III Seminário “Leitura, Escola, História”

SESSÃO I
História da escola, do impresso e da leitura
Coordenação: Francisco Alencar de Sousa
Dia: 11/07/07, das 14:00 às 17:00 horas

01 - Instituições que educam: espaços e tempos escolares. Francisco Alencar de Sousa, Universidade da Cidade de São Paulo, Unicid.
Esta comunicação visa a compartilhar, parte dos resultados de uma pesquisa de Doutorado, defendida em 2006, com o título `Os tempos do Império: uma análise da Reforma do Ensino Livre de 1879`. Assim, o principal objetivo desta comunicação `Instituição que Educam: espaços e tempos escolares` consiste em analisar o processo de construção dos espaços escolares, ou seja, de um lugar para ser escola. Considerou-se também o lugar que a escola passou a assumir no conjunto das instituições que iam sendo criadas e reordenadas no processo de reordenação da própria sociedade. Assim, a escola será analisada no que se refere as atribuições a ela conferida, em relação a outras instituições, como institutos comerciais, institutos dos meninos cegos, institutos de surdos e mudos, asilos e paróquias,pois à essas instituições, assim como às escolas, eram atribuídos papéis semelhantes. O ponto de partida implica em compreender que à escola, como às demais instituições citadas acima, eram atribuídas a função de formar um sujeito para compor a nova nação brasileira.
02 - Práticas de leitura e escrita, formação integral no Grupo Escolar “Padre Anchieta” (1956-1963) - Adriana Aparecida Alves da Silva, Universidade de Sorocaba, Uniso.
Esta comunicação tem por objetivo discorrer sobre as práticas de leitura e escrita do Grupo Escolar "Padre Anchieta" em Pilar do Sul - SP, no período referente a 1956-1963, que visava, segundo registros encontrados nos arquivos dessa instituição escolar, a educação integral do aluno. De acordo com as Atas das Reuniões Pedagógicas desse Grupo Escolar, formar o aluno integralmente era mais do que oferecer conhecimento sobre normas de escrita e contagem, era trabalhar noções morais, cívicas e de higiene pessoal e coletiva, seja por meio de campanhas, cantos e festejos cívicos, seja através de atividades de leitura e escrita. (Palavras-chave: práticas de leitura e escrita, educação escolar integral, Grupo Escolar "Padre Anchieta")
03 - A busca de uma didática especial para o ensino da leitura e da escrita: contribuições da formação de professores, Andréia Cristina Fregate Baraldi Labegalini, Universidade Estadual Paulista, Unesp, Marília.
Esta comunicação pretende apresentar resultados de pesquisa de doutorado, vinculada ao Projeto Integrado de Pesquisa "Ensino de Língua e Literatura no Brasil: repertório documental republicano", e ao Grupo de Pesquisa "História do Ensino de Língua e Literatura no Brasil, ambos coordenados pela professora Drª Maria do Rosário Longo Mortatti. Mediante recuperação, reunião, seleção, ordenação e análise de fontes documentais e bibliografia especializada, objetivou-se compreender como ocorria a formação de professores alfabetizadores nos Institutos de Educação do Estado de São Paulo. Os resultados obtidos comprovam a busca de uma didática especial para o ensino da leitura e da escrita. O texto poderá contribuir para o alargamento dos conhecimentos sobre a formação do professor alfabetizador, no Brasil, e, em decorrência, para uma melhor compreensão dos problemas que hoje se enfrentam nesse campo.(CAPES)
04 - A leitura na escola: o CBC e o ensino de leitura em Minas Gerais. Fabiana Fernanda de Jesus Parreira, Universidade Federal de Ouro Preto, UFOP.
Com o intuito de traçar uma relação entre o ensino de leitura - embasado pelo Conteúdo Básico Comum (doravante, CBC) de Português para o Ensino Fundamental, material didático implementado pelo Governo de Minas Gerais, em 2005 - e as diversas políticas educacionais adotadas, mais especificamente, a partir de 1930, o presente estudo se constitui como uma possível leitura do CBC como uma resposta às deficiências de ensino precedentes à sua criação, bem como um ponto de intersecção entre discursos e ideais diversos de educação.O objetivo deste estudo apóia-se na importância de se observar, através de um percurso teórico-histórico das políticas educacionais adotadas no Brasil a partir do período republicano, a existência de propostas pedagógicas em desacordo com as reais necessidades da sociedade, no tocante ao ensino de leitura para as séries de 5a a 8a do Ensino Fundamental. (Palavras-chave: leitura; ensino de leitura; Conteúdo Básico Comum)
05 - A escrituração escolar: leituras de livros de correspondências. Iomar Barbosa Zaia, Universidade de São Paulo, FE,USP.
Entre os livros de escrituração relacionados aos fazeres administrativos da escola encontra-se o livro de correspondências ou copiador de cartas. Este livro de registro de correspondências recebidas e enviadas pela direção da escola possui informações significativas para a compreensão das práticas de organização da instituição de ensino, bem como de práticas pedagógicas. Através da análise de elementos externos da forma documental (suporte, a escrita, a linguagem, os signos especiais, os selos e as anotações) e de seus elementos internos (articulação interna e do conteúdo), é possível compreender as relações entre a escola e as autoridades administrativas e de inspeção pedagógica. Tal análise insere-se nas preocupações da investigação de doutorado em andamento na Faculdade de Educação da USP com o título "Nos bastidores da escola: a importância da correspondência para a compreensão da instituição escolar", sob orientação da profa. Dra. Marta Maria Chagas de Carvalho. (Palavra-chave - Escrituração Escolar, livros de correspondência, tipologias documentais, arquivos escolares)
06 - O ensino da leitura e da escrita no Externato Nossa Senhora Auxiliadora, de Cachoeira do Campo, Minas Gerais (1910-1914). Juliana Goretti Aparecida Braga Viega, Universidade Federal de Minas Gerais, FE,UFMG.
Esta pesquisa busca descrever e analisar o ensino da leitura e da escrita no Externato Nossa Senhora Auxiliadora, criado e administrado por Irmãs Salesianas, localizado em Cachoeira do Campo, distrito de Ouro Preto, entre os anos de 1910 e 1914. A investigação integra pesquisa mais ampla que objetiva, por meio de estudos monográficos, reunir elementos para a construção de uma história da cultura escrita no Brasil, no século XIX e nas primeiras décadas do século XX. Para a análise do ensino da leitura e da escrita realizamos o estudo do currículo, dos materiais didáticos, da avaliação e das características sócio-culturais da população atendida, assim como os ideários pedagógicos e metodológicos salesianos. São utilizadas fontes como as crônicas escritas pelas Irmãs, relatando seu cotidiano e práticas de ensino, fotografias da instituição e dos alunos, memórias de professores e ex-alunos, documentação gerada pela instituição e dados sócio-demográficos. (Palavras-chaves: história da leitura e da escrita - história das instituições escolares - história das disciplinas escolares)
07 - Ensino de leitura na Escola Modelo Barão de Melgaço, em Cuiabá - MT (1910-1930). Lázara Nanci de Barros Amâncio, Universidade Federal de Mato Grosso, UFMT.
Apresentamos alguns aspectos de uma pesquisa no âmbito da História da Alfabetização que investiga práticas de ensino de leitura na Escola Modelo Barão de Melgaço, em Cuiabá-MT, nas primeiras décadas do século XX. Criada no bojo da reforma da instrução pública, em 1910, essa escola tinha como função precípua ser campo de aplicação da prática de ensino da Escola Normal. Os procedimentos teórico-metodológicos usados foram os pertinentes às pesquisas de fundo histórico, privilegiando os concernentes à História Cultural (Chartier,1990, Burke, 2005). Foram analisadas fontes documentais de caráter oficial como regulamentos da instrução pública e programas de ensino. O recorte e os resultados parciais dessa pesquisa em andamento, que ora socializamos, enfoca o Programa de Ensino da Escola Modelo (1924) e suas repercussões no ensino da leitura, relacionadas à escolha de métodos e práticas desenvolvidas nas escolas da época. A análise mostrou contradições entre prescrições legais e práticas de ensino de leitura. (Palavras-chaves: História da Alfabetização, métodos de ensino de leitura)
08 - Os colégios jesuíticos e suas propostas educacionais. Priscila Kelly Cantos e Célio Juvenal Costa, Universidade Estadual de Maringá, UEM.
Esta comunicação está inserida no campo de História da Educação e objetiva fazer algumas considerações acerca das propostas de colégios jesuíticos pensadas no século XVI no que tange ao território português. Dentro deste tema será destacado, sobretudo, como se deu a fundação desses, bem como seu funcionamento em termos de disciplinas, método pedagógico e organização administrativa. Para descrever tais propostas, os procedimentos empregados enfatizam a chegada da Companhia de Jesus em Portugal e sua história educacional junto a esta nação, utilizando como fontes principais de pesquisa os quatro volumes da obra de Francisco Rodrigues (História da Companhia de Jesus na Assistência de Portugal) e manuais de História da Educação. (Palavras-chave: História da Educação; Colégios Jesuíticos; Método Pedagógico; Portugal)
09 - As escolas comunitárias étnicas entre imigrantes italianos no Rio Grande do Sul. Terciane Ângela Luchese, Universidade do Vale dos Sinos, Unisinos, Universidade de Caxias do Sul, UCS.
O objetivo deste artigo é reconstruir brevemente a história das escolas étnicas da chamada Região Colonial Italiana no Rio Grande do Sul. Considerando os contextos culturais, sociais, políticos e econômicos que permeiam a trama histórica dos processos de imigração, em especial de italianos para o Rio Grande do Sul a partir de 1875, o foco de análise abrange o final do século XIX e início do século XX, momento em que houve maior participação e importância desta forma de escolarização. Entendo como escolas comunitárias étnicas aquelas 'aulas' criadas por iniciativa dos próprios imigrantes, que ministravam aulas em italiano (dialetos) e que, em sua maioria, recebiam subsídio material (livros didáticos) da Itália. Utilizando fontes historiográficas diversificadas o artigo privilegia a análise desta iniciativa ímpar de organização escolar, procurando contribuir para o conhecimento da história da educação brasileira. (Palavras-chave: etnia, imigrantes italianos, escolas)

SESSÃO II
História da escola, do impresso e da leitura
Coordenação: Rita Filomena Andrade Januário Bettini
Dia: 11/07/07 – 14:00 às 17:00 horas

01 - Análise do discurso ideológico presente na obra de Charles Perrault. Rita Filomena Andrade Januário Bettini, Universidade Estadual Paulista, Unesp.
O início da literatura infantil universal é demarcado pela publicação do livro "Contes de Ma Mère l' Oye" (Os Contos de Mamãe Gansa) de Charles Perrault na França em 1697, estando esta sociedade imersa em conturbações e contradições devido aos conflitos entre o Estado e a nascente classe burguesa, desejosa de poder e prestígio. Por meio das categorias propostas pelo método histórico dialético, objetiva-se desmascarar as ideologias presente nos contos de Perrault, e quais influências de cunho social a internalização destes valores proporciona aos indivíduos. (Palavra Chave: Literatura Infantil, Ideologia, Narrativa Oral)
02 - Bastidores da produção da coleção Biblioteca das Moças. Cíntia da Silva Lang, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC-SP.
Esta comunicação tem como objetivo apresentar o estudo da organização e composição da Biblioteca das Moças, coleção de romances publicada entre 1920 e 1960 pela Companhia Editora Nacional (CEN); a partir das fichas de registro da edição e por meio dos gráficos elaborados durante o trabalho, foram analisadas as décadas que correspondem ao período de publicação da coleção com o intuito de verificar quais obras, autores e quantidade de títulos que foram escolhidos para sua composição. Esta pesquisa é parte integrante de um projeto ainda em desenvolvimento, sobre as práticas de leitura destes romances e suas contribuições para a formação do seu público leitor, sendo uma produção pertencente à história cultural. (Palavras-chaves: biblioteca das moças, coleção, romance, práticas de leitura)
03 - Literatura infantil entre 1940 e 1960: a produção de Lourenço Filho. Estela Natalina Mantovani Bertoletti, Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, UEMS.
Buscando contribuir para a produção de uma história específica da literatura infantil e juvenil brasileira, a presente comunicação objetiva compreender e explicar a produção de e sobre o gênero do educador brasileiro Manoel Bergström Lourenço Filho, publicada no período de 1940 a 1960. Mediante procedimentos de localização, recuperação, reunião, seleção e ordenação, desenvolveu-se pesquisa documental e bibliográfica, com análise da configuração textual dos documentos eleitos como corpus. Após essa análise, concluiu-se que em sua produção de e sobre literatura infantil e juvenil, Lourenço Filho funda uma tradição, característica de uma determinada época, que serve de referência a seus pósteros, influenciando sobremaneira a produção do gênero até os dias atuais. Este trabalho, resultado de tese de doutorado desenvolvida junto ao Programa de Pós-Graduação em Educação na UNESP/Marília, dentro do Grupo de Pesquisa "História do Ensino de Língua e Literatura no Brasil", embora enfoque o passado, em muito pode contribuir para o enfrentamento dos problemas do presente e construção do futuro da literatura infantil e juvenil em nosso país.
04 - Práticas de leitura nos grupos escolares: a biblioteca escolar. Luciene Soares de Souza, Universidade de São Paulo, FE, USP.
Este trabalho busca identificar a circulação de livros dentro dos Grupos Escolares de São Paulo no período de 1890 a 1920. A partir do seu papel na formação de professores dentro da escola primária, procura-se identificar a existência e natureza de um espaço de leitura: a biblioteca escolar. Examinando a evolução e os retrocessos, as permanências e as descontinuidades na constituição de um espaço de leitura específico de suporte a professores pretende-se compreender essas práticas no contexto educacional das primeiras décadas da República no Brasil. Analisar os debates, confrontos e apoios relacionados à instalação, manutenção e finalidades da biblioteca escolar, permite-nos entender a sua função, seu uso social e suas práticas de leitura, para verificar a importância dos livros e de um espaço de leitura na cultura escolar. (Palavras-chave: Grupos Escolares; bibliotecas escolares; formação de professores; cultura escolar)
05 - Os jesuítas e a contra-reforma: contribuições para a história da leitura no Brasil-Colônia. Marcos Roberto de Faria, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC-SP.
Este trabalho visa oferecer uma contribuição para a história da leitura no Brasil-Colônia na direção de situar e especificar a prática jesuítica no ambiente da Contra-Reforma. Para tanto, analisa-se a gênese de uma cultura escolar que se faz necessária a partir da Reforma Protestante (JULIA, 1995 e 2002; HÉBRARD, 1990 e 2000) e ressalta-se questões político-teológicas e a circulação de um padrão culto de leitura no período (HANSEN, 2001 e 2002). Nesse sentido, destaca-se a importância do Concílio de Trento e do Ratio Studiorum, a fim de adentrar no mundo do colégio jesuíta através do que se lê e se ensina. Assim, pretendeu-se ressaltar a importância dos condicionantes históricos de uma prática situada em um período de lutas, como foi a prática jesuítica em terras brasílicas. (Palavras-chaves: Leitura, jesuítas, Contra-Reforma, colônia.)
06 - “Leituras úteis” sobre a infância. Almanaques de farmácia e guias maternos brasileiros – 1920 a 1950. Maria das Graças Sandi Magalhães, Universidade Estadual de Campinas, Unicamp.
A pesquisa utiliza como fontes almanaques de farmácia, guias e manuais de saúde e puericultura, publicados no Brasil entre as décadas de 1920 a 1950. Diferentes concepções de leituras úteis são discutidas no texto, a partir da análise da produção e circulação desse tipo de impresso, da Europa moderna ao Brasil da primeira metade do século XX. As representações sobre a maternidade e as orientações relativas aos cuidados com a infância foram elementos que qualificaram almanaques e guias maternais e de saúde como publicações com uma intenção educativa, além do interesse publicitário ou editorial, e que se inserem em um discurso civilizatório, apropriado também por setores do Estado, dos intelectuais e do empresariado brasileiros nesse período. (Palavras-chaves: Impressos - Infância - Maternidade - Educação)
07 - A recepção escolar da obra lobatiana contada por cartas. Raquel Afonso da Silva, Universidade Estadual de Campinas,IEL, Unicamp.
A comunicação "A recepção escolar da obra lobatiana contada por cartas" tratará, por meio da correspondência de leitores infantis de Monteiro Lobato (1882-1948), da recepção e apropriação da obra infantil lobatiana no interior da instituição escolar, nas décadas de 1930 e 1940. As cartas em questão fazem parte do Acervo Raul de Andrada e Silva, arquivado no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP. As correspondência documenta os diferentes lugares e modos de circulação da obra infantil de Lobato, possibilitando entrever como se deu a entrada destes livros na Escola, instituição intimamente vinculada à produção e circulação da literatura infanto-juvenil. As formas de contato dos leitores com o autor e a obra, sob a mediação da Escola, também integram a temática destas cartas, ricas, além disso, em descrições de práticas de leitura cultivadas no período histórico em questão. (Palavras-chave: Monteiro Lobato, Correspondência, Leitores, Leitura, Escola)
08 - Ciência, arte e vida: Fernando de Azevedo, Cecília Meireles e a literatura infantil na década de 1930. Rosângela Veiga Júlio Ferreira, Universidade Federal de Juiz de Fora, UFJF.
A promoção do hábito de leitura foi tema caro a muitos intelectuais brasileiros na década de 1930, dentre eles destacamos Fernando de Azevedo e Cecília Meireles. Esses intelectuais deixaram importantes registros, como conferências e crônicas jornalísticas, sobre a qualidade dos livros disponíveis para a infância, assim como estratégias para conquistar o interesse dos potenciais leitores. Defendiam a idéia de que o livro representa uma rica fonte de sugestões e estímulos capazes de determinar reações no âmbito vital da criança, que seria instrumento para enriquecimento da experiência humana. Em linhas gerais, podemos dizer que esses intelectuais se aproximam no que se refere à possibilidade de unir ciência, arte e vida ao processo de elaboração do livro infantil. (Palavras-chave: Literatura Infantil - Ciência - Arte - Vida)
09 - Um espaço para ler e viver: práticas de leitura na seção infantil Érico Veríssimo da Biblioteca Pública Pelotense. Vivian Anghinoni Cardoso Corrêa e Elomar Tambara, Universidade Federal de Pelotas, UFPel.
Essa comunicação tem por objetivo compartilhar os dados obtidos na pesquisa "Uma dádiva da Biblioteca Pública Pelotense aos seus leitores de um palmo e meio": a Seção Infantil Érico Veríssimo (1945-1960) desenvolvida junto ao Curso de Mestrado em Educação da FaE-UFPel. A Seção Infantil Érico Veríssimo, estruturada a partir de 1945 na Biblioteca Pública Pelotense foi, durante várias décadas, um centro cultural para a infância pelotense. Nesse espaço, além do empréstimo de livros, outras atividades que contemplavam a leitura eram desenvolvidas, tais como a hora do conto, o jornalzinho Mundo Infantil e o grupo de teatro da Seção Infantil. Esse trabalho tem por objetivo analisar essas diferentes práticas de leitura e sua relação com os objetivos da Seção Infantil através de uma análise histórica (Chartier & Hébrad, 1995 e Vidal 1999, 2003, 2004). (Palavras-chave: biblioteca infantil - história da leitura - práticas de leitura)

SESSÃO III
Imprensa e educação.
Coordenação: Nelson Schapochnik
Dia: 11/07/07 – 14:00 às 17:00 horas

01 - Leituras para o povo entre a instrução, a informação e o deleite: o caso das Bibliotecas Populares. Nelson Schapochnik, Universidade de São Paulo, FE, USP.
Esta comunicação aborda a instalação em meados dos anos 70 do século XIX, de uma nova base institucional de leitura, denominada de biblioteca popular. A implantação destas bibliotecas em diversos pontos do império partiu tanto da iniciativa oficial dos presidentes de província e das autoridades municipais, como também da mobilização de grupos e associações particulares como a maçonaria, clubes republicanos e simpatizantes do abolicionismo. Elas foram idealizadas a princípio para a instrução e visavam garantir o acesso à cultura impressa, sobretudo ao livro formativo, suplementando os deficientes repertórios das bibliotecas escolares e o das diminutas bibliotecas privadas dos profissionais. Mas não só. Ela também era vista como uma instituição moralizadora e civilizadora, quer pelos seus conteúdos intrínsecos, quer pelas potencialidades decorrentes da complementação da instrução elementar, favorecendo a difusão da leitura in loco ou ainda ampliando o círculo de leitores por meio do empréstimo domiciliar.Serão abordadas algumas diretrizes políticas que orientaram a implantação destas bibliotecas, as relações entre o público e o privado na difusão de um espaço que proporcionava simultaneamente instrução, informação e deleite, bem como, o flagrante desencontro entre as figurações e discursos sobre a "leitura popular", e os usos e formas de apropriação dos livros por parte dos leitores concretos.
02 - Livros proibidos no Brasil colonial. Ester Fraga Vilas-Bôas Carvalho do Nascimento, Universidade Tiradentes, Aracajú-SE.
Esta comunicação, parte de uma pesquisa que temos desenvolvido, tem o objetivo de investigar a produção e circulação de impressos no Brasil Colonial. Na perspectiva da História Cultural, é possível apreender que o Brasil dos séculos XVI, XVII e XVIII não estava indigente de ciência, apesar da historiografia dos primeiros anos da República produzir uma interpretação carregada de preconceitos. As pesquisas realizadas por Maria Lucia Hilsdorf (2003), Jorge Nascimento (2001), Jorge Araújo (1999), Vilalta (1997) e Frieiro (1981) possibilitam afirmar que existiu uma presença significativa de impressos diversos no Brasil lidos não somente por estudantes e letrados, mas também por um submundo da literatura ilustrada. O recorte temático está pautado teoricamente em Chartier (1990) e Ginzburg (2002). (Palavras-chave: Impressos, Circulação; Escolas; Brasil Colonial)
03 - A alfabetização na imprensa periódica educacional: o caso da revista Educação (São Paulo). Márcia Cristina de Oliveira Mello, Universidade Estadual Paulista, Unesp, Marília.
Neste texto apresentam-se resultados parciais de investigação acerca dos discursos sobre alfabetização veiculados na revista Educação (São Paulo: 1929/1943). A pesquisa sobre alfabetização, ora em desenvolvimento, em nível de doutorado, vem contribuir para a compreensão da discussão que havia sobre o ensino da leitura e da escrita, na revista, em uma época em que as idéias escolanovistas de Lourenço Filho sobre alfabetização foram apresentadas e divulgadas entre os professores paulistas, também, por meio de artigos publicados no periódico. O estudo sistemático dos artigos referentes ao tema de minha pesquisa pode auxiliar na compreensão da mentalidade e das estratégias de divulgação das idéias escolanovistas de Lourenço Filho sobre alfabetização, o que possibilita encontrar elementos da constituição do discurso sobre a alfabetização de um importante momento da história da alfabetização no Brasil. (Palavras-chaves: alfabetização, revista Educação, métodos de ensino da leitura e da escrita, Lourenço Filho)
04 - Leitura Escolar em São Paulo na Primeira República. Márcia de Paula Gregório Razzini, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC-SP.
De um lado, apoiada em pressupostos teóricos da história cultural (Chartier, 1990) e da cultura escolar (Chervel, 1998; Julia, 2001) e, de outro, preocupada em matizar as relações entre a expansão da escola pública primária em São Paulo e a expansão editorial na Primeira República, esta comunicação apresenta resultados parciais de pesquisa de pós-doutorado, centrada no estudo da produção didática da Editora Melhoramentos que, em 1990, comemorou seu centenário. Além de cartilhas e livros de leitura, o trabalho aponta a importância da Biblioteca Infantil, que entre 1915 e 1958 teve cem títulos lançados. Organizada por educadores (no início, por Arnaldo Barreto, depois, por Lourenço Filho) e "destinada à infância" a Biblioteca Infantil, uma "série de contos populares", chegou a ser indicada oficialmente para leitura nas escolas públicas estaduais.
05 - Um estudo sobre Cartilha Proença (1926), de Antonio Firmino de Proença. Monalisa Renata Gazoli, Universidade Estadual Paulista, Unesp-Marília.
Nesta comunicação, apresentam-se resultados parciais de pesquisa vinculada ao Grupo de pesquisa "História do ensino de língua e literatura no Brasil", coordenado por Maria do Rosário Mortatti. Visando à compreensão de um importante momento da história da alfabetização no Brasil, focaliza-se a proposta para o ensino da leitura e escrita apresentada em Cartilha Proença (1926), escrita pelo professor paulista Antonio F. de Proença (1880-1946) e publicada pela Companhia Melhoramentos de São Paulo, até sua 84a. edição, em 1955. Por meio da análise da configuração textual, foi possível constatar, até o momento, importantes aspectos da aplicação do "método analítico" proposto nessa cartilha, utilizada por mais de três décadas para o ensino inicial da leitura e escrita, em escolas de vários estados brasileiros. (Palavras-chave: Cartilha Proença; Antonio Firmino de Proença; ensino da leitura; método analítico; cartilhas de alfabetização; pesquisa histórica em educação)
06 - O uso de cartilha paranaense nas escolas do estado do Paraná. Solange Aparecida de O. Collares, Universidade Estadual de Ponta Grossa, UEPG, PR, E.E. “Profª. Drª. Maria Isabel Moura Nascimento”.
O trabalho proposto deverá fazer o seu recorte no Estado do Paraná, com um levantamento e análise qualitativa da produção da cartilha (paranaense) que circulou no período de 1898/1930 cujo método de ensino da leitura fora adotado oficialmente no Estado. A presente pesquisa tem por objetivo: identificar as categorias que permitam compreender aspectos ideológicos, históricos e editorais de cartilhas utilizadas no Estado do Paraná. E estamos considerando ideologia como Marx assim sistematizava como um conceito pejorativo, um conceito crítico que implica em ilusão, ou se refere à consciência deformada da realidade que se exerce através da ideologia dominante: as idéias das classes dominantes são as ideologias dominantes da sociedade. Para alcançarmos os objetivos propostos para esta pesquisa, serão analisados documentos nos seguintes lugares: Museu Paranaense, Biblioteca Pública do Paraná,
Casa da Memória (Curitiba), Ciclo de Estudos Bandeirantes, Arquivo Público do Estado do Paraná e outros projetos relacionados a pesquisa. (Palavras chaves: cartilha de alfabetização, Estado do Paraná, escritor paranaense, Ideologia)
07 - Necydalus: um jornal de estudantes do Atheneu Sergipense. Valdevania Freitas dos Santos Vidal, Universidade Federal de Sergipe, UFS.
A presente comunicação tem como finalidade analisar as idéias vinculadas nos impressos do jornal "O Necydalus," jornal literário e semanal, pertencente ao órgão dos estudantes, do Colégio Atheneu Sergipense, editado no período de 1909 a 1911. O trabalho fundamenta-se nas idéias de autores como J. Carlos S. Araújo e Mª Helena C. Bastos. Um dos propósitos do jornal era auxiliar os professores daquela Instituição, sobretudo os de português, que viam estes impressos como um caminho para que seus alunos começassem a produzir sua escrita, além de acreditar que seus leitores passariam a se tornar cidadãos mais conscientes. Nesse viés, tentaremos entender através desse veículo impresso quais eram as idéias que circulavam nesses escritos. (Palavras-Chave: Impresso, Educação, História e Atheneu Sergipense)
08 - Um estudo sobre Cartilha Analytica (1909?), de Arnaldo de Oliveira Barreto. Vanessa Cuba Bernardes, Universidade Estadual Paulista, Unesp-Marília.
Nesta comunicação, apresentam-se resultados de pesquisa vinculada ao Grupo de Pesquisa `História do Ensino de Língua e Literatura no Brasil`, coordenado por Maria do Rosário Mortatti. Visando a contribuir para a compreensão de um importante momento da história da alfabetização no Brasil, focaliza-se o método analítico para esse ensino concretizado pelo professor paulista Arnaldo de Oliveira Barreto (1869 - 1925), em Cartilha Analytica, publicada pela editora Francisco Alves (RJ), com 1ª. edição presumivelmente em 1909 e a última, a 58ª., em 1950. Mediante abordagem histórica centrada em pesquisa documental e bibliográfica, analisou-se a configuração textual dessa cartilha, tendo sido possível constatar as principais características do método analítico nela concretizado e sua influência no ensino da leitura e escrita em escolas primárias do Brasil, ao longo da primeira metade do século XX. (Palavras-chave: Cartilha Analytica; Arnaldo de Oliveira Barreto; ensino da leitura; método analítico; cartilhas de alfabetização; pesquisa histórica em educação)
09 - Linguagem na escola primária: um impresso, muitas fal(h)as. Washington Silva de Farias, Universidade Federal da Paraíba, UFPB.
Neste trabalho, apresento uma análise do impresso Linguagem na Escola Primária (MEC, 1962), um guia de orientação para o ensino que teve sua primeira edição em 1934, por iniciativa de Anísio Teixeira, no contexto do escolanovismo. A análise incide sobre a constituição simbólica do impresso e sua re-significação em diferentes momentos sócio-históricos em que foi reeditado. Como unidades de análise utilizei os prefácios de três diferentes edições do impresso reproduzidos na edição de 1962. Este trabalho se fundamenta nos campos teóricos da História da Leitura e dos Impressos e da Análise do Discurso de linha francesa. A análise aponta que, a par de sentidos hegemônicos, os diferentes discursos do material apresentam pontos de resistência/tensão, assinalando diferentes formas de apropriação e, portanto, oferecendo lugares críticos de interpretação. (Palavras-chave: impressos, discurso, cultura escolar)

SESSÃO IV
Imprensa e educação
Coordenação: Maria da Conceição Dal Bó Vieira
Dia: 11/07/07 – 14:00 às 17:00 horas

01 - Jornal e educação: a formação do militante anarquista. Maria Isabel Moura Nascimento, Universidade Estadual de Ponta Grossa, UEPG, e Aracely Mehl Gonçalves, Universidade Estadual de Ponta Grossa, UEPG e Faculdades Integradas de Itararé.
Esta comunicação visa apresentar a pesquisa desenvolvida a partir da análise dos textos referentes à educação, encontrados no jornal paulista "A Plebe", durante os anos de 1917, data da fundação do jornal, até 1927. O jornal anteriormente referido era de cunho anarco-sindicalista e pretendia, além de informar, educar o militante deste movimento social que ganhou importância com a vinda dos imigrantes e com a conseqüente formação do proletariado urbano. Nas folhas do jornal, encontram-se textos que elucidam a forma de pensamento educacional defendida por este grupo. Nesta comunicação serão apresentadas algumas análises já realizadas e que trazem resultados que poderão contribuir para um melhor conhecimento do pensamento pedagógico anarquista presente na sociedade brasileira do início do século XX. (Palavras - chaves: jornal, texto, educação libertária, anarquismo, história da educação)
02 - Referência a materiais de leitura e educação entre os anarco-sindicalistas (1913-1915). Alessandra Caroline Antonio e Dagoberto Buim Arena, Universidade Estadual Paulista, Unesp, Marília.
Esta pesquisa consiste na continuação da investigação dos materiais de leitura e educação contidos na coleção fac-similar do jornal anarco-sindicalista A VOZ DO TRABALHADOR entre 1913-1915, que foi originalmente editado pela Confederação Operária Brasileira (C.O.B.), entre 1908-1915 e publicado em 1985 pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. Numa primeira fase foram investigadas 21 edições, nesta segunda fase estão sendo pesquisadas as 49 edições restantes, de 1913-1915, com o objetivo de encontrar as referências sobre educação, leituras, atividades culturais, jornais nacionais e internacionais, obras e autores recomendados e censurados para a leitura dos operários anarco-sindicalistas brasileiros e de verificar a importância da leitura para os três princípios do movimento anarco-sindicalista: educação, propaganda e rebelião. (Palavras-chaves: anarquismo, leitura anarco-sindicalista, história da leitura)
03 - Métodos de leitura em circulação no jornal A Província de São Paulo. Analete Regina Schelbauer, Universidade Estadual de Maringá, UEM.
O final do século XIX é marcado pela relevância dos métodos de ensino no processo de difusão da escola primária. O método intuitivo, considerado pelos intelectuais da época, como o mais apropriado à educação popular, desencadeia também um amplo debate acerca dos métodos de ensino de leitura com destaque para os métodos analíticos em oposição aos métodos sintéticos. A presente comunicação versa sobre a circulação dos métodos de ensino de leitura nos noticiários, anúncios e artigos publicados no jornal A Província de São Paulo, entre as décadas de 1870 e 1880. Esses registros permitem acompanhar algumas das apropriações que o ensino pelo método intuitivo e analítico recebeu antes que seu uso e prescrição se tornassem consensuais, no período republicano, com as reformas da instrução pública paulista. (Palavras-chaves: métodos de leitura, método intuitivo, escola primária, A Província de São Paulo)
04 - Taubaté: a imprensa e a instrução pública (1894-1902). Christiane Grace Guimarães da Silva, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC-SP.
Esta comunicação tem como objetivo compartilhar uma pesquisa que se propõe a analisar e comparar, lidando com o conceito de representação, as diversas notícias veiculadas nos jornais de Taubaté no período de 1895 a 1902 sobre instrução pública, para compreender de que maneira a elite letrada taubateana encarou as questões educacionais, num período de efervescência política gerada pela implantação do regime republicano, preenchendo assim uma lacuna de conhecimento sobre instalação desse "novo" modelo de educação em Taubaté, prometido pelos republicanos. (Palavras-chaves: Educação e Imprensa, História da Educação, República)
05 - A presença da cultura hispano-americana nos Cadernos de Formação e Educação do MST. Eveline Guimarães, Universidade Estadual Paulista, Unesp, Rosana.
A pesquisa caracteriza-se como um levantamento, catalogação e organização da recepção da cultura hispano-americana nos Cadernos de Formação e Educação do MST. A presença da cultura hispano-americana nas publicações já pesquisadas está, em grande parte, associada ao socialismo cubano e ao sandinismo. Também é notada a presença, principalmente, de máximas de Ernesto Che Guevara, encontradas em quase duas dezenas de citações.Espera-se que, com o término do levantamento, possamos apreender não apenas a recepção cultural hispano-americana, mas também a história do MST como um todo, seu processo de territorialização, formas de organização, a cultura e a mística. (Palavras-chaves: Educação, cultura, história, MST)
06 - Vôte! Existe produção literária em Mato Grosso. Franceli Aparecida da Silva Mello, Universidade Federal do Mato Grosso, UFMT.
A formação de um público leitor requer a mobilização de vários setores da sociedade. Em nossas investigações sobre as práticas de leitura e produção literária em Mato Grosso, uma revista destaca-se por sua ação militante no sentido de formar um mercado consumidor para a literatura mato-grossense. Nas suas 11 edições, entre 1992 e 2002, a revista Vôte! divulgou a produção literária e de quadrinistas locais. Se, por um lado, esta postura atende ao projeto de dar a conhecer os artistas regionais aos habitantes do Estado, por outro, restringe seu alcance. A proposta do presente trabalho é proceder a uma análise da trajetória desta publicação, com base nas noções de sistema e de campo literários, de A. Candido e P. Bourdieu, respectivamente. Nosso objetivo é subsidiar futuras pesquisas sobre a constituição do campo literário em Mato Grosso e no Brasil.
07 - Escolas, festas e educação na imprensa escrita sergipana. Geane Corrêa dos Santos e Solyane Silveira Lima, Universidade Federal de Sergipe, UFS.
O presente trabalho tem por finalidade analisar o comportamento da imprensa escrita sergipana diante das práticas cuturais escolares, entre os anos de 19489 e 1951. O objeto desta análise é, o jornal Gazetya Socialista. Ancorado dentra da perspectiva da Nova História Cultural, este trabalho se apropria de alguns conceitos formulados pelo entendimento de Pierre Bourdieu, Peter Burke e Roger Chartier para empreender sua análise. (Palavras-chave: representação, jornal, festas, cultura, estudante)
08 - Rui Barbosa e o debate educacional por meio da imprensa jornalística (1889). Maria Cristina Gomes Machado e Cristiane Silva Melo, Universidade Estadual de Maringá, UEM.
Este trabalho discute o debate educacional de Rui Barbosa em artigos jornalísticos publicados no Diário de Notícias do Rio de Janeiro, no ano de 1889, último ano do Império, considerado-o como um veículo de formação da opinião nacional. Busca-se analisar as discussões do autor sobre a educação, as instituições escolares e o ensino brasileiro no final do século XIX, assim como sua posição no que se refere à utilização da imprensa na divulgação de idéias políticas e educacionais nesse período em época que o país vivenciava intensas mudanças no campo político, econômico, cultural e social. Rui Barbosa considerava a imprensa importante na propagação da cultura letrada e formação do cidadão nacional. Publicou inúmeros artigos direcionados à sociedade brasileira expressando suas idéias e campanhas na conquista de adeptos às causas defendidas. Seus artigos são significativos documentos, permitem identificar seu pensamento acerca de questões que permearam a educação e a sociedade brasileira dada a necessidade de criação de escolas de primeiras letras para difusão da leitura e da escrita. A imprensa, nesse contexto histórico, era, para muitos, a fonte principal pela qual obtinha-se informações, exercendo uma importante função social, Rui Barbosa, atento a essa realidade, apontou em artigo a necessidade da imprensa transmitir conhecimentos.
09 - As críticas do “Estadão” sobre a destinação das verbas da educação, durante o Governo JK (1956-1961). Maria da Conceição Dal Bó Vieira, Universidade de Sorocaba – Uniso e Faculdade Integração Tietê, FIT.
Este trabalho procura mostrar um pouco da visão do jornal "O Estado de S. Paulo”, através de seus editoriais, escritos entre 1956 e 1961, durante o governo JK, tratando da questão da destinação dos recursos para a educação, bem como do financiamento e até mesmo da chamada "mercantilização" do ensino. O jornal não deixava de trazer para o debate os grandes temas educacionais, dentre eles o das verbas públicas para a educação, além de analisar questões como os preços das anuidades das escolas particulares, dentre outros assuntos.Palavras-chave: educação, jornal "O Estado de S. Paulo", governo JK.

SESSÃO V
Leitura, escola, história: questões de historiografia
Coordenação: Rodrigo Bastos Cunha
Dia: 11/07/07 – 14:00 às 17:00 horas

01 - As leituras de um moedor de grãos da Idade Média e os indícios de leituras na escola contemporânea. Rodrigo Bastos Cunha, Universidade Estadual de Campinas, IEL, Unicamp.
O objetivo deste trabalho é destacar alguns pontos de um estudo específico, realizado pelo historiador italiano Carlo Ginzburg, na década de 1970 - o qual publicou sob o curioso título de O queijo e os vermes -, para apontar, em seguida, pesquisas recentes envolvendo leitura, escrita e ensino que trazem idéias do campo de estudos mais amplo em que essa obra se insere ou se baseiam em contribuições como as que nela destacarei, em particular. Tentarei fazer, antes, um esboço do contexto em que surge essa pesquisa dentro dos estudos da história e, mais especificamente, dentro do campo da história cultural. Por fim, apresentarei uma possibilidade de estudo e abordagem sobre leitura e escrita na escola contemporânea a partir de procedimentos e concepções aqui destacados. (Palavras-chave: leitura, escrita, história, cultura e ensino)
02 - Escola, palavra e poder: os castigos e a representação literária. Anabelle Loivos Considera Conde Sangenis e Luiz Fernando Conde Sangenis, Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ.
O presente texto se propõe a uma incursão pelos paradigmas da ficção brasileira - quer sejam os seminais, quer sejam os contemporâneos - com vistas a compreender a representação literária da ambiência escolar, seus problemas e suas inquietações. Entre Escola, Palavra e Poder, o trabalho buscará averiguar quais leitmotivs literários estiveram a serviço de um discurso sobre a educação e seu aparelho disciplinar, mormente quando tais textos descreviam, poeticamente ou por via da desconstrução, os castigos aplicados pelos mestres a seus discípulos. A comunicação problematizará, assim, a linguagem potencializadora da recriação do cotidiano, contida em um discurso literário que, embora datado entre os séculos XIX e XX, faz-se fonte precípua, a fim de dar vazão a uma estimulante pesquisa sobre as relações de poder no universo escolar.
03 - Duas abordagens para o estudo da história das instituições escolares. Flora Cardoso da Silva, Universidade de Sorocaba, Uniso e Faculdade de Tecnologia de Sorocaba.
Esta comunicação visa compartilhar as reflexões sobre como os autores que se situam no campo da cultura escolar estão produzindo a história das instituições. Depois de conceituado o termo 'cultura escolar', foram analisadas as obras de Rosa Fátima de Souza,Luciano Mendes de Faria Filho e Carlos Monarcha, para verificar quais as categorias, fontes e procedimentos estes autores utilizam na pesquisa, enfim, como é fazer história da instituição escolar com este referencial. A seguir também foi analisado como os autores que se situam no campo do materialismo dialético procedem para realizar a pesquisa. Foram abordados os trabalhos de Esther Buffa e Paolo Nosella sobre as escolas de S.Carlos.Como conclusão, podemos dizer que tanto um referencial como outro contribuem para trazer à tona aspectos desconhecidos da realidade, ficando a escolha a cargo de cada pesquisador. É preciso rigor científico para tratar o objeto de pesquisa, a fim de que não se fique em generalizações abstratas e nem em minúcias que se perderão por não representar o todo. (Palavras-chave: história - instituição escolar - cultura escolar - materialismo dialético - referencial teórico-metolodológico)
04 - Leituras do mural: espaço de materialização das culturas escolares. Idelsuite de Sousa Lima, Universidade Federal de Campina Grande, UFCG.
Os estudos que privilegiam a cultura escolar como objeto de investigação despontam como possibilidade de realizar uma incursão pelo intramuro da escola, no intuito de colocar em realce as práticas escolares. Neste trabalho procurei indícios do conhecimento escolar e das práticas culturais incorporadas pelas culturas escolares manifestas através de documentos ordinários da escola. Foram utilizados textos e anotações da pasta-arquivo do mural da escola, registros ordinários do cotidiano escolar e agenda da coordenadora pedagógica. A incursão pelos registros ordinários inaugura possibilidades de captar formas de organização do processo de escolarização conferindo às fontes documentais estatuto de reveladoras das culturas escolares. (Palavras-chave: conhecimento escolar - culturas escolares - práticas culturais- escolarização)
05 - Leituras de si, leituras da escola: tempo, memória e armadilhas da modernidade. - Maria Ângela Borges Salvadori, Universidade São Francisco, USF.
Dentre tantas armadilhas da modernidade, a interpretação linear do tempo e sua vinculação com a idéia de progresso aparecem entre as mais ameaçadoras (Benjamin, 1994). Nesta comunicação, interrogar-se-ão os sentidos e percepções do tempo na cultura escolar, particularmente, a partir de depoimentos (auto)biográficos de professores. Trata-se, nesta perspectiva, de compreender tanto a permanência de concepções iluministas de cultura no conjunto das práticas escolares quanto de refletir sobre processos de formação docente que tomam as memórias dos sujeitos professores como seu fundamento. Neste processo, cresce a armadilha da profusão de discursos individualistas e marcadamente narcísicos em detrimento do compartilhar das experiências (Benjamin, 1994). Este projeto de pesquisa conta com o apoio da FAPESP. (Palavras-chave: tempo, memória, modernidade, biografia, autobiografia)
06 - Estudos: Murilo Mendes/Goya – A palavra/a imagem em interação – Lições de Espanha. Maria Bernardete da Nóbrega, Universidade Federal da Paraíba, UFPB.
O presente estudo discorre sobre a interação entre a palavra/a imagem, o poema/o quadro, o poeta/o pintor, Murilo Mendes/Goya no limite da construção do discurso estético em que o ato performativo delimita o percurso dos sentidos (Eco) no exercício intensivo de múltiplas leituras. Esse gesto de leitura orienta o ritual científico das reflexões teóricas formuladas por Bakhtin/Volochinov(1981), Bakhtin(1981,1997,1998), Roudaut(1988), Cumming(1998), Genette(1972), Greimas(1976, 1979, 1981), Geninasca(1975), Leiris(2001), (Santaella(1995) Santaella e Nöth(2001), Székely(1972). Delimitamos como corpus a Série Pictórica da obra Tempo Espanhol, de Murilo Mendes (1959), pela seleção de signos que indexaram o código pictórico. As leituras gestáltica e semiótica do poema "Goya", Murilo Mendes(1959) e da tela "Os Fuzilamentos de Moncloa" (3 de Maio de 1808), Goya(1814), deverão demonstrar como são modulados os discursos estéticos na densidade intersemiótica poesia/pintura. Essas leituras funcionam enquanto mecanismo instrumental para exercitar a capacidade de perceber/ver/ler a repercussão poética de outras artes (Sena, 1963), em que a palavra/a imagem compõe um sistema heterossemiótico na composição hierárquica de linguagens em interação. A nossa proposição é destruir/construir/traduzir esses movimentos discursivos que se enredam na interação autor/leitor/texto/contexto a construir percursos definidores do conjunto - de estudos, esboços, exercícios, séries. Espanha afiada pelas lições do idioleto muriliano-goyesco a traduzir o substrato hispânico - "De passar a vida ao fio da espada". Museu de tudo. Lições inscritas/escritas no horizonte do discurso poético. (Palavras-chave: discurso estético, interação, poepicturalidades)
07 - Leitura e uso das fontes no ensino de história. Paulo César Tomaz, Universidade Estadual de Maringá, UEM.
Esta comunicação tem por objetivo analisar as principais correntes historiográficas no estudo de História, tais como o Positivismo, o Marxismo e a História Nova, buscando compreender como essas correntes historiográficas trataram a leitura, a interpretação e o uso das fontes para a compreensão dos acontecimentos históricos. Objetiva igualmente analisar o enfoque dado a esse assunto no ensino de História no Brasil, tendo como base de análise os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) de 5ª a 8ª Séries, cuja finalidade é também capacitar o aluno a "dominar procedimentos de pesquisa escolar e produção de textos, aprendendo a observar e colher informações de diferentes paisagens e registros escritos, iconográficos, sonoros e materiais." (PCN,1998). (Palavras-chaves: correntes historiográficas, leitura e uso das fontes, ensino de História)
08 - As armadilhas da relação família-escola no processo de institucionalização do modelo escolar. Robson Borges Maia, Unidade de Ensino Superior Ingá, Uningá, Maringá, e João Luiz Gasparin, Universidade Estadual de Maringá, UEM.
Esta comunicação é uma leitura da realidade que visa discutir o modelo cultural advindo da relação estabelecida na atualidade entre a família e a escola. Tedesco (2002) discute o déficit de socialização que essas duas importantes instituições vêm sofrendo nas últimas décadas. Anísio Teixeira (1975), já na década de 1930, defendia a necessidade de a escola tomar para si grande parte das funções que, até então, eram desempenhadas exclusivamente pela família. Esta pesquisa, de caráter teórico-descritivo, foi realizada na perspectiva do materialismo histórico-dialético. Constatou-se que a transferência de responsabilidades da família para a escola vem, de certo modo, dificultando o processo de transmissão dos saberes escolares, função precípua da escola. No entanto, ainda não se pode afirmar que estamos diante de uma nova cultura escolar, fruto da nova relação família e escola. Ou seria mais uma armadilha social a impedir a socialização do saber? De todo modo, há fortes indícios de que tal cultura esteja em processo de elaboração. (Palavras-chaves: Nova leitura da relação família-escola, transferência de responsabilidades, processo de socialização)
09 - Memória da escola: investigando as práticas educativas em “História da Minha Infância” de Gilberto Amado. Solyane Silveira Lima e Geane Corrêa dos Santos, Universidade Federal de Sergipe, UFS.
Diferentes práticas de formação e de estrutura escolar nas últimas décadas do século XIX estão presentes na narrativa de Gilberto Amado. Esse trabalho tem a pretensão de investigar e refletir sobre essas práticas com o objetivo de elucidar a memória escolar. Ancoradas nos pressupostos teóricos da Nova História Cultural, que possibilitou a utilização de novas fontes na pesquisa histórica, buscaremos fazer uma leitura da obra autobiográfica desse intelectual sergipano. (Palavras-chave: História da Educação, Leitura, Escola, Memória, Literatura)

SESSÃO VI
Escola: políticas e práticas.
Coordenação: Marcos de Moura Albertim
Dia: 11/07/07 – 14:00 às 17:00 horas

01 - Ler para aprender. Marcos de Moura Albertim, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC-SP.
O presente trabalho tem como objetivo apresentar uma concepção sócio-interativa para os processos de aprendizagem de leitura entendida como meio para aquisição de conhecimentos, cultura e autonomia, considerando estratégias metodológicas que auxiliem o educador na elaboração de projetos de trabalho em que a leitura seja o foco para o sucesso do aluno. (Palavras-chaves: concepção interativa de leitura, estratégias, autonomia)
02 - Recontextualização da avaliação em leitura e escrita. Deize Vicente da Silva Arosa, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, UniRio.
À escola de hoje, é designada a função social de oferecer aos indivíduos um "ensino de qualidade para todos". Mantendo estreita relação com condições estruturantes do sistema de ensino e sociedade que integra, a escola tem se utilizado de argumentos que reforçam e (re)produzem a seletividade, competitividade e individualismo. Baseando a análise em Bernstein (1984, 2003) sobre as pedagogias visíveis, invisíveis e recontextualização do conhecimento, esta comunicação pretende apontar situações relacionadas a justificativas, caracterizações e definições criteriais utilizadas pelos profissionais da escola para formação de grupos/turmas. Ancorada na abordagem das hipóteses de construção da língua escrita (Ferreiro, 1999), a escola tem se utilizado deste conhecimento como subsídio teórico-prático de um processo classificatório e excludente, visível na articulação que faz com os tempos, espaços e controle social. (Palavras -chaves: prática pedagógica, recontextualização, avaliação)
03 - A leitura literária: acertos e desacertos ou entre a escolha e a imposição. Erika Naegel Sirqueira, Universidade do Estado da Bahia, UNEB.
Esta comunicação relata meu trabalho como bolsista no projeto A Leitura Literária: acertos e desacertos ou entre a escolha e a imposição, orientado pela Prof° Dra. Verbena Mª R. Cordeiro, e que tem como objetivo avaliar em que medida a leitura de obras literárias, livremente escolhida pelos alunos de Letras da Uneb ou indicada no espaço acadêmico, vem sendo considerada e implicada na formação do gosto. Neste sentido, buscou-se investigar a maneira que estes alunos compreendem a sua inserção no mundo da literatura, mais especificamente em relação à formação do gosto, constituído em diferentes espaços, lugares e comunidades leitoras, transitando entre escolhas pessoais e outras consagradas pela universidade. Para tanto, foi aplicado um questionário semi-estruturado para averiguar como as variadas formas de contato com a leitura literária tem contribuído para modelar o gosto e a formação leitora. (Palavras - chaves: Formação de gosto; Literatura; Leitor; Ensino)
04 - A compreensão da atividade pedagógica em uma rede de inter-relações: franquia escolar. Jefferson Antonio do Prado, Universidade Estadual Paulista, Unesp-Rio Claro.
Esta comunicação visa compartilhar uma investigação em andamento sobre em que medida as tensões interdependentes no espaço e no tempo da sala de aula,(a estrutura organizacional, os pressuposto, os valores, as condições e metodologia de trabalho, os horários das aulas, as disciplinas, o nome da escola, a rede pela qual se veicula, e em especial o material apostilado sistematizado adotado), de uma escola particular franqueada instrumentalizam o olhar do professor auxiliando na compreensão de sua atividade docente.Como estas relações se constroem nas malhas de inter-relação e de que forma o professor percebe se a prática pedagógica relacional de sua atividade pode ou não ser compreendida nestas tensões interdependentes, que se configura no conjunto de exigências adotado pela rede de franquia escolar. (Palavras-chaves: atividade docente,prática pedagógica,configuração, inter-relação,interdependência, material apostilado, pacote pedagógico
05 - A autoria é algo que se ensina? Lauro José Siqueira Baldini, Universidade Vale do Sapucaí, Univás.
Esta comunicação visa a discutir a questão da autoria na escola. Sabemos que, mais do que ensinar o aluno a ler e escrever, a escola deveria se caracterizar por abrir a possibilidade de que aluno se constitua enquanto autor, isto é, como um sujeito cuja relação com seu texto se dê de modo a produzir um (re)conhecimento de si mesmo. No entanto, permanece a questão de saber como o professor pode atuar de modo a permitir tal possibilidade. A autoria é algo que se ensina? (Palavras-chaves: autoria, discurso, subjetividade, escola)
06 - Rotinização do trabalho docente. Márcia Lopes Giaponesi, Universidade de Sorocaba, Uniso e Instituto de Educação Superior Uirapuru, e Fernando Salles Casadei, Uniso.
O texto desenvolve algumas considerações acerca da rotina do trabalho docente tendo em vista a sua importância na delimitação do trabalho do professor desde a sua definição pedagógica até a sua configuração como um processo interativo, que se realiza com outro ser humano. Para isto, em um primeiro momento, destaca como os acontecimentos cotidianos da prática docente se encontram organizados em suas expressões de tempo e de ritmo e em um segundo momento, verificando a rotina como uma condicionante social, imposta, de forma aparentemente natural, de fora para dentro da sala de aula, independente de qualquer interferência ou vontade do professor. (Palavras-chaves: rotinização, trabalho docente, proletarização do trabalho docente)
07 - Oficina da memória e formação de professores/as em São Gonçalo. Maria Tereza Goudard Tavares, Alessandra da Costa Abreu, Francisco José da Silva Guimarães, Adriana do Santos Silva e Verônica Maria Gomes Pereira Vianna, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ.
A comunicação apresenta resultados parciais do Trabalho de extensão realizado pelo grupo Vozes da Educação: memória e história das escolas de São Gonçalo (FFP/UERJ), em 2006, a partir da realização do curso de extensão (A) "gente de patrimônio": oficinas de alfabetização patrimonial e formação de professores. Na trajetória do curso, a indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão pautou um dos princípios fundamentais de nossas ações, bem como a interlocução com os sistemas de ensino, em especial, com as professor@s da rede pública municipal. Nossas ações perseguem o duplo papel de estender ((ex)tender) o conhecimento produzido dentro da universidade e, ao mesmo tempo, trazer para a universidade o conhecimento produzido no cotidiano escolar. (Palavras - Chave: Oficinas da Memória; Formação de Professores; Alfabetização Patrimonial)
08 - Perseguir e conquistar a interdisciplinaridade no Colégio Militar de Juiz de Fora – Necessidade impositiva de 1995 a 2006. Meire Moreira Cordeiro, Universidade Federal de São Carlos, UFSCar.
Esta comunicação visa compartilhar os primeiros pensares sobre a elaboração e a condução de projetos multidisciplinares e interdisciplinares para o ensino fundamental (5ª a 8ª séries) e ensino médio (1ª a 3ª séries) no Colégio Militar de Juiz de Fora (CMJF), no período de 1995 a 2006. A "transposição" da multidisciplinaridade para interdisciplinaridade foi "facilitada" pela modernização do ensino no Exército Brasileiro na década de 1990, o que contribuiu para o desenvolvimento de uma nova cultura onde os discentes ultrapassaram o "contorno das disciplinas" e os docentes se aventuraram para além de suas áreas de conhecimento. A reflexão integra um projeto de pesquisa para avaliar o desenvolvimento da interdisciplinaridade no CMJF. (Palavras-chaves: história da instituição escolar, cultura escolar, Exército Brasileiro, modernização do ensino, multidisciplinaridade e interdisciplinaridade)
09 - Compreender o ato de ler e praticar leitura na vida e na escola. Rosa Amélia Pereira da Silva, Colégio “Juscelino Kubstichek”, DF.
Esta comunicação visa a compartilhar uma reflexão teórica acerca da leitura em suas várias perspectivas: psicológica, Silva, 1996; cognitivista, Kleiman, 2003; interacionista. Discorre a respeito da importância do professor - independente da área que leciona - na construção do leitor. E de práticas de leituras que podem ser desenvolvidas na escola visando às práticas sociais e à construção da cidadania. (Palavras-chave: Leitura - escola - professor - prática social e cidadania)

SESSÃO VII
Escola e práticas de leitura e escrita de professores
Coordenação: Esméria de Lourdes Saveli
Dia: 11/07/07 – 14:00 às 17:00 horas

01 - As faces do tempo: memórias de leitura de professores - Esméria de Lourdes Saveli, Universidade Estadual de Ponta Grossa, UEPG, PR.
A pesquisa propôs buscar nas narrativas memorialísticas de professores aposentados que exerceram a docência nas décadas de 1960, 1970, 1980, 1990, indícios que possibilitaram delinear a cultura escolar existente nas instituições de ensino de cada período e como se dava as relações entre professor/aluno, professor/aluno/conhecimento, professor/aluno/leitura. A pesquisa, ainda, procurou compreender como a experiência profissional e as relações sociais estabelecidas no contexto da escola plasmam o imaginário dos professores. A categoria tempo foi entendida como uma maneira de captar em conjunto os acontecimentos, o desenrolar de eventos cruciais que afetam a consciência humana. O procedimento metodológico esteve assentado em dois eixos: análise do referencial teórico e pesquisa de campo. A pesquisa teórica foi feita a partir de um levantamento preliminar de temas e autores que apresentavam relação com a temática da investigação. E a pesquisa de campo para a coleta das informações foi realizada através de entrevistas que estimulavam os professores a expressarem a s suas visões sobre as organizações do espaço e o tempo na escola, o espaço que a leitura ocupava nas atividades com os alunos e na vida pessoal desses profissionais. Nesse sentido, o tempo aparece como metáfora da experiência. Na organização dos dados foram categorizadas as informações sobre o início da escolarização e da carreira, a trajetória de formação, o trabalho docente cotidiano e o espaço que a leitura ocupava no cotidiano da sala de aula. (Palavras – chave: Narrativas memorialísticas de professores, Cultura escolar, Leitura na escola)
02 - Encontro com textos, práticas de leitura e formação: fragmentos de um percurso - Carlos Toscano, Universidade Estadual de Londrina, UEL.
O presente trabalho busca delinear como se configurou, num percurso singular, o encontro com os textos e o contexto na qual, mediadas pela leitura, certas práticas culturais, a partir da escola, se deram a ver e se entrelaçaram. Apoiado no referencial teórico proposto por Vigotski e Bakhtin, que situam nas práticas sociais a gênese do especificamente humano e da constituição das singularidades dos sujeitos, destacando nesse processo o papel do outro e da mediação semiótica, recorro a fragmentos de meu percurso de formação compondo com eles uma narrativa na qual ficam destacados os outros que comigo interagiram e as marcas das situações experimentadas, que foram me constituindo como leitor e professor. (Palavras-chaves: leitura na escola, formação de professores, processo de constituição de um leitor)
03 - Histórias de leitura, concepções e práticas pedagógicas de professores. Egle Carillo de Faria, Centro Federal de Educação Tecnológica, CEFET/MT, e Ana Arlinda de Oliveira, Universidade Federal de Mato Grosso, UFMT.
Esta comunicação objetiva compartilhar o resultado de uma pesquisa de Mestrado. A pesquisa qualitativa-interpretativa fundamentada em Silva (1985), Nóvoa (1992), Soares (2000), Andrade (2001), Corrêa (2001), Galvão (2001), Moraes (2001), Tardelli (2001), Possenti (2004) e Oliveira (2005) estudou o fenômeno educacional que trata da interação entre a história de leitura do professor-leitor e suas práticas, vividas no cotidiano da sala de aula, visando a formação do aluno-leitor. O estudo constatou que as concepções reveladas nas histórias de leitura dos professores e evidenciadas em suas práticas pedagógicas parecem contribuir de forma significativa para a formação de alunos leitores. (Palavras chave: Leitura, Histórias de leitura, Professor-leitor, Aluno-leitor)
04 - Histórias a contrapelo: escritas de si, (auto) biografia e formação de leitores. Elizeu Clementino de Souza e Verbena Maria Rocha Cordeiro, Universidade Estadual da Bahia, UNEB.
Nesta comunicação narramos experiências vinculadas ao projeto de formação, - Abordagem (Auto) biográfica, formação de professores e de leitores, desenvolvida no PPGEduC/UNEB -, enfocando as escritas de si, reveladoras de seus percursos individuais e coletivos. Nesse sentido, buscamos, a partir dos diários de formação e dos relatos (auto) biográficos de práticas culturais de leitura, a produção e socialização das escritas de si, no entendimento de que os processos de formação se modelam na tensão entre as experiências e as marcas de histórias de vida de cada sujeito. Para tanto, tomamos as narrativas de formação de professores e de leitores como eixos estruturantes para o trabalho, no sentido de compreender dispositivos da profissão docente na interface entre dimensões da memória e lembranças de leituras do/no cotidiano escolar e dos saberes docente. (Palavras-Chave: escritas de si; (auto) biografia; relatos de formação; formação de professores e leitores)
05 - Faça um jogo da memória: articulando alfabetização, memória e formação de professores. Mairce da Silva Araújo, Deise Azevedo Parreira e Isabella Belmiro Araújo, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ.
Faça um jogo da memória/ contando toda a sua história/ todos querem ouvir(...) Alguns versos de uma canção guardada na memória, tem sido uma das fontes inspiradoras na construção de caminhos investigativos em nossa pesquisa Alfabetização, Memória e Formação de Professores. A proposta de fazer "um jogo da memória para contar uma história particular que todos querem ouvir" tem se configurado para nós como um instrumento de investigação-formação que reconhece o(a) professor(a) como sujeitos do conhecimento e reafirmam o espaço escolar como lócus privilegiado de circulação e resgate de saberes, histórias e memórias, bem como, de preservação e (re) criação da cultura local. Referenciada teoricamente em Freire (1978, 2003), Benjamim (1993), Santos ( 1996, 2000), Thompson (1992), dentre outros, a pesquisa, de natureza qualitativa, tem como opção metodológica a pesquisa-ação (ANDRÉ, 1995). O objetivo da presente comunicação é compartilhar a experiência vivida no processo da pesquisa, socializando e colocando em debate suas reflexões. (Palavras-chaves: alfabetização, memória, formação de professores)
06 - Rememorando a leitura no cotidiano escolar: uma aproximação da vida pessoal à profissional. Patrícia Vilela da Silva, Universidade do Estado da Bahia, UNEB.
Esta comunicação visa a compartilhar o projeto de pesquisa, ainda em andamento no Programa de Estudos de Linguagem/UNEB, cujo objetivo é compreender a correlação existente entre as práticas de leituras enraizadas em contextos e histórias individuais dos professores dos Anos Iniciais de uma escola pública do município de Jacobina/BA, os quais são estudantes de Pedagogia, e a construção da sua práxis pedagógica. Para tanto, essa pesquisa centra-se em dois eixos: 1)história de leitura; e 2) formação de professor-leitor e insere-se nas abordagens teóricas dos estudos socioculturais, em particular, dos estudos sobre as práticas culturais de leitura. (Palavras-chaves: leitura, história de leitura, formação de professor)
07 - Alfabetização patrimonial e formação de professores em São Gonçalo. Priscila Pedro Andrade, Luciana da Silva Veloso e Maria Tereza Goudard Tavares, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ.
A comunicação apresenta resultados de uma pesquisa de iniciação cientifica desenvolvida na cidade de São Gonçalo/RJ. A pesquisa tem como perspectiva a reinvenção da escola como centro (re)criador da memória, da história e da cultura local, tendo como eixo a temática da Alfabetização Patrimonial. Fundamentadas em Freire defendemos que aprender a ler e escrever é ler o mundo, localizar-se no espaço social mais amplo. Nesse sentido, o conceito e as práticas de alfabetização passam a traduzir as relações dos sujeitos com o entorno, com a cidade, mediados pela semiótica urbana e pelo meio técnico-científico-informacional. Metodologicamente, buscamos articular memória e conhecimento, a partir de oficinas de memória, resgatando e ampliando os saberes d@s professor@s sobre o patrimônio material e imaterial da cidade. (Palavras-chaves: Alfabetização Patrimonial; Direito à cidade; Formação de Professores)
08 - Memórias de leitura: reflexos na construção do leitor competente na atualidade. Ruth Ceccon Barreiros, Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Unioeste.
O tema "Leitura" relacionado aos contextos de ensino/aprendizagem levou-nos a investigar as memórias de leitura apresentadas pelos alunos do Curso de Letras. O interesse pelo assunto deve-se ao elevado índice de acadêmicos que apresentam dificuldades em fazer uso competente das práticas de leitura, considerando-se a gama de leitura que, em geral, precisam realizar no curso em questão bem como as atividades relacionadas à formação de leitores que estarão sob a sua responsabilidade, no futuro, como professores. As informações analisadas foram coletadas em depoimentos escritos de alunos do primeiro e quarto anos do curso de Letras em 2006. Partimos do princípio de que as dificuldades apresentadas estão relacionadas à história de formação em leitura que receberam ao longo do período de escolarização nos ensinos fundamental e médio. (Palavras-chave: leitura, memória, formação de leitores, universidade)

SESSÃO VIII
Escola, leitura e escrita.
Coordenação: Maria de Fátima Almeida
Dia: 11/07/07 – das 14:00 às 17:00 horas

01 - Movimentos interativos do leitor: uma leitura em três tempos. Maria de Fátima Almeida, Universidade Federal da Paraíba, UFPB.
Os avanços nas relações interpessoais, no contexto escolar, revelam a diversidade de sentidos da linguagem. A partir da concepção dialógica de Bakhtin (1929/1981) e François (1996/2000), analisamos os movimentos dos sujeitos em aulas de leitura, nas quintas séries do ensino fundamental. A construção do sentido mostra que ler é um ato dialógico que gera muitos movimentos ou modos de ver do sujeito que atua na escola. A linguagem é diversidade de modos de significar e a leitura uma questão de olhar ou ponto de vista do ser-leitor. Os resultados demonstram que a interação é uma maneira de construir sentidos e que a leitura é um momento privilegiado de contrapalavras. Ler é um ato singular de cada leitor, que ao interpretar participa ativamente das escolhas dos sentido possíveis. Ler é movimento de três tempos, o antes, o durante e o depois do ato enunciativo da leitura. (Palavras-chaves: linguagem, leitura, história)
02 - Aluno-leitor: um estatuto a ser debatido. Caroline Moraes de Oliveira, Universidade Federal Fluminense, UFF.
Esta comunicação tem como objetivo compartilhar as primeiras reflexões da dissertação de mestrado que versa sobre o "ler" institucionalizado, ou seja, o processo de leitura tomado em sua especificidade de atividade escolar. Este trabalho, ainda em desenvolvimento, já tem alguns resultados interessantes para serem socializados e debatidos, entre eles, como o processo de leitura conduzido no espaço escolar acarreta no desenvolvimento de um gênero específico de leitor: o aluno-leitor (este não coincidindo com o leitor fora da escola). Buscaremos ainda, analisar como este estatuto influencia no tão propagado "fracasso" da escola na formação de leitores competentes e autônomos. Tomaremos como ponto de partida as reflexões propostas por João Wanderley Geraldi em sua obra Portos de passagem (2003). 
03 - Leitura: concepções e práticas pedagógicas de professores em uma escola municipal de Cuiabá/MT. Cláudia Cristine Maia Mendes e Ana Arlinda de Oliveira, Universidade Federal de Mato Grosso, UFMT.
Esta comunicação tem como finalidade apresentar uma mostra das análises preliminares de uma Pesquisa de Mestrado em andamento numa 5ª série do Ensino Fundamental. Investiga as relações existentes entre concepções de leitura e práticas pedagógicas dos professores e as influências destas na formação do aluno-leitor (Foucambert, 1997; Oliveira, 2005; Silva, 1998; Tardif, 2002). Considera também, o contexto histórico e sócio-cultural da instituição escolar que atua há vinte anos na comunidade em que está inserida (Chartier, 2001; Gadotti,1998; Zilberman, 1991). As conclusões preliminares indicam que os Projetos propostos pela Comunidade Escolar contribuem de forma significativa para a formação do aluno-leitor. Os professores seguem o livro didático e o texto ainda é usado como pretexto. Concepções apresentadas na fala dos professores diferem da prática. Os espaços de leitura do aluno-leitor se constituem fora da sala de aula. (Palavras-chaves: leitura, concepção, prática, professor-leitor, aluno-leitor)
04 - Aulas de leitura: uma prática desmotivadora? Gisele de Sales Silva, Cinthia da Costa Mota e Daise Fernanda Nunes, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, UFMS.
Objetivamos apontar e questionar práticas exercidas em aulas de leitura em Escolas da Rede Pública de Ensino no Estado de São Paulo, tendo como ponto de referência a experiência adquirida na disciplina de Estágio Supervisionado em Língua Portuguesa I. Segundo Magnani (1989), a formação do gosto não se baseia em exercícios escolares de interpretação, mas sim diz respeito à vida, à formação de uma visão de mundo, além de ser por meio da leitura que se conhecem e aprendem os conteúdos de ensino. Os dados indicam que as aulas observadas parecem não despertar o espírito crítico do aluno, incentivo e gosto pela leitura. (Palavras chaves: Leitura; Escola Pública; Prática Docente)
05 - Práticas de leitura: uma análise da realidade do fluxo escolar. Jamille Arnaut Brito Moraes, Universidade Estadual de Feira de Santana, UEFS.
O presente estudo se propõe a analisar as práticas de leitura dos estudantes da turma do Fluxo Escolar* do Colégio Estadual de Feira de Santana (BA). Segundo os dados oficiais do SAEB (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica), os discentes do Ensino Fundamental e Médio apresentam um baixo nível de leitura. Desse modo, somente a partir da valorização do ato de ler é que esta situação pode ser modificada. É necessário, portanto, avaliar o perfil leitor dos educandos do supracitado colégio, a partir da aplicação de questionários e entrevistas. Essa mudança da condição do leitor que se pretende alcançar não se resume em contribuir com a área da Linguagem, mas tornando o indivíduo proficiente na leitura será possível a este interpretar o que lhe diz as outras áreas do conhecimento humano. (Palavras-chave: perfil do leitor; leitura; fluxo escolar)
06 - Aulas de leitura: formação de leitores? Juliana Batista Trannin, Paulo Roberto Friósi e Simone Silveira Garcia, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, UFMS.
O estágio supervisionado em uma Escola Pública na cidade de Três Lagoas-MS nos permitiu a observação direta de aulas de leitura, o que nos levou a questionar e refletir, neste trabalho, sobre o papel da escola na formação de leitores e o modo como a prática dessa modalidade em sala de aula influencia o gosto pela leitura dos alunos. Conforme Geraldi (1993), os alunos lêem para atender a legitimação social da leitura constituída fora do processo em que eles estão engajados. Durante as observações, constatamos que as aulas de leitura das 5ª e 6ª séries do Ensino Fundamental, ancoradas nos livros didáticos e de literatura infanto-juvenil, são baseadas na busca de informações e de anotações que envolvem rígidos critérios de avaliação. Assim, o discurso de sala de aula faz do texto um estímulo para operações mentais e não um meio de produzir conhecimentos e reflexões. (Palavras-chave: leitura; escola; formação de leitores)
07 - Asa da palavra – Experiências de práticas leitoras em escolas públicas. Maria Elena Vilanova Lois Barreto, Universidade do Estado da Bahia, UNEB.
Esta comunicação visa compartilhar experiências de práticas leitoras, apresentando resultados significativos na mudança de comportamento de alunos de escolas públicas diante do ato de ler. Esse trabalho já vem sendo desenvolvido há 7 anos, considerando as teorias da estética do efeito e da sociologia da leitura, mas só agora estão sendo avaliadas e pesquisadas a partir da minha inserção como mestranda, no Programa de Pós-graduação de estudos de linguagens da UNEB. Diante das respostas apresentadas pelos alunos pode-se verificar a possibilidade da leitura vir a construir um olhar estético para o leitor, assim como dar-lhe ferramentas para desempenhar o seu papel de cidadão na sua comunidade. 
08 - Os diferentes modos de leitura no ensino de Ciências. Narjara Zimmermann e Henrique César da Silva, Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Geociências, Unicamp.
Nesse trabalho busco refletir algumas questões referentes à leitura, mais especificamente aos diferentes modos de leitura da ciência na escola. Para tanto, parto de entrevistas semi-estruturadas realizadas com cinco professores de diferentes áreas: uma professora de química, uma de biologia, um de geografia e duas de português de uma escola estadual do Município de Campinas, tentando entender algumas condições de produção de leitura no contexto desta escola. Além disso, busquei conversar com autores da área, tentando, abordar historicamente as mudanças que vêm sendo observadas nesta problemática, ou seja, de como a leitura vem sendo abordada/questionada no ensino de ciências. E para a realização das análises, foquei meu olhar numa análise discursiva, uma vez que compreendo a leitura como um processo de produção de sentidos. 
09 - O espaço dos gêneros textuais em duas salas de aula do ensino fundamental. Rozana Castilho Dias da Silva e Ana Arlinda de Oliveira, Universidade Federal de Mato Grosso, UFMT.
Esta comunicação apresenta um estudo sobre a prática de leitura, em duas escolas de Cuiabá - MT, uma pública e uma privada, em uma turma da 2ª fase do 3° ciclo e uma da 4ª série respectivamente, procurando verificar se esta prática conduz à análise e reflexão do aluno e se estão em consonância com o que propõe os PCNs em relação à abordagem dos gêneros textuais que circulam na sociedade, embasadas na análise discursiva (Marcuschi, 2002; Bakhtin, 1992; Orlandi, 1988; PCNs, 2001). Este estudo faz parte de uma pesquisa que se encontra em desenvolvimento e conta com alguns resultados preliminares. O objetivo central é constatar quais os gêneros textuais estão presentes em sala de aula e se estão sendo trabalhados visando desenvolver a formação do leitor. (Palavras Chaves: Leitura - Gêneros Textuais - Formação do Leitor)

SESSÃO IX
Escola, leitura e escrita.
Coordenação: Thiago Trindade Matias
Dia: 11/07/07 – das 14:00 às 17:00 horas

01 - Cartas de leitores: espelho da realidade sócio-histórica do português brasileiro. Thiago Trindade Matias, Universidade Federal da Paraíba, UFPB.
Esta comunicação tem por objetivo compartilhar uma experiência realizada com alunos de 1ª e 2ª séries do ensino médio na qual foram analisadas cartas de leitores do século XIX, publicadas em periódicos recifenses. Nosso objetivo foi fazer com que os alunos tivessem contato com textos históricos e por meio deles pudessem perceber o processo de variação ou mudança sofrido na língua escrita (Faraco, 2005). Esta atividade surgiu a partir do momento em que percebemos algumas lacunas nos livros didáticos ao se referirem à História da Língua Portuguesa, pois esses manuais voltam-se, apenas, à herança latina ou à história do português do Brasil (já um bom sinal). No entanto, não há um trabalho com textos históricos, uma vez que a língua se materializa em gêneros discursivos, nada mais justo do que estudar a história da língua através de textos escritos. (Bagno, 2002; Mendonça, 2006, Bakhtin, 1953). 
02 - Literatura infantil e a representação da realidade social brasileira. Ana Paula Ferreira, Universidade Estadual de Minas Gerais, UEMG, e Mariza Aparecida Pereira, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, PUC-MG.
Este trabalho tem como finalidade a adaptação dos contos de fada à realidade brasileira buscando a permanência dos elementos mágicos dos contos de fada (Abramovich, 1989) e ao mesmo tempo realizando uma analogia com os problemas políticos e sociais (Saviani 2002) vivenciados pelos brasileiros em decorrência do nosso sistema político e econômico vigente. Uma releitura da obra de João e Maria foi realizada com crianças de Educação Infantil e com as famílias, convergindo os elementos da educação formal com a informal, unificando-se creche e a família, com a finalidade de levantar vários temas que assolam nossa sociedade tais como a exploração infantil e a desigualdade social. Uma das formas utilizadas para a comunicação da história foi o teatro com as próprias crianças visando com isto a simbologia de elementos do cenário num processo de representação lúdica que contribua para o desenvolvimento da zona proximal (Vigotski 1988) e de letramento (Magda Soares). (Palavras chaves: literatura, sociedade, letramento)
03 - Núcleo de leitura NUCLEI: tecendo fios no processo de formação de alunos e professores leitores. Antonilde Santos Almeida, Antonilma Santos Almeida e Obdália Santana Ferraz Silva, Universidade do Estado da Bahia, UNEB.
Sabe-se que a comunicação humana se faz, basicamente, através de textos, sejam orais e/ou escritos, e que a leitura permeia todo processo comunicativo no qual o homem está inserido. Nesta compreensão, o Núcleo de Leitura (NUCLEI) dos Departamentos de Educação dos Campi XIII e XIV tem desenvolvido pesquisas e cursos de extensão envolvendo a investigação científica sobre o ato de ler, bem como estudos sobre fundamentos teórico-metodológicos dos processos de leitura. Neste sentido, sabendo que a formação de leitores críticos e reflexivos é um imperativo da sociedade atual, o NUCLEI traz a proposta de fomentar o gosto pela leitura, visando à construção de uma sociedade que saibam posicionar-se com autonomia. (Palavras-chaves: leitura, proficiência, critica e investigação)
04 - Cais da leitura: leitura em ação. Carla Rosiane Carlota Andrade e Conceição Flores, Universidade Potiguar, Natal, RN.
Esta comunicação tem como objetivo compartilhar algumas das ações desenvolvidas pelo Programa de Extensão Cais da Leitura, do qual fazem parte os Cursos de Letras e de Pedagogia da Universidade Potiguar. Consideramos a leitura uma atividade fundamental e continuada, um processo interminável de interação entre as pessoas e o mundo, iniciado antes da alfabetização, com a leitura sensorial e a leitura de mundo, ampliado