SÉCULO XIX: REPRESENTAÇÕES EM MACHADO DE ASSIS. Alessandra Maria Moreira Gimenes/UNESP;Maria Augusta Hermengarda Wurthmann Ribeiro/UNESP.
O texto procura analisar, por meio de pesquisa bibliográfica e análise documental, a Educação brasileira, no final do século XIX, procurando apreender suas representações, a saber, a legislação entendida enquanto prática ordenadora das relações sociais, os interesses políticos a que servia; o ideal de sociedade e cidadão que se buscava construir, bem como as novas tendências pedagógicas em voga, nas obras Conto de escola e Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis. Este trabalho constitui parte de pesquisa para dissertação de mestrado.Palavras-chave: Educação, leitura, literatura.

4- SENSUALIDADE E EROTISMO: O FEMININO NAS MANIFESTAÇÕES POPULARES DO RIO DE JANEIRO ENTRE 1890 E 1920. Rafaella Berto Pucca, PG – UEL Londrina-PR.
O presente trabalho tem por objetivo apresentar as formas de representação e participação feminina nas manifestações populares, tais como a Festa da Penha e o carnaval, durante a virada do século XIX para o XX, na então capital da República. A intenção é mostrar como tais festejos, além de simbolizarem o meio e o espaço para uma verdadeira convergência de multiplicidades culturais, mostravam-se como formas de resistência ao discurso de repressão estatal (e, no caso das mulheres, também de repressão moral) que, por sua vez, eram pautados na lógica positivista de ordem e progresso. Palavras-chave: feminino, construção identitária, resistência, repressão.

5- TEXTOS DESTINADOS AO PUBLICO LEITOR FEMININO, DIVULGADOS NO JORNAL DIÁRIO “CORREIO MERCANTIL” DE PELOTAS/RS (1875 - 1900). Renata Braz Gonçalves - Fundação Universidade Federal do Rio Grande/RS e Universidade Federal de Pelotas/RS.
Este texto apresenta alguns achados da pesquisa em desenvolvimento que tem por objetivo identificar e compreender leituras que eram produzidas, difundidas e apropriadas pelas mulheres pelotenses no final do século XIX. A partir da Análise do conteúdo (BARDIN,1977) de seções do jornal diário “Correio Mercantil” (1875-1900), verificou-se a existência de textos literários direcionados às mulheres, como é o caso da seção “Folhetim”, e de notícias, anúncios e editoriais que tratavam de questões relacionadas à educação feminina, sobre o papel da mulher na sociedade e críticas literárias que direcionavam as obras ora para homens, ora para mulheres. Foi identificada a publicação de textos de escritoras famosas na Europa e também de escritoras locais menos conhecidas. Constatou-se ainda, a publicação de cartas de leitoras ao jornal constituindo indícios de como poderia ser a apropriação da leitura do periódico. Palavras-chave: História da Educação; História da Leitura; História das Mulheres; Gênero

6- MEMÓRIAS NO ESCRAPE: NO ARTESANATO DAS MEMÓRIAS, O BORDADO EM MOVIMENTO DAS HISTÓRIAS. Eliana Mara de Freitas Chiossi, UFBA, BA e CRESER-BA.
Uma das formas mais graves de exclusão da história oficial é a falta de registro daqueles que têm que lutar diariamente pela obtenção da sobrevivência. Integrantes de classes mais abastadas constroem um arquivo particular e íntimo das suas histórias de vida. Os outros, ganham o direito de inscrição na história através de estudos acadêmicos ou trabalhos artísticos. O termo scrapbooking descreve uma prática artesanal de organização de álbum particular. Partindo do aportuguesamento da palavra, enquanto apropriação, criei a noção de "escrape", para descrever outro uso da técnica, transformando o artesanato luxuoso em estratégia de poder, pela utilização das principais formas de registro enquanto registro consciente e planejado, que constitui uma outra forma de auto-inscrição nos arquivos da História. Palavras-chave: escrape, scrapbooking, memória, inscrição, registro)

7- PRÁTICAS EDUCATIVAS E COMPORTAMENTOS SOCIAIS E MORAIS REFLETIDOS NO ROMANCE “AS TRÊS MARIAS”. Nadja Santos Bonifácio/UFS.
Esta comunicação trata do romance “As Três Marias” (1939), de Raquel de Queiroz. O texto é de cunho ficcionista, mas, que nos fornece pistas sobre práticas e comportamentos de uma época. A idéia de desenvolver o artigo surgiu, a partir da leitura do texto para compreensão de outro estudo sobre um internato de meninas localizado em Aracaju. Desse modo, o trabalho objetiva analisar as práticas educativas, condutas sociais e morais difundidas através do romance, assim como, perceber as estratégias desenvolvidas pelas personagens para driblar os métodos utilizados na instituição de direção de freiras francesas no início do século XX. Espera-se com isso buscar uma compreensão sobre práticas, costumes e comportamentos, sob uma perspectiva histórico-cultural direcionado ao campo História da Educação, Literatura e Educação Feminina. Palavras-chave: História da Educação, Educação Feminina, Literatura, práticas educativas e sociais.

8- LIVROS À VENDA: UMA HISTÓRIA DO ROMANCE NO BRASIL POR MEIO DE ANÚNCIOS DE JORNAL. Regiane Mançano - Universidade Estadual de Campinas.
Por meio dos anúncios de venda de romances veiculados no três principais jornais em circulação no Rio de Janeiro, durante o século XIX - o Correio Brasiliense (1808-1822), a Gazeta do Rio de Janeiro (1808-1822) e o Jornal do Comércio (1827-1879) - é possível conhecer os títulos de prosa-ficcional mais presentes nas prateleiras dos livreiros cariocas, seus preços e sua materialidade, bem como os critérios de valorização utilizados para convencer o possível comprador do gênero que, no início dos oitocentos, se firmava no gosto do público. Sendo assim, a compreensão do processo de difusão e consagração do romance no Brasil passa pela análise em torno de sua publicidade. Este trabalho, ainda em andamento, é financiado pela FAPESP.Palavras-chave: Romance, História da Leitura, Século XIX, Rio de Janeiro, História dos livros

9- TEIXEIRA E SOUSA – A TRAJETÓRIA DE UM DOS PRIMEIROS PROSADORES BRASILEIROS. Hebe Cristina da Silva - NICAMP/FAPESP.
A trajetória pessoal de Teixeira e Sousa, assim como as narrativas que publicou, são exemplificativas das dificuldades e soluções encontradas pelos escritores brasileiros que participaram da criação do romance brasileiro. Em meio ao sucesso da prosa ficcional estrangeira no país, o mulato cabofriense lançou, em 1843, O Filho do Pescador, considerado por muitos críticos o primeiro romance brasileiro. Além de romances, ele produziu peças teatrais, poemas, letras de modinhas, atuou como tradutor e divulgou trabalhos em periódicos de renome da época. Sua relação com o universo letrado deu-se tanto pela atuação como escritor, como pelos trabalhos de tipógrafo, dono de livraria, professor e escrivão, atividades que exerceu para driblar as dificuldades financeiras comuns aos “homens de letras” do período. Palavras-chave: Teixeira e Sousa; romance no Brasil; profissionalização do escritor; romantismo brasileiro

SESSÃO VII - Coordenação: Mara Sophia Zanotto
Dia: 11/07/2007, das 14:00 às 17:00 horas
Local: Faculdade de Ciências Médicas – FCM
Sala: 09

1- AS MÚLTIPLAS LEITURAS DE UM TEXTO. Mara Sophia Zanotto.
Este trabalho tem como objetivo relatar uma investigação empírica, com metodologia qualitativa, sobre a questão das múltiplas leituras de um texto. Pretendo assim fornecer subsídios para o professor trabalhar com a leitura plural em sala de aula, abandonando a prática tradicional baseada na leitura única. A geração de dados teve como instrumento principal o ‘pensar alto em grupo'. A análise de dados se deu sobre os recortes relativos à compreensão de uma metáfora do poema lido.

2- ABORDAGEM INSTRUMENTAL: UM CAMINHO PARA A FORMAÇÃO DO LEITOR. Daniela de Lima, PUC-SP.
Esta comunicação visa a compartilhar uma experiência feita com alunos de uma escola pública em que, dentro de uma perspectiva sócio-histórica (Vygotsky, 1934), procura verificar se a abordagem instrumental contribui para a formação do leitor. Além disso, procuro verificar também, através da metodologia do pensar alto em grupo (Zanotto, 1998), como estou exercendo meu papel enquanto mediadora no processo de ensino-aprendizagem de língua inglesa. As etapas deste trabalho, ou seja, como se deu essa transformação de um leitor não proficiente para um leitor maduro e crítico(Kleiman, 2001; Kato, 1999) fazem parte de uma pesquisa em andamento que, entretanto, já contém alguns resultados que podem ser compartilhados. Palavras-chave: leitor crítico, ESP, mediação

3- O PAPEL DO DOCENTE COMO GERENCIADOR NO PROCESSO E DESENVOLVIMENTO DA LEITURA CRÍTICA. Sandra Regina de Bitencourt Queiroz / PUC-SP.
Este trabalho está inserido dentro do Programa LAEL (Lingüística Aplicada e Estudos da Linguagem), e pretende dentro de uma perspectiva sócio-histórica (Vygotsky, 1984) discutir e compartilhar a vivência de uma atividade de leitura baseada na técnica do “pensar alto em grupo” (Zanotto, 1995) que é uma prática colaborativa em grupo na qual os leitores numa situação face-a-face, partilham, negociam, constroem e avaliam diferentes leituras, ou seja, socializam diferentes significados. A pesquisa inscreve-se na metodologia da pesquisa-ação crítica (Kincheloe, 1991) justificada por uma busca de resposta para problemas que envolvem a minha prática como professora, especialmente com relação ao ensino-aprendizagem de leitura. O objetivo maior desse projeto será pesquisar a atuação do professor, de que forma ele faz a mediação e o gerenciamento na aula de leitura através da metodologia do pensar alto. Este trabalho, ainda em desenvolvimento, já tem alguns resultados interessantes para serem socializados. Palavras-chave: formação de professor, mediação e gerenciamento, leitura crítica

4- FORMAÇÃO DO PROFESSOR LEITOR: UM PROCESSO DE REFLEXÃO. Renata Angélica Pozzetti, PUC-SP.
O objetivo desta pesquisa é investigar a formação do professor de leitura em videoconferência e na prática social de leitura em grupo. Os dados da pesquisa serão constituídos pela videoconferência realizada para professores da rede pública, participantes do Programa Ler e Viver, e na prática social do pensar alto em grupo (Zanotto) com duas professoras concluintes desse curso. Nesta comunicação serão utilizados os dados da videoconferência com o objetivo de detectar a concepção de leitura subjacente a essa formação (Kleiman, 2001; Vygotski, 2001) e como acontece a mediação e interação entre os participantes.Palavras-chave: professor leitor, formação, prática social, pensar alto colaborativamente, protocolo verbal, mediação.

5- ESTRATÉGIAS DE LEITURA E GÊNEROS TEXTUAIS NA FORMAÇÃO DO LEITOR CRÍTICO. Eliane de Fátima Manenti Rangel – UNIFRA.
É imprescindível o desenvolvimento do processo de leitura por meio de estratégias para que os alunos tornem-se leitores críticos e cidadãos atuantes. Desse modo, a presente comunicação tem por objetivo discutir alguns procedimentos que podem ser adotados pelos professores do ensino fundamental e médio, no sentido de desenvolver um trabalho de leitura crítica com diferentes gêneros textuais em sala de aula, o que vem ao encontro da proposta dos PCNs. Os referidos gêneros, retirados de jornais locais e regionais, facilitam a percepção da realidade sócio-política, desenvolvendo, assim, o senso crítico do aluno mediante leitura de textos originais que refletem a própria sociedade. Em suma, a discussão das estratégias de leitura e dos gêneros textuais pretende mostrar recursos lingüísticos empregados nos diferentes gêneros com a finalidade de desenvolver a cidadania do aluno. Palavras-chave: estratégias de leitura, processo de leitura, gêneros textuais

6- LEITURA CRÍTICA DE DIZERES EM CAMISETAS. Marly Krüger de Pesce - Universidade da Regiâo de Joinville – UNIVILLE, Márcia Gomes de Oliveira - Universidade da Regiâo de Joinville – UNIVILLE, Lucinda Clarita Boehm - Universidade da Regiâo de Joinville – UNIVILLE .
Esta comunicação visa compartilhar de uma experiência feita com textos escritos em Inglês e de cunhos preconceituosos, do gênero mensagem, cujo suporte foram camisetas fotografadas ou retiradas da internet durante os anos de 2006/2007. A atividade foi desenvolvida com educadoras voluntárias de uma ONG que objetiva capacitar mulheres. A concepção de linguagem de Bakhtin (1988) norteou o trabalho. Foram desenvolvidas estratégias de leitura baseadas na análise crítica do discurso (Fairclough, 1989, Meurer, 2005, Heberle, 2000) para facilitar a reflexão sobre a questão da (não) violência da linguagem existentes nas camisetas, além da exclusão dos usuários no que se relaciona ao não entendimento dos dizeres em circulação. A proposta, parte de um projeto de extensão em andamento, visa contribuir para a compreensão de como se caracteriza esse gênero textual e para uma atitude mais consciente do significado de camisetas com dizeres em inglês no contexto brasileiro. Palavras–chave: gênero, leitura crítica, (não) violência

7- VIA POÉTICA. Eliana Maria Marques - Prefeitura do Município de Diadema, SP.
Esta comunicação visa compartilhar a experiência vivida na rede de Bibliotecas e Centros Cultural do Município de Diadema com leituras poéticas. São realizadas intervenções poéticas que visam sensibilizar e envolver o leitor em uma atmosfera literária, especialmente preparada com “estações da poesia”. Essas estações configuram-se em instalações contendo objetos que remetem aos textos poéticos, com informações referentes aos autores selecionados. O público é convidado a acompanhar o percurso, interagindo em cada estação à medida que são realizadas leituras e declamações das poesias. Ao final, é oferecido aos participantes um banquete poético regado a livros onde poderão escolher textos para compartilhar novas leituras entre trocas de impressões e conversa sobre a experiência vivida. A Via Poética se propõe ainda, a contribuir para a formação do leitor e ampliação do seu repertório cultural e literário. Palavras-chave: poesia, leitura, difusão cultural, formação de leitores

8- A QUESTÃO DA IDENTIDADE NACIONAL EM MÚSICAS DE CAETANO VELOSO. Janete Barbosa.
A questão da identidade nacional há muito é objeto de estudo na Literatura Brasileira, no entanto, observou-se um segmento ainda pouco explorado e muito rico para o mesmo: a música popular brasileira (MPB). Deste universo foi selecionado o poeta Caetano Veloso e algumas de suas composições, com objetivo de analisar e demonstrar a busca pela identidade nacional. Na análise, além de verificar a presença temática, procura-se refletir acerca de imagens e crenças – passadas e contemporâneas – do brasileiro sobre si mesmo, com o propósito de dar continuidade a estudos já efetuados e estimular novas possibilidades de pesquisas. A presente comunicação é resultante de um trabalho monográfico dividido em duas partes: pesquisas bibliográficas e análise do corpus.  Palavras-chave: identidade nacional, música popular brasileira, Caetano Veloso

9 - DIVERSIDADE NA ADVERSIDADE – ENSINO POR PROJETOS. Ludmila Alexandra dos Santos Sarraipa; Maria Aparecida de Lima Leme; Hector Mauricio Navarro Carrión - Escola do Sítio, Campinas-SP.
O trabalho por projetos tem como objetivo incentivar o aluno a ser autor de suas produções, sendo elas escritas, de expressão artística ou manual com ênfase na elaboração de planos de pesquisa. A experiência da escola relatada neste trabalho data de seis anos, em encontros semanais multiseriados de duas horas e meia, com alunos na faixa etária entre 11 e 14 anos. Nos primeiros projetos tínhamos a problemática voltada para os acontecimentos físicos do perímetro escolar. Depois se partiu para uma abordagem técnico-científica dos problemas sociais referentes aos processos antrópicos, em que as diferentes áreas do conhecimento interagiam transdicisplinarmente. Esta ação nos permitiu vislumbrar o processo de aprendizado por essa via que explorava inicialmente a parte empírica para, à partir desta se chegar à teorias capazes de contemplar várias áreas do conhecimento (Valente, 2006). Palavras-chave: pesquisa; autoria; projetos; transdisciplinariedade e sociedade.

SESSÃO VIII - Coordenação: Natália Kneipp Ribeiro Gonçalves
Dia: 11/07/2007, das 14:00 às 17:00 horas
Local: Faculdade de Ciências Médicas – FCM
Sala: Anfiteatro I

1- PRÁTICAS DE LEITURA – ENTRE EXPERIÊNCIAS DE PROFESSORAS DE EDUCAÇÃO INFANTIL. Selma Martines Peres – Universidade Federal de Goiás
O presente texto tem por objetivo apresentar os resultados de pesquisa de doutoramento sobre práticas de leituras de professoras de Educação Infantil, especificamente creches, do município de Catalão-GO. O trabalho mostra como essas professoras se constituíram e se constituem enquanto leitoras sem com isso buscar o significado da leitura, mas como ela funciona e com o que ela funciona, quais as suas conexões e intensidades. Para isso, a abordagem metodológica da pesquisa pautou-se no trabalho com narrativas de cinco professoras. Compõem as bases teóricas deste estudo autores como: Deleuze e Guatarri, Chartier, Agamben, Larrosa, Butler, Louro, dentre outros. O texto apresenta algumas considerações acerca das experiências de leitura das professoras colaboradoras, perpassando por protocolos, imperativos, linhas de fuga e de desterritorialização.  Palavras-chave: práticas de leitura, narrativas de professoras, leitora.

2- PRÁTICA DE LEITURA: A ESCUTA DE PINÓQUIO. Carolina Gonçalves - UNESP/Rio Claro; Maria Augusta Hermengarda Wurthmann Ribeiro - UNESP/Rio Claro.
Esta pesquisa tem como objetivo experienciar o processo de escuta no campo da leitura, criando um espaço social em um ambiente escolar no qual seja compartilhada a leitura/escuta do clássico As aventuras de Pinóquio, de Collodi (2002) com crianças de 7 e 8 anos. Como justificativa, percebe-se que a escola, em sua preocupação com a alfabetização, atribui um valor extremado à escrita, em detrimento da oralidade na formação da subjetividade. Proponho como metodologia a leitura compartilhada e a observação participante, com registros dos encontros em Diário de Campo. A forma de análise dos dados será baseada em minha escuta enquanto experiência (Larrosa) dos encontros com os alunos (o vivenciado), documental (o Diário de Campo) e à luz dos estudos nos campos da história da leitura e da história cultural, com Roger Chartier, estabelecendo relações com a oralidade como prática cultural, pedagógica e artística. Palavras-chaves: escuta, prática cultural, Pinóquio

3- IDENTIDADES DE GÊNERO NAS NARRATIVAS (MÁGICAS) SOBRE HARRY POTTER. Maria Lúcia Castagna Wortmann - Universidade Luterana do Brasil/RS e Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Fabiana de Brito Pires - Universidade Luterana do Brasil/RS, Isabel Christina Zoppas - Universidade Luterana do Brasil.
Articulamos, neste estudo, campos como a educação, os estudos culturais, os estudos literários e os estudos de gênero para conduzir análises discursivas nos seis primeiros volumes da série de livros infanto-juvenis de J. K. Rowling, que narram as aventuras de Harry Potter. Problematizar identidades juvenis e de gênero (Scott, 1995; Margulis, 1998; Louro, 1999; Reguillo, 2003) marcadas, (re)produzidas e ensinadas nessas histórias, que consideramos atuarem como pedagogias culturais (Giroux, 1995, 2001; Steinberg, 1998), é o objetivo desta comunicação. Indicamos, também, a produtividade dessas histórias em muitas instâncias culturais: para além do cenário da literatura infanto-juvenil, estendendo-se ao cinema, ao marketing, à Internet, às revistas e jornais de ampla circulação e à própria academia.

4- A LEITURA COMPARTILHADA DAS PEÇAS DIDÁTICAS DE BERTOLT BRECHT: CONSTRUINDO SIGNIFICADOS PARA O PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO. Natália Kneipp Ribeiro Gonçalves - UNAR.
Esta comunicação visa a compartilhar uma experiência feita entre a pesquisadora e três professoras que alfabetizam, tendo como base a leitura e discussão das peças didáticas de Bertolt Brecht. Buscou-se compreender as reflexões que essas peças podem trazer ao processo educativo, e, mais especificamente, à práxis pedagógica desenvolvida no processo de alfabetização, por meio dos significados produzidos na e pela leitura dessas peças, em uma situação de interlocução (Bakhtin, 2004; Vigotski, 1998; Chartier, 1990). Essa relação de leitura compartilhada das peças, desenvolvida por entrevistas, possibilitou problematizar as concepções de alfabetização das professoras, suas posturas, atividades, objetivos e modos de fazer.
 Palavras-chave: leitura compartilhada, peças didáticas, Bertolt Brecht e processo de alfabetização.

5- "LIBERDADE PELA ESCRITA" E OUTRAS PRÁTICAS DE LEITURA. Neiva Maria Tebaldi Gomes - Centro Universitário Ritter dos Reis - UNIRITTER, Porto Alegre, RS.
Esta comunicação objetiva compartilhar experiências resultantes de práticas de leitura e de escrita desenvolvidas num presídio feminino através do projeto Liberdade pela Escrita (vencedor do concurso Vivaleitura/2006), bem como de outras que envolvem grupos, por razões diversas, afastados do ensino escolar. Enfoca a relação existente entre processos de produção de sentidos e modos de constituição dos sujeitos leitores e/ou produtores de textos. Discute o papel da leitura e da escrita nos processos de inclusão social e de ressignificação da experiência. Sustentam o trabalho concepções que encontram abrigo na lingüística da enunciação, proveniente de Bakhtin, mas outras perspectivas, como as Walter Benjamim e Jorge Larrosa, são invocadas para a compreensão da linguagem que materializa em textos a experiência humana. Palavras-chave: práticas de leitura, produção de sentidos, ressignificação da experiência, inclusão social.

6- EXPERIÊNCIAS DE LEITURA: A LEITURA DAS LEITURAS. Karilene Delgado de Oliveira e Katiane Fuzaro Novaes;  - Instituto de Biociências do Campus de Rio Claro.
As bolsistas relatam a experiência de leitura (Larrosa, 2003) vivida por elas como alunas do 1º ano do Curso de Pedagogia, público do projeto Experiências de leitura em sala de aula (2006) , e ao mesmo tempo como pesquisadoras do mesmo. O principal objetivo do projeto foi a leitura e a discussão de três textos: o ato de ler, A importância do ato de ler, de Paulo Freire (2003); a formação do professor , Sobre a lição, de Jorge Larrosa (2003) e sobre a tessitura da leitura, Tecendo a leitura, de Marisa Lajolo (2000). A metodologia foi a da leitura dos textos em público (Larrosa, 2003) com posterior comentários sobre os mesmos, anotados em Diário de Campo pelas bolsistas. Os resultados são a leitura desses comentários, a leitura das leituras dos textos e a avaliação das bolsistas como participantes da pesquisa, tanto como sujeitos e como quanto colaboradoras. Palavras-chave: Leitura, Textos, Experiências de Leitura, Avaliação.

7- LEITURA: UM CAMINHO PARA O CONHECIMENTO. Suely Barros Bernardino da Silva - EE Nathália Uchoa, Manaus-AM.
A
través desta comunicação, procuraremos compartilhar uma experiência de ensino da leitura, no qual se buscou conscientizar e sensibilizar o professor e pais da importância da prática de leitura para a criança, como forma de aquisição de conhecimento. Buscou-se dar oportunidade para que os alunos sentissem na leitura uma atividade prazerosa, cultural, (in)formativa, interagissem e fossem criativos. Theodoro (1993), nos diz que a leitura é um processo de criação e descoberta, dirigido ou guiado pelos olhos perspicazes do escritor e que a boa leitura é aquela que depois de terminada gera conhecimentos, propõe atividades e analisa valores, aguçando, adensando, refinando os modos de perceber e sentir a vida por parte do leitor. Vigotsky e Bakhtin (1998) afirmam que o diálogo permeia tudo. Percebeu-se a importância da interação entre professor-aluno-pais no processo de incentivo à leitura. Além de outras atividades, os alunos foram levados a uma livraria e biblioteca infantil da cidade, como forma de pô-los em contato com os diversos gêneros textuais, após o que, foi-lhes facultado escolher o gênero de sua preferência. A seguir foram desenvolvidas atividades lúdicas, história em quadrinhos, dramatização, teatro de bonecos, entre outras. Os resultados observados da aplicação do projeto foram significativos, o que levou à ampliação do mesmo. Palavras-chaves: leitura, gênero textual, conhecimento.

8- HISTÓRIAS DE LEITURA E DE LEITORES: REPRESENTAÇÕES E PRÁTICAS. Denise Dias de Carvalho Sousa - Universidade do Estado da Bahia/UNEB.
A sociologia da leitura nos traz algumas reflexões acerca da leitura: ler não é uma prática homogênea, portanto não existem leitores e não-leitores como tendem em classificar algumas estatísticas, mas leitores com formação, gostos, preferências e motivações diferenciadas. Ou seja, cultura, sexo, idade, atividade profissional, lugar social, situação familiar e histórias de leitura diferenciam os leitores: o que lêem, como se aproximam da leitura e os meios de acesso que utilizam para alcançá-la, onde lêem, como manuseiam e tratam o material que lêem, o que fazem com a informação lida, se gostam de ler ou lêem por necessidade ou obrigação. Nessa comunicação socializarei os momentos de discussão vivenciados por mim e mais oito alunos, na disciplina Sociologia da Leitura, no Mestrado de Estudo de Linguagens da Universidade do Estado da Bahia, que, na verdade, é também um lugar de tratar da prática cultural de leitura de leitores comuns em espaços formais e não-formais. Entre os vários autores que se dedicam aos estudos no campo da sociologia da leitura como prática cultural e campo de pesquisa, contribuíram para nossa reflexão autores como: Chartier (1999; 2002), Lahire (2004), Pouline (1988), Fraisse (1997), Márcia Abreu (2006) e Zilberman e Lajolo (2003). Palavras-chave: leitura , leitor , livro , sociologia da leitura

9- BONDE DAS LETRAS: A INCLUSÃO ATRAVÉS DO PENSAMENTO. Ana Paula Degani e Camila Moura. “Organização não-governamental Ação Comunitária do Brasil/RJ”.
A comunicação objetiva apresentar a implementação, a metodologia e os resultados alcançados nas atividades do Projeto Bonde das Letras, promovido pela ONG Ação Comunitária do Brasil/RJ, situada em Cidade Alta, Cordovil. Com o intuito de discutir os recortes institucionais, referentes a gênero(Galeano, 1998), e etnia (Nascimento, 2003) elegeu-se o círculo de leitura como ferramenta metodológica principal, em que os assuntos são discutidos de forma aberta e crítica, (Chauí, 2003) visando o posicionamento do leitor sobre os temas abordados. Os recursos utilizados como motivadores da discussão podem ser: um texto, uma música, um vídeo, ou uma fotografia, O educador assume o papel de mediador das discussões, provocando e conduzindo o público ao debate reflexivo. O resultado desta ação verifica-se através da melhora no rendimento escolar, como também, em produções textuais e práticas leitoras dos educandos. Palavras-chave: gênero, etnia, exclusão, debates.

SESSÃO IX - Coordenação: Kátia Maria Kasper
Dia: 11/07/2007, das 14 às 17 horas
Local: Faculdade de Ciências Médicas – FCM
sala: Anfiteatro II

1- EDUCAÇÃO? FORMAÇÃO? SUBJETIVAÇÃO? – REINVENTAR-SE NA EXPERIMENTAÇÃO, OU DE COMO SE CHEGA A SER O QUE SE É CONTRA O QUE SE É, RINDO DE SI MESMO. Kátia Maria Kasper, UFPR / Curitiba.
Este trabalho apresenta aspectos de experiências singulares de formação, vividas por uma atriz e professora, tal como narradas por ela e estabelecendo conexões com outras vozes, marcadas pela invenção de modos de vida (DELEUZE, 1965). Tais narrativas evidenciam o papel da invenção na construção da subjetividade, apresentando-se também como uma possibilidade de diluir armadilhas identitárias e como uma maneira de lidar com diferenças, ampliando as potências da vida (LAZZARATO, 2000; PELBART, 2003).  Palavras-chaves: experiência, diferença, subjetivação, formação, educação.

2- A LEITURA E A INSTITUIÇÃO ESCOLAR: UMA RELAÇÃO PARADOXAL. Michelle Mittelstedt Devides - EE “Maristela Carolina Mellin” Hortolândia-SP.
O objetivo desta comunicação é evidenciar o verdadeiro ato de ler inserido na sala de aula e sua intrínseca relação com o processo de aprendizagem. Buscando relacionar abordagens teóricas de Bakhtin e Vygotsky, para fundamentação da análise deste trabalho, é pertinente ressaltar a importância da relação que ocorre com a leitura como instrumento facilitador, capaz de promover a autonomia do sujeito, considerando os aspectos sócio-culturais que o circundam; e de reconhecer o papel da escola e do professor como mediadores nesse processo, a fim de tentar evitar o fracasso escolar. Palavras-chave: leitura, ensino-aprendizagem, papel do professor.

3- O SILENCIADO E O NÃO-DITO NAS “ETIQUETAS” CULTURAIS EXPRESSA NOS SABERES DOS PROFESSORES. Sônia da Cunha Urt - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.
A escola como espaço de construção de identidades e as práticas pedagógicas promovem o convívio das diferenças culturais e estão presentes na linguagem e na cultura escolar. A partir do discurso da multiculturalidade desenvolvemos um projeto de pesquisa com o objetivo de oferecer contribuições ao entendimento da diferença presente no espaço escolar. Buscamos verificar nos discursos dos professores de Escolas Pantaneiras e Escolas de Assentamentos experiências que não reproduzissem padrões de exclusões itinerantes em cenário multicultural. A análise dos depoimentos nos permitiu apontar a necessidade da formação cultural das (os) professoras (es) apontando e compreendendo as diferenças expressas nas imagens e simbologia da cultura escolar. Palavras-chave: saberes escolares – diferenças culturais – professores

4- ENTRE UTOPIAS E SOBRESSALTOS: A MULHER-PROFESSORA EM SEU TRABALHO COTIDIANO. Fabiana Furlanetto de Oliveira Pavanelli, Secretaria de Estado da Educação – Diretoria de Ensino Região de Piracicaba – Piracicaba-SP
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Nesta comunicação, pretendo apresentar um evento discursivo de minha dissertação de mestrado, em que uma mulher-professora compartilha, pela interlocução com outras mulheres-professoras, os dilemas do exercício da docência e de sua condição de mulher que trabalha. Com olhar guiado pelas perspectivas histórico-cultural (Vigotski) e enunciativo-discursiva (Bakhtin) e os conceitos de experiência e de narrativa em Benjamin, bem como ancorada metodologicamente no paradigma indiciário de Ginzburg, busquei trazer à baila: os diferentes caminhos pelos quais se chega à docência, a desvalorização do magistério, os compromissos, as utopias, as rupturas insignificantes, os sobressaltos, os limites, as possibilidades e as experiências cotidianas, pequenas e anônimas, de uma mulher-professora com suas leituras acerca da vida, da escola e de seu insistente desejo de continuar professora. Palavras-chave: mulher-professora, trabalho, utopias, sobressaltos.

5- LEITURA EM SALA DE AULA DE LÍNGUA PORTUGUESA. Diego Roberto dos Santos/UNIVAP; Elaina Ferreira Miguel/UNIVAP; Mariangela Gifoni Tierno/UNIVAP e Roberta Valentini Moreira Sodero Victório (Univap).
Este trabalho pretende analisar as concepções de leitura em língua materna do ponto de vista de alunos da educação básica e, a partir dessas visões, apresentar práticas leitoras baseadas em uma concepção crítica da leitura. Foi feito um questionário com alunos do Ensino Fundamental e Médio de escolas públicas com o objetivo de conhecer melhor suas idéias sobre o assunto. O referencial teórico adotado para análise foi embasado em textos de Ezequiel Teodoro da Silva, pois partilhamos de sua visão de que a leitura crítica precisa ser ensinada e incentivada e é através dela que o sujeito vai refletir e contestar as idéias dos textos. Os resultados revelaram que os discentes ainda têm uma concepção de que ler é decodificar palavras e/ou unidades lingüísticas maiores. Nesse sentido, faz-se necessário introduzir aos alunos outra(s) visão(oes) de práticas leitoras, sendo que, no nosso caso, foi a leitura crítica. Palavras-chave: concepções de leitura, leitura crítica, papel do professor, ponto de vista do aluno.

6- A RELAÇÃO DIALÓGICA ENTRE PROFESSOR-ALUNO: A INTERFACE ENTRE O REAL E O FICCIONAL. Lucimara Maluf; César Donizetti Pereira Leite - UNESP – Rio Claro-SP.
Este trabalho faz parte de uma pesquisa em andamento, em que o tema Exclusão e Inclusão, têm recebido especial atenção nas últimas décadas de pesquisadores de diferentes áreas que circulam o universo da Educação. A partir de uma situação real de Estágio Supervisionado em Prática de Ensino – Psicologia, pôde-se viver uma situação em que questões dessa ordem puderam ser tratadas a partir de um enfoque onde a questão do “fracasso” pode ser pensada a partir de um olhar de “sucesso”, uma vez que como Calvino (1990) coloca, existe uma necessidade de mudar “de ponto de observação”, uma vez que as relações professor – aluno passaram a ser vistas com outro olhar, outra lógica, outros meios de conhecimento. O desenvolvimento desta discussão terá como ponto de partida não só situações reais de sala de aula, como também os enredos da cena do filme “Dançando no Escuro”, procurando traços paralelos entre o real e o ficcional de modo a buscar indícios para pensar a Educação e suas práticas educativas em escola. Palavras-chaves: práticas educativas, professor, aluno.

7- POSICIONAMENTOS DO SER PROFESSORA MEDIADA PELA LEITURA DA NOVELA E DO FILME BRASILEIRO. Fabrícia Teixeira Borges - Universidade Tiradentes (UNIT)- SE.
O estudo teve como objetivo descrever e analisar a construção dos significados do Ser professora mediados pela leitura de episódios, apresentados às participantes, de personagens e imagens de professoras das novelas/filmes brasileiros. Pretendeu-se investigar como as relações dialógicas entre as mídias e as professoras entrevistadas contribuem para os posicionamentos do Self e como estas relações se atualizam em suas formas de agir em sala de aula e na relação com seus alunos. Acreditamos que as formas como as personagens de professoras aparecem nas novelas/filmes refletem uma imagem pré-concebida do brasileiro em relação às mulheres em suas atividades de ensinar, ser mulher e ser mãe. Ao entrar em contato com estes personagens cada um cria e recria novas formas de agir e de se posicionar em seus contextos de atividades, muitas vezes podendo ou não reagir com posturas reflexivas. Palavras-chave: professoras, mulheres, leituras, novelas, filmes.

8- LEITURA LITERÁRIA NA ESCOLA: UTOPIA, REALIDADE E EXCLUSÃO. Felipe Oliveira de Paula, Universidade Federal de Viçosa; Elisa Cristina Lopes, Universidade Federal de Viçosa.
Este trabalho é fruto de um projeto de extensão desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Viçosa e uma escola pública da periferia do município de Viçosa/MG e tem como proposta descobrir novos caminhos de aproximação entre aluno e texto, através da leitura literária. A leitura é entendida aqui como uma questão de grande potencial mobilizador da sociedade, por permitir o imbricamento entre o lúdico e o conhecimento sistematizado sobre a realidade, subsidiando a formação de sujeitos plenos, sensíveis, críticos e cidadãos. Assim, pretende-se, valorizar e incentivar a leitura literária, partindo da interação que a escola propicia, além de favorecer o restabelecimento do contato efetivo entre indivíduo e texto. Destarte, tal como Antonio Cândido (1995), acreditamos que do mesmo modo que todas as pessoas têm, ou deveria ter, o direito à comida, casa, saúde, instrução, também teria o direito “a ler Dostoievski ou ouvir os quartetos de Beethoven”. Contudo, para a classe economicamente menos favorecida, não basta introduzi-la ou apresentá-la à literatura conforme se tem feito, é preciso trabalhar essa aproximação de modo a respeitar as diferentes realidades culturais. Palavras-chaves: leitura literária; exclusão; escola; formação de leitor.

9- A FUNÇÃO TERAPÊUTICA DA LEITURA. Edna Maria Rangel de Sá Gomes/ UFRN.

O presente trabalho se propõe discutir e divulgar os resultados do Projeto Leitura Além da Sala de Aula, fundamentado na biblioterapia. A função terapêutica da leitura admite a possibilidade de a literatura proporcionar a pacificação das emoções e do texto literário, portanto, operar no leitor e no ouvinte o efeito de placidez, já que a literatura possue a virtude de ser sedativa e curativa. O citado projeto é desenvolvido, há cinco anos, em três espaços: Hospital Infantil Varela Santiago; O Abrigo de idosos Juvino Barreto e o Complexo Penal João Chaves, ala Feminina, todos em Natal, no Rio Grande do Norte. A primeira fase do projeto é a fase de embasamento teórico metodológico. A segunda, é a aplicação prática do projeto, que acontece nos três núcleos de aplicação supra citados, com a participação de 64 alunos, distribuídos entres os núcleos, e resultados satisfatórios.

SESSÃO X - Coordenação: Tatiane Cosentino Rodrigues
Dia: 12/07/2007, das 09:00 às 12:00 horas
Local: Faculdade de Ciências Médicas – FCM
Sala: 03

1 - “COR DE PELE NÃO É SÓ ESPELHO, É CONSCIÊNCIA” – SENTIDOS DA DIFERENÇA PARA ALGUMAS PROFESSORAS DOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL. Cláudia Hernandez Barreiros - PUC-Rio e CAp/UERJ.
Nesta comunicação, apresento um recorte de minha tese, abordando os sentidos que a palavra diferença tem ganhado nos processos de formação de professoras/es e os sentidos que algumas professoras atribuíram à mesma palavra em entrevistas que me foram concedidas numa escola da rede municipal do Rio. Percebe-se como esses sentidos dialogam com os marcos da construção do discurso no campo pedagógico brasileiro abordado por Candau & Leite (2005) e a forte influência da psicologia a ressaltar os processos de desenvolvimento e o atendimento às individualidades. Múltiplos, porém, são os sentidos que a palavra diferença pode ganhar e tem ganhado na escola. Bakhtin (1992) já nos ensinou que a palavra é um signo neutro, uma arena onde se trava uma luta de sentidos. Cabe-nos, como educadoras/es críticas/os, nos empenharmos em não fazer calar sentidos dissonantes, lutando em favor das minorias que têm sido excluídas da cidadania plena. Palavras-chave: diferença, multiculturalismo crítico, interculturalismo.

2- LEITURAS LITERÁRIAS E A REPRESENTAÇÃO DO NEGRO: LITERATURA, EXCLUSÃO E DESVELAMENTO DO HOMEM. Luciane Nunes da Silva - Universidade Estácio de Sá/ UERJ.
A prática da leitura literária em sala de aula constitui um dos elementos que podem legitimar ou problematizar e desconstruir paradigmas homogeneizadores a respeito da cultura, dos comportamentos e de um ideal de homem. Tradicionalmente nas escolas brasileiras, por influência da história literária e da crítica acadêmica, estabeleceu-se uma espécie de “cânon” , inspirado no conjunto de obras canonizadas e reconhecidas por especialistas como representativas da “literatura brasileira”. Nesse conjunto de textos considerados obrigatórios, quase oficiais, observa-se, não raramente, a presença de estereótipos relativos à representação do afro-descendente. O presente trabalho pretende refletir sobre a literatura, sobre os modos de representação da realidade, das culturas e do homem nos textos literários e sobre as limitações, os desafios e perspectivas referentes à prática da leitura na escola.

3- HISTÓRIAS DE LEITURA, HISTÓRIAS DE VIDA: UM OLHAR REFLEXIVO SOBRE AS PRÁTICAS LEITORAS QUILOMBOLAS. Ilmara Valois Bacelar Figueiredo Coutinho - UNEB -UFBA.
Esta comunicação parte do pressuposto de que o estudo das práticas culturais de leitura tem significado uma possibilidade ímpar de reflexão sobre a maneira como lemos os materiais caracterizados como o patrimônio cultural de nossas comunidades (Abreu, 2001; Soares, 1998; Silva, 2002; Rettenmaier, 2004). Faz parte de uma pesquisa, em andamento, que busca discutir a trajetória do leitor quilombola, visando descortinar aspectos essenciais do ato de ler e suas implicações político-culturais, a fim de que as armadilhas do preconceito sejam questionadas e se concretize a descoberta de novos conceitos, relações e entendimentos sobre a trajetória leitora desses grupos que, unidos pelas práticas culturais e simbólicas de problematização de suas identidades, lutam por mudanças urgentes no modelo de sociedade pretensamente democrático. (Figueiredo, 2005; Hall, 2003). Palavras-chaves: práticas leitoras, identidades, quilombos, democracia

4- ODORES, DORES E MEMÓRIA DE PERTENCIMENTO AO SABOR DE UMA PITADA DE AFRICANIDADE. Selma Maria da Silva - Colégio Estadual João Alfredo, Rio de Janeiro, FAETEC – Rio de Janeiro- RJ e UERJ – Faculdade de Educação da Baixada.

Esta reflexão tem como foco o pensar a escola (Chauí, 2002), particularmente a pública, como um espaço de tensão, para onde convergem diferentes perspectivas de pertencimento étnico, o qual compreendemos como um espaço privilegiado para o exercício da cidadania em seu sentido pleno, entretanto, temos em nossa memória uma prática cidadã estratificada a tipificar graus e estratos sociais de existência cidadã. Incidimos nossos sentidos de análise sobre a disciplina “Escola, espaço político pedagógico”, ministrada nos anos de 2006 e 2007, cujo mote dialógico foi “memórias da minha vida escolar”, temperada pela ótica da africanidade. O olhar para o passado revelou a vida escolar de alunos, hoje professores em processo de formação profissional. Palavras-chaves: escola - cidadania – memória – etnia - africanidade

5- RAÇA E GÊNERO NA FORMAÇÃO DA NAÇÃO BRASILEIRA. Tatiane CosentinoRodrigues e Sheila Abadia R. Carvalho, UFSCar.
O trabalho tem como objetivo aprofundar as discussões sobre a intersecção entre raça e gênero. Neste intuito recupero, num primeiro momento a leitura crítica elaborada por Nancy Stepan (1994) sobre o papel da analogia na teoria científica dos séculos XIX e XX que ligou raça ao gênero resultando num processo de racialização do gênero e “generificação” da raça e concluo num segundo momento, com uma análise da intersecção entre as duas categorias no Brasil, que está fundamentalmente relacionada à definição de identidade nacional, à consolidação da idéia de povo brasileiro. Palavras-chaves: raça, gênero, intersecção, nação

6- A LEITURA DA CULTURA NEGRA POSSIBILITANDO A CONSTRUÇÃO E VALORIZAÇÃO DE IDENTIDADES. Valéria Aparecida Algarve. ASSER – Rio Claro/SP e Colégio Puríssimo Coração de Maria - Rio Claro/SP.
Esta comunicação tem por objetivo mostrar os resultados de uma pesquisa de mestrado, que possibilitou que crianças brancas e negras, de uma 4ª série de escola pública de São Carlos, tivessem contato com diferentes leituras da cultura negra, seja por meio de livros de literatura infantil, que traziam personagens e histórias de valorização dessa cultura, seja por imagens, músicas, danças, fotografias, textos, objetos e experiências de vida que mostram a importância do negro na construção da sociedade, de uma cultura e de uma história, permitindo, assim, que crianças negras